+ Responder ao Tópico



  1. Sempre digo que existem três cursos. O primeiro é no domínio do tempo, o segundo no domínio da freqüência e o terceiro é a soma do primeiro com o segundo.
    http://img14.imageshack.us/img14/9059/pesao1.jpg
    O terceiro curso só é dado para alunos bem treinados nos dois primeiros. Geralmente são empresas que me contratam para dar este curso para os seus funcionários, pois uma dessas empresas em Minas Gerais convidou-me para ministrar o terceiro curso para vinte colegas. Lá fui eu. Costumo chegar um pouco antes do horário, esquentar a água e preparar o meu chimarrão.
    Estava eu entretido em colocar a erva na cuia, quando ouvi alguém falando atrás de mim.
    - Não da bola para o Pesão. Era um dos organizadores que eu não vira chegar. Alarguei o sorriso e perguntei: Pesão é um estereótipo, um adjetivo ou um substantivo?
    Meu interlocutor trabalhava naquela empresa mineradora e era formado em geologia. Perguntei a ele se iria participar do curso, respondeu-me que sim que tinha muito interesse em algumas respostas as quais eu daria, mas que estava ali também, porque tinha muito gosto nos assuntos que falem sobre Antenas. Conversamos durante uma hora e fiquei sabendo que aquela empresa tinha mais de cem anos de existência, sendo de propriedade de uma família natural da região, Entretanto o que me provocou maior curiosidade foi a explicação, que o geólogo me deu, sobre o Pesão.
    “É filho do dono da empresa”, disse ele mas é uma pessoa diferente, foi criado no sertão onde a família possui uma grande extensão de terras, dizem que até os vinte anos era uma pessoa anormal, um altista eu acho, andava só com os jecas da região e copiou muita coisa deles. Um dia, ninguém sabe por que, ele levantou a cabeça e disse assim

    : Não quero mais ouvir. Todos perguntaram para ele o que quis dizer com aquela frase, mas ele nunca respondeu. Desse dia em diante começou a se interessar por tudo: Pelas terras da família. Pelos rios onde se garimpavam as gemas , pelas ferramentas e maquinas usada para a extraí-las, cuja empresa processa, e que são a ametista, o topázio e a turmalina. Mas aquilo que mais o atraia era a boca das minas. Tinha dias que ele ficava horas olhando sem dizer nada, parecia estar ouvindo alguma coisa, porque muitas vezes fazia sinal de afirmação ou de negação com a cabeça,
    -Mas porque Pesão!?
    -Bom isso foi coisa da gente lá de fora, quando ele chegar aqui, da uma olhada para os pés dele. Uns dizem que foi porque se criou descalço, outros dizem que é uma anomalia, os mais antigos dizem que o avô era assim também. Não sei, mas uma coisa é certa, o Pesão é alguém diferente, e não só nos pés.
    Minha curiosidade estava aguçada, eu ia continuar a conversa, mas a sala começou a encher e eu tive que dar atenção para a turma de alunos que chegava. Um por um iam alegremente me cumprimentando e sentando-se nos lugares destinados. Cumprimentei a todos e quando ia iniciar o curso o Pesão entrou.
    http://img196.imageshack.us/img196/4250/pesao2.jpg

    e seus cabelos eram negros e crespos. Entrou olhando para baixo com a coluna encurvada para frente com passos largos e lentos. Usava um casaco apertado e sua calça era um pouco curta. Contornou todas as cadeiras da sala e sentou-se na primeira fila. Quando olhei para os seus pés compreendi. Ele usava umas botinas sem cadarço, que devia ser de fabricação especial. Seus pés eram enormes, não só no tamanho, mas na largura também, pareciam ter mais que cinco dedos dentro da bota de tão larga que era o bico. Notei também que ele tinha a aprovação de todos, a sua presença parecia criar um ambiente muito afável. Comecei a aula.Não tive nenhuma dúvida sobre quem era aquele retardatário. Não era alto, era magro
    Como todos ali tinham intimidades com a matemática, foi fácil desenvolver as equações de Maxwel e discutir a forma da onda dentro do cabo coaxial. O curso ia bem e eu estava empolgado, no mundo das idéias, quando fiz a seguinte afirmação, (Por pouco que Maxwel não prova que matéria não existe, que tudo são ondas). Neste momento o Pesão levantou o braço e disse: é porque ele não nasceu em Barbacena.
    O aparte impunha uma resposta minha, todos ficaram me olhando e quietos, se eu não questionasse estaria ignorando aquela pessoa tão singular e desapontando o grupo. Delicadamente perguntei.
    ...

  2. ...
    -Porque tu dizes isso?
    -Porque eu posso ouvir. Aprendi lá no interior de Barbacena com os outros caboclos a ouvir as pedras nas minas, e a inchada quando bate no chão.
    -E o que eles dizem? Fiz esta pergunta com medo que ele interpretasse como um deboche. O Pesão, sem se incomodar respondeu.
    -Não sei dizer não senhor, às vezes parece um apito longo como se fosse o grito da siriema. Mas me parece que as pedras gostam de dar lugar para a semeadura quando se capina com a enxada, quando eu faço isso estou ouvindo as ondas que o Sr. fala?
    Todos continuavam quietos, nenhum comentário, todos me olhavam. O Pesão continuou. O Sr. Podia explicar melhor o que o Sr. quis dizer quando falou que tudo é ondas? Ninguém acredita, mas eu posso ouvir as pedras, vim aqui hoje porque me disseram que o Sr. ia dar aulas de ondas. O Sr. também ouve as pedras?
    -Não! Não as ouço. Nunca me ocorreu que uma pedra pudesse irradiar a sua natureza ondular. Muito menos que esta onda pudesse ser captada por um cérebro humano. Falei assim com voz arrastada e dentro de um profundo silencio criado por todos os presentes. O Pezão e todos ali continuavam me olhando como que pedindo uma explicação. Comecei devagar. Sabe-se que as ondas se propagam no espaço sofrendo dificuldades nessa propagação. Chamamos essa dificuldade de atenuação do espaço livre. Percebemos também que quanto maior a freqüência, mais difícil é para a onda se propagar. Isso nos leva a crer que existem freqüências tão altas que quase não se propagam, ou mesmo que não se propagam no espaço livre. Assim, mesmo que as pedras sejam ondas de freqüência muito elevadas, elas não conseguiriam vencer a atenuação do espaço livre. Não se propagariam.
    Eu não queria responder, queria perguntar, queria fazer um grande interrogatório para o Pesão, mas percebi que o momento esperado por todos aqueles que ali estavam, era este. Foi quando o geólogo se dirigindo a mim perguntou: mas se o Pesão modifica o espaço entre ele e a pedra?
    -Bem para isso acontecer, seria necessário estar sobre influência de velocidades muito altas, ou sobre a ação de uma gravidade gigante. Ou então.... Parei de falar, coloquei a mão na testa. Nenhum som pairava no ar. Todos esperavam por alguma contribuição minha. Mas foi o geólogo quem concluiu em voz alta os meus pensamentos.
    -O Pesão simplesmente faz isso.
    Neste momento o grupo que não era tão grande se levantou das cadeiras e vieram para perto de mim. Só o Pesão ficou sentado, como vocês sabem que isso é verdade? Perguntei.
    Porque ele aponta para o lugar exato onde esta uma pedra por mais escondida que esteja. Já fizemos inúmeras experiências e ele nunca erra. Pegamos um saco pequeno de turmalina, de topázio ou de ametista e enterramos num morro ou numa mata, por mais bem escondido que esteja, o Pesão vai até o saco como se este estivesse sinalizando a sua presença. O Pesão nunca erra nem demora para encontrar.
    As histórias sobre o Pesão rolaram uma após a outra. O curso de antena tinha se transformado num curso do Pesão. Perguntei:
    -Vocês nunca pensaram em encaminhar o Pesão para uma universidade para uma pesquisa? Quem sabe que descobertas poderiam ser feitas.
    -A família não permite. O Pesão é um tesouro de afeto para eles. Nem pensar, ou melhor, só em pensar nesta hipótese pode-se perder o emprego aqui.
    -Tive uma idéia. Peguei a cuia e lentamente enchi com a água que borbulhava na térmica menos que, as ideias em minha cabeça. Os olhares se arregalaram. O meu gerador de freqüência e o analisador de espectro tem saída, que vai até freqüências muito altas. Vamos ver se o Pesão ouve alguma destas freqüências. Se ouvir, vamos ver a forma de onda.
    Todo mundo aprovou, sentamos o Pesão numa cadeira ao lado dos equipamentos e envolvemos a cabeça dele com uma espira de fio. Lentamente comecei a varrer as freqüências altas, mudulei de diversas maneiras um tom nestas freqüências e variei a amplitude e a polarização. Todos em silencio olhavam para o Pesão que calmamente tirou um canivete do bolso e começou a picar um fumo na palma da mão.
    De repente, o Pesão levantou a mão e disse.
    -Esta eu nunca ouvi.
    Dei um pulo, tirei o cabo do gerador de freqüência que alimentava a espira em volta da cabeça do Pesão e coloquei no analisador de espectro, para ver que forma de onda era aquela que havia sido recebida pelo Pesão . Sabem o que apareceu? Apareceu uma onda que tinha uma banda com um ganho maior na freqüência inferior e na freqüência superior. O Pesão levantou da cadeira, olhou para mim, deu uma piscadela de olho e saiu lentamente da sala. Seus passos eram largos, os pezões virados para dentro e as costas curvadas para frente. Nunca mais vi o Pesão.
    http://img268.imageshack.us/img268/3346/pesao3.jpg


    PS
    Bem, vocês podem não querer acreditar, mas um anteneiro é um homem muito poderoso, pode até fazer a recepção emitida pelas pedras. Melhor ainda, de um bom anteneiro nem as pedras escapam.

    Dia 24 de Junho estarei fazendo um curso de antenas aqui no meu laboratório. Cuidado, se tens algum segredo muito grave não venha eu posso decifrá-lo. Porem se você quiser ser um anteneiro, aqui é o lugar de aprender. Estou esperando vocês no alto da escada com os cabos de teste na mão.



  3. OLA RAPAZIADA.
    Quarta feira dia 24 de Junho estaremos juntos no laboratorio da GEENGE realizando o curso de antenas. Espero voces.
    Um abraço
    http://img269.imageshack.us/img269/756/repetidora.jpg

  4. Rapaz, ontem houve outro curso de antenas aqui na Geenge. Gosto de ver a sala cheia, sempre me diverte os olhares, onde a curiosidade está instalada. Este sentimento, a curiosidade, é o traço mais importante que define o anteneiro. Certa vez vi uma obra do genial pintor espanhol Pablo Picasso, que se chamava “O Touro” que era composta de três telas. A primeira tela o touro estava vigoroso numa arena espumando suor e sangue, mortalmente ferido pelo toureiro, mas ainda corcoveava enfurecido, levantando poeira do chão. Esta tela valia um milhão de dólares. No segundo quadro, ele estava parcialmente descarnado aparecendo a carne exposta, noutros lugares apareciam ossos brancos e o coração inteiro e batendo. Esta tela valia dois milhões de dólares. Incrível era a terceira tela, valia três milhões de dólares, nela havia os mínimos traços necessários para se reconhecer um touro, se fosse tirado uma só pincelada não daria para dizer que era um touro, uma pincelada a mais e deixaria de ser um touro. Coisa de gênio.
    Na primeira tela Picasso pintara a morte, na segunda tela pintara o sobrenatural e na terceira tela pintara o curioso. Somos assim razão, imaginação e curiosidade, com nada a mais e nada a menos. Picasso deve ter sido um anteneiro para poder captar o essencial para os olhos de um observador curioso.
    Todos que estiveram presentes, ontem, usaram a razão com muito talento, traziam as emoções para imaginarem os fenômenos físicos que apresentei e a curiosidade de todos entrou junto com cada um grande e agitada mas saiu pequena e calma.
    Sábado estarei no Rio de Janeiro repetindo este curso, se quiserem me encontrar, procurem o velho mais bonito que estiver de bermuda chapéu de palha e tomando água de coco com canudinho. Daí poderemos juntos dar uma olhada no LENÇOL DIGITAL, ou vocês acham que nas areias de Copacabana alem do mar maravilhoso tem alguma coisa melhor para olhar?



  5. Pois o último curso foi no Rio de Janeiro.
    Durante todo o sábado navegamos nas asas da imaginação digital. Agradeço aqui aqueles que tiveram paciência comigo e acreditaram na possibilidade de eu ascender às lamparinas em suas cabeças, e olha que não estou na novela.
    Como eu sempre digo aos provedores de internet o conhecimento mais importante quando instalam antenas é saberem cortar fio e apertar parafusos. Pensam que isso é fácil? É não! Vocês precisam vir no curso para aprenderem a fazer isso direito.
    Os que já fizeram o curso viram que durante o período da manhã o curso é como desbravar mata virgem, cansativo, lento e de progresso áspero. Mas, à tarde tudo muda, aquilo que era duvidoso, se transforma em certeiro, o conhecimento que faltava complementa e assim todos se une no amém da verdade soberana.
    Durante o curso os ouvintes aprendem a usar as ferramentas que edificam um anteneiro e que passam a ser para eles um patrimônio cultural. O final é sempre camarada e as críticas que me fazem são sempre construtivas.
    No final da tarde quando o curso acabou, estiquei os braços para endireitar a coluna e fui para a boa cama do hotel, no outro dia eu iria conhecer o Museu Nacional, em Petrópolis. Duas coisas lá me deixaram boquiaberto, uma foi a rica coroa do imperador, outra foi os Dom Pedros. Estes cariocas não eram moles, a biografia deles encanta, não eram homens de deixar nada mal apertado. Não vou dar aula de história para vocês, se cada maometano deve um dia ir a Meca, penso que cada brasileiro deve um dia ir ao Museu Nacional, embora, haja um provérbio aqui no sul que diz que comer um churrasco e não se lambuzar de farinha é como ir ao Rio e não ver o Cristo. Subi o morro...
    Depois de me deliciar com as curvas sensuais da cidade lambida pelo mar, coloquei-me de costas e comecei a olhar o cristo de pedra. A sua imponência deslumbra. No grande terraço aberto, gente de todas as nacionalidades se extasia entre os encantos da paisagem e o magnetismo da estátua.
    Soube, então que a estrada de acesso até o alto fora desbravada por Dom Pedro I, o imperador abrira o caminho de facão na mão. Que feito?! E Dom Pedro II dá a permissão para a construção da estrada de ferro do Corcovado. Os Imperadores foram os instaladores da maior LAN brasileira. Por quê? Vou explicar.
    Jesus por certo foi o maior anteneiro de todos, Jesus conseguiu acoplar os homens. Bem lá em cima do corcovado pode-se perceber a magia, ele é o grande AP, todos os que estavam ali no terraço, estavam interligados através da estátua, de alguma forma mágica formávamos uma LAN humana que se derramava morro abaixo por todo o estado do Rio. Ninguém ficava com mais ou com menos importância perante o gigante.
    Precipitado seria dizer que o protocolo que faz a estátua agir como se nos capilarizase em torno dela, fosse a fé, acho a fé um valor pequeno que reduz todos nós. Porém, para a estátua estavam todos apontados e todos sabiam o porquê. Alguma coisa nos deixa em harmonia espiritual quando estamos lá, formamos um grande lençol que não é digital.
    Comecei a pensar!!! Se um POP tem muitos usuários, onde se mexe para criar um lençol digital? Ora, no usuário. Sendo assim, ali em cima do Corcovado não era a rocha em forma de Cristo que nos unificava, era a nossa compreensão de que somos iguais, que estamos interligados por poderes maiores, assim como numa LAN de internet. Mas se isso acontecia ali, deve ter acontecido também na sala durante o curso. Ou seja, todos que participam do curso sentem a necessidade da LAN digital independentes de mim, sabem por quê? Porque, assim como os Pedros, somos todos anteneiros. Cristo é o AP, nós somos os clientes. Desci o Corcovado me sentindo poderoso.

    Obs.:
    Sábado, 4 de julho, o curso será em Foz de Iguaçu. Quem quiser entrar em sintonia entre em contato com a GEENGE.
    Não sou a estátua e vocês fazem parte da LAN humana que será capilarizada no curso em Foz.
    Um abraço.
    Gilvan






Tópicos Similares

  1. Cópia física de HD em larga escala
    Por laralc no fórum Sistemas Operacionais
    Respostas: 2
    Último Post: 08-05-2006, 14:32
  2. Link dedicado para pessoa FISICA!?!
    Por daniel_tux no fórum Redes
    Respostas: 10
    Último Post: 29-11-2005, 21:11
  3. logica x fisica
    Por alesandro no fórum Sistemas Operacionais
    Respostas: 11
    Último Post: 24-02-2005, 14:03
  4. Tela Azul com estações Windows ME
    Por no fórum Servidores de Rede
    Respostas: 5
    Último Post: 27-08-2003, 11:23
  5. Memoria Fisica..
    Por no fórum Servidores de Rede
    Respostas: 13
    Último Post: 11-02-2003, 22:26

Visite: BR-Linux ·  VivaOLinux ·  Dicas-L