• IETF: Entre Inovação Aberta e Limitação da Rede

    Nesta última quarte-feira dia 17 de Abril de 2013, a IETF (Internet Engineering Task Force) realizou uma conferência para discutir sobre padrões abertos e questionar "Quem fez a Internet?", como preparação para sua reunião anual em Berlin no final de Julho desse mesmo ano. O encontro foi recheado de peças-chave que defendem a neutralidade da Internet. Conheça esses indivíduos e suas posições sobre o futuro da Grande Rede:


    Hans-Joachim Otto

    Hans-Joachim Otto, Secretário de Estado Parlamentar do Ministério Federal Alemão de Economia, aproveitou essa ocasião na capital germânica para tranquilizar o comitê de padrões da Internet que o mesmo possuía um aliado firme no governo Alemão. Otto afirmou que "Nós continuamos a promover oa liberdade da Internet em um nível internacional" e acrescentou que "isso não é uma oferta".

    Otto ainda afirma que o Ministério Federal Alemão de Economia defende uma Internet "não-paternalista". A Internet e as redes sociais se tornaram uma voz poderosa para a liberdade que não deve ser suprimida pelo controle e arregimentação. Entretanto, Otto percebe que os cidadãos precisam ser capazes de se defender contra violações on-line de seus direitos pessoais. O político Liberal se pronunciou contra dar o controle técnico da rede mundial para os governos e tirar o poder de entidades já estabelecidas como a IETF e a autoridade de gerenciamento da Internet, o ICANN. Otto também percebeu que políticas genuinamente voltadas para a Internet necessitam de um entendimento de "como as tecnologias por trás de tudo isso funcionam".

    Hans-Peter Dittler

    Hans-Peter Dittler, presidente da divisão Alemã da Sociedade da Internet (ISOC - Internet Society), aproveitou a oportunidade para lembrar ao público que a visão-base de uma organização como a IETF foi a de "!manter a Internet livre de influências governamentais e influências corporativas". Entretanto, Dittler afirmou que as discussões na Alemanha sofrem por causa das opções de padrões abertos --- e as associações por trás dos mesmos como a W3C (World Wide Web Consortium) --- que estão sendo suprimidas em favor de organizações de padronização clássicas como o Instituto de Padronização Alemão (DIN - Deutsches Institut für Normung). Entretanto, Ditter notou que o trabalho realizado por entidades como a IETF possuem a vantagem de serem "abertos para todos", e que esses processos de discussões e tomadas de decisões são conduzidos através de listas de discussão via e-mail. Otto ainda explica que em conformidade com o princípio fundamental dessa abordagem, o fator decisivo é um "consenso áspero e código em execução" ao invés de, por exemplo, um voto majoritário.

    Olaf Kolkman

    Olaf Kolkman do grupo de pesquisa Holandês NLnet.labs coloca ênfase no princípio da neutralidade de rede. A "maravilhosa arquitetura" da Internet facilita a inovação que não requer nenhum tipo de permissão, afirmou o ex-Presidente do IAB (Internet Architecture Board), uma organização que é governada pelo IETF. O único requisito para introdução uma aplicação personalizada na Internet é que a mesma deve estar dentro dos padrões do protocolo da Internet (IP - Internet Protocol). De acordo com Kolkman, essa abordagem é baseada em padrões abertos que são desenvolvidos de forma coletiva e adotados voluntariamente desde a base. Os princípios de relevância --- que incluem consenso, transparência, equilíbrio, responsabilidade compartilhada, e viabilidade técnica --- estão descritos no site web Open Stand, acrescentou Kolkman.

    Kolkman também destacou a natureza aberta do processo ao afirmar que maneiras simples de contribuir para os processos de padronização estão disponíveis até mesmo para companhias pequenas e médias. Ele ainda afirma que leva em torno de três meses a dois anos para que uma proposta de "Pedidos para Comentários" (RFC - Request for Comments) seguir toda a via de trabalho de grupo e ser confirmada como "testada" como padrão IETF pelo IESG (Internet Engineering Steering Group), este último pertencente ao próprio IETF. Kolkman também adicionou que caso uma RFC não consiga seguir todo o fluxo de aprovação, ainda sim é uma coisa boa, já que diversos escritórios de patentes consideram essas submissões quando se olha para criações anteriores.

    Martin Stiemerling

    O atual Presidente regional do IETF, Martin Stiemerling, afirmou que os padrões abertos são uma forma de separação de poderes durante o desenvolvimento tecnológico. Entretanto, ele reconheceu que grandes empresas como o Google, Facebook e Apple enviam cada vez mais pessoas para os grupos de trabalho e podem acabar influenciando direções. Ele também notou que, ultimamente, o IESG como uma autoridade superior tem sua voz no processo de padronização. Stiemerling, um pesquisador sênior junto a NEC Laboratories Europe que é especializado em controle de tráfego, afirmou que um problema prático do qual o IETF está lidando no momento são os "usuários pesados" que são responsáveis por um grande segmento do tráfego na Internet. Com relação a esse problema, ele explica que o grupo de trabalho Conex (Congestion Exposure) está desenvolvendo ferramentas técnicas para aplicação de limites de carregamento de tráfego que irão "apertar os parafusos" após ser emitido um alerta para esses usuários.

    Jan Krancke

    No debate sobre a neutralidade na Internet que é desencadeado por tais técnicas, foi bem vindo por Jan Krancke, um especialista em regulamentação junto a Deutsche Telekom. Krancke afirmou que o tópico referente ao acesso aberto deveria ser visto como "ao longo da cadeia de valores" de todo o ecossistema da Internet. Ele também mencionou a fórmula "pague para usar" como uma forma de financiar o desenvolvimento em andamento de uma infraestrutura de rede de alta performance. Krancke também criticou a forma como os grandes players com seus votos subsidiários múltiplos tem decido o direcionamento dos padrões, e nos modelos de negócios, até mesmo nos comitês de padronização da Internet. Ele adiciona que os recursos são um fator decisivo devido a necessária presença física.

    Klaus Birkenbihl

    E por último, Klaus Birkenbihl do ISOC.DE admitiu que "as coisas não são ideais em termos de participação". Entretanto, a representatividade adicionada pelas companhias que querem ter voz no IETF precisam ter pelo menos o suporte de uma comunidade de desenvolvedores ou grupos de usuários, e que os obstáculos para exercer o poder são, portanto, maiores que os próprios órgãos de padronização tradicional. Em última análise, muitos dos padrões do IETF também estão em competição entre si, afirmou Birkenbihl.

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    Saiba Mais:

    - Heise Online: The IETF between open innovation and network load limiters (em Inglês)

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