• Verdades Desfavoráveis Sobre a Área de TI

    De acordo com uma abordagem feita por Roberto Carlos Mayer, diretor da MBI (www.mbi.com.br), vice-presidente de Relações Públicas da Assespro Nacional e presidente da ALETI (Federação das Entidades de TI da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha), a área de Tecnologia da Informação possui uma série de características peculiares, que o diferencia de todas as demais atividades econômicas exercidas. Adicionando este fato a sua relativa condição "jovial", não é de estranhar que a quantidade de informação disponível sobre o próprio setor, seja bastante limitada.


    Ausência de Informação, Formadores de Opinião e Questões de Geolocalização

    De maneira eventual, essa ausência de informação acaba sendo uma porta aberta para que supostos formadores de opinião, manifestem pontos de vista que não encontram respaldo no mundo real. Um exemplo disso, identificado por uma empresa associada da Assespro, é a afirmação que consta em uma entrevista concedida por um instituto global de pesquisas, sob a afirmação de que "empresas brasileiras não gostam de contratar fornecedores que não estejam localizados em sua área geográfica local". Essa é a maneira como os brasileiros fazem negócios, portanto, há a necessidade de haver presença não apenas no país, mas a nível regional. Se o fornecedor se posicionar em um raio de 500 km de São Paulo, então ele está ok.


    Esse tipo de empresa global de pesquisa, habitualmente, avalia o mercado consumidor de TI. Quando eles trabalham sobre o próprio Setor de TI, é porque algum de seus clientes (as grandes companhias globais do Setor de TI) busca qualificar ou ampliar suas redes de parceiros. Em situações iguais a essa, existe um perfil bem definido dos alvos, que certamente não são representativos da indústria local de TI de nenhum país.


    Grandes Metrópoles e Distâncias Percorridas

    Pode ser que seja esse o grande motivo pelo qual a afirmação acima citada faz uma oposição completa aos resultados do Censo do Setor de TI, que foi desenvolvido pela Assespro no ano de 2012, que revela uma abrangência geográfica muito maior na atuação das empresas. São Paulo e Rio de Janeiro, como maiores metrópoles do país, são as regiões que mais recebem filiais de empresas de outros Estados. Entretanto, as distâncias que estas empresas percorrem correspondem ao tamanho continental do país, chegando a milhares de quilômetros de distância em muitos casos. Para ter uma idéia, até empresas localizadas no Estado do Amazonas possuem clientes no Rio Grande do Sul.


    Fonte de Dados e Benchmarking

    Há ainda uma outra fonte de informação disponível, que surge a partir da análise das bases de dados oficiais. Por exemplo, a partir de dados de declarações de impostos e das declarações sobre empregados, é possível obter dados sobre faturamento e emprego no setor (trabalho esse que foi desenvolvido no Brasil, de forma pioneira, pelo projeto SIBSS, da Softex). Porém, estas informações não são suficientes para avaliar vários aspectos das empresas do Setor de TI, seja para formular um benchmarking de alavancagem para o desenvolvimento das empresas, ou até mesmo para avaliar a implementação de políticas públicas para a área em questão.

    Em face disso, a Assespro Nacional decidiu lançar, depois de quase dois anos de preparação, a primeira edição do Censo do Setor de TI no ano de 2012. Entretanto, através da participação da Assespro nas Federações Internacionais do Setor, constatamos que a mesma problemática existe em praticamente todos os países do mundo; e nem mesmo nos países desenvolvidos, existe informação em profundidade sobre o Setor de TI, muito menos comentários sólidos sobre uma possível harmonização de indicadores entre países.


    Expansão do Censo do Setor de TI 2013

    Assim, fazendo uma soma da experiência da Assespro no Brasil com outras experiências pioneiras que foram desenvolvidas em outros países, mas sempre a nível nacional, decidiu-se então ampliar o Censo do Setor de TI na sua edição 2013 para todos os países membros da ALETI. A partir daí, é esperado que haja uma expansão na iniciativa, estendendo-se a outras regiões do mundo inteiro nos próximos anos.

    O desafio de criar um levantamento simultâneo de dados envolvendo dezenove países, exigiu quase um ano de preparação. Com o patrocínio de empresas privadas (www.surveymonkey.com e www.mbi.com.br), finalmente os questionários estão disponíveis para a participação das empresas: o questionário em português (para Brasil e Portugal) pode ser encontrado em http://www.mbi.com.br/mbi/contatos/q...3-censo-aleti/ , enquanto a versão em espanhol está disponível em http://www.mbi.com.br/mbi/global/esp...3-censo-aleti/.


    Serviços Disponibilizados, Adoção de Tecnologias e Perfil dos Clientes

    O Censo do Setor de TI em sua edição do ano de 2013, abrange temas tão diversificados que englobam a distribuição geográfica da atuação das empresas, a oferta de produtos e serviços, as tecnologias adotadas, as características dos clientes (quanto ao porte, localização e atividade econômica), os recursos humanos das empresas, os modelos de negócios envolvidos, as atividades comerciais locais e internacionais, incluindo a exportação, a atenção dada a temas como qualidade e propriedade intelectual, o foco e/ou interesse em projetos de Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento, as fontes de capital financeiro utilizadas, entre vários outros de igual relevância.


    Alianças Comerciais e Cooperação Internacional

    Além de gerar informação sobre o Setor de TI, as informações foram estruturadas de forma que possibilitem o desenvolvimento de alianças comerciais, e a estruturação de uma política de desenvolvimento de projetos de P&D em cooperação internacional, que foi outra ação pioneira idealizada pela Assespro no ano de 2011, apresentada inclusive no Parlamento Europeu.

    Além do que já foi mencionado, o questionário foi elaborado tomando-se o cuidado de permitir desenvolver análises cruzadas entre os temas cobertos, além de análises comparativas entre região e/ou país. Ainda nesta edição de 2013, as empresas recebem um forte incetivo a autorizar o uso das informações sobre a sua oferta de produtos e serviços e sobre os mercados onde atuam, para a geração de oportunidades de negócios (que devem ser implementadas por meio de um catálogo baseado nessas informações).


    Importância Sobre a Participação das Empresas

    Levando em conta todas estas razões, a ampla participação das empresas do Setor de Tecnologia da Informação, filiadas ou não às Associações representativas do Setor, é de extrema importância. Portanto, para aqueles que trabalham no Setor, é interessante fazer com que sua empresa participe e incentive outras empresas a participar. Para quem trabalha em uma empresa que consome produtos e serviços de TI, pode e deve incentivar seus fornecedores a participar.


    Saiba Mais:

    [1] Information Week http://informationweek.itweb.com.br/...o-setor-de-ti/

    Sobre o Autor: Camilla Lemke


    Comentários 1 Comentário
    1. Avatar de franciscofabion
      franciscofabion -
      Interessante a iniciativa, vejo que hoje se fala muito do setor de Ti englobando as empresas que trabalham efetivamente na área de Ti, não levando em conta empresas de outros ramos, que possuem um departamento de Ti, e se beneficiam de tecnologia e precisam ter avanços nessa área.
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