• Ciber Espionagem Favorece Ataques Envolvendo Teles e Provedores de Conteúdo

    Enquanto a Câmara dos Deputados demonstrou uma certa dificuldade em se aprofundar na discussão sobre a espionagem cibernética desencadeada pelos Estados Unidos, as empresas que atuam na Web, relacionadas ao fornecimento de infraestrutura ou oferta de aplicativos, tiraram proveito desse cenário para realizar um ataque mútuo. Dessa forma, a quebra de privacidade das comunicações do povo brasileiro, assim como de cidadãos do mundo todo, funcionou apenas como uma desculpa, enquanto o Marco Civil da Internet foi o verdadeiro cenário de todo esse desentendimento, durante audiência pública realizada nesta terça-feira.


    Leis Brasileiras e Empresas de Capital Estrangeiro

    O que as operadoras buscaram foi evidenciar sua diferença como "nacionais" perante aos grandes provedores "estrangeiros" de conteúdo. De acordo com Eduardo Levy, diretor da Sinditelebrasil, bem diferente dos provedores internacionais de aplicação, as empresas de telecomunicações brasileiras estão sujeitas exclusivamente às leis do nosso país". De maneira aparente, isso não se tratou de uma afirmação com relação ao efetivo controle das empresas, levando em consideração que as telecomunicações brasileiras têm como acionistas, empresas de capital estrangeiro.


    Nessa situação, trata-se de uma referência indireta ao fato de o Google, por exemplo, dificultar a entrega de dados de clientes às autoridades brasileiras. Isoladamente, porém, as teles procuraram se diferenciar no campo em questão, que é a privacidade. Ainda de acordo com as considerações feitas por Levy, os grandes provedores de aplicação da Internet lêem o conteúdo existente nos seus servidores, e vendem essas informações ao mercado publicitário.


    Colaboração das Empresas com o Governo Americano

    Esse porém, é um cenário bastante complexo. O ataque faz sentido pois, como foi visto no escândalo das denúncias de espionagem, muitas empresas da Internet colaboraram com o governo americano e repassaram dados de seus clientes. Entretanto, Levy também afirmou que as teles no Brasil não mantêm parceria com órgãos estrangeiros para acesso a dados privados dos clientes. Na opinião dele, isso seria classificado como crime.

    Além do mais, é bastante perceptível que as operadoras de telecomunicações atuantes no Brasil tenham acordos, por exemplo, com a britânica Phorm. Embora tenha tido problemas para atuar na Europa, essa é uma empresa especializada no rastreamento dos usuários da Internet e na construção de perfis com base na navegação (lembrando que a Oi e a Telefônica mantem essa parceria com ela desde o ano de 2010).


    Uso da Mesma Rede com Objetivos Diferentes

    O presidente da Abranet, Eduardo Neger, destacou o que entende como outra diferença importante esses dois campos: enquanto provedores de conteúdo são de livre escolha dos usuários, o mesmo nem sempre é válido para os provedores de infraestrutura. Neger disse que diversos elementos utilizam a mesma rede, cada um com seu objetivo. Porém, na camada de aplicações, o usuário tem total liberdade de escolha; assim, há uma facilidade na migração de um serviço para outro. E quando é falado em serviço de telecomunicações, muitas vezes não existem muitas opções de infraestrutura.


    Saiba Mais:

    [1] Convergência Digital http://convergenciadigital.uol.com.b...4#.UhP9XpI73eJ

    Sobre o Autor: Camilla Lemke


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