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  1. Nossa conduta mais espontânea é a imitação. Nada nos dá mais prazer do que resolver um problema imitando a solução de outros, a antropologia deve responder o porquê, mas existem as exceções e estas pessoas que se diferem do coletivo são perturbadoras. Vou contar para vocês um caso que me aconteceu numa cavalgada.
    Saímos todos de manhã antes do sol, a lua abdicando do seu posto, permitia que entre os horizontes reinasse a aurora, rumamos os sete cavaleiros para o oeste, íamos nos embrenhar nos pampas verdes do Rio Grande, eram aqueles momentos mágicos, que duram poucos minutos que me fazia pensar que a vida, assim como a aurora, é só um instante que deve ser bem aproveitado. Enchi os pulmões com o ar frio do vento minuano, acariciei o pescoço musculoso do crioulo que eu montava e com um leve toque da espora avancei num trote até alcançar o grupo dos outros cavaleiros que em silencio furava o espaço cinza escuro da aurora.
    -Tens muita sorte por ser um anteneiro, tu nunca precisou jogar a última carta na vida dos outros. Quem me dizia isso era o Belmar, um companheiro de cavalgada que assim como os outros daquele grupo era um cardiologista cirurgião. Aliás, para que bem o diga, o único no grupo que não era cardiologista era eu que do coração a única coisa que sei é que cada pessoa tem só um. Pedi para o Belmar me explicar melhor a frase que ele havia falado.
    O Belmar cruzou as rédeas do animal para o outro lado, fez um movimento de alongamento da coluna e continuou em silêncio. A minha pergunta tinha se irradiado por todo do grupo e a cumplicidade coletiva domava o silêncio. Com muita calma vencemos a primeira coxilha de uma cavalgada que durariam três dias, só então o Belmar falou.
    -Eu estava na mesa de cirurgia com o peito de um guri aberto, o coração batia fraco e eu tinha poucos minutos para fazer alguma coisa. Mas esta coisa que precisava ser feita, eu só havia ouvido falar a respeito, nunca me preparara com os procedimentos. Não tinha saída, o menino ia morrer. Daí eu fiz, não sei por que, não tinha planejado aquilo, peguei o bisturi e tirei fora uma fatia do coração do menino, Costurei tudo de novo e fechei o pequeno peito. Não deixei ninguém me auxiliar, até a limpeza final eu procedi. Isso aconteceu ontem, não tenho a menor idéia de qual vai ser o resultado, não depende mais de mim. Tirando um pedaço do coração ele haveria de bombear melhor.
    -Mas isso foi muito bonito, tu salvaste uma vida.
    -É isso eu sei, mas não foi da forma correta, eu agi só por instinto e isso é antiético.
    Aquele grupo estava acostumado com a fronteira entre a vida e a morte, era comum pacientes morrerem e a morte de cada um, mesmo quando inevitável, produzia neles uma grande tristeza. Aquelas cavalgadas eram um portal que os levava para outro universo, para bem longe do stress de suas rotinas de trabalho. Assim como um rio tem suas águas sempre em movimento, os colegas do Belmar deixaram o assunto rolar em silencio.
    Foi a minha vez de não dizer nada, de ficar cabisbaixo. Eu não estava triste nem desapontado, o conflito que eu travava era conceitual. O Belmar era um excelente médico, era um professor catedrático a mais de trinta anos na universidade e a sua cadeira era cardiologia. Como pode ele naquele momento ter feito alguma coisa que não era condizente com todas as regras do seu conhecimento acadêmico? O que teria guiado a mão do Belmar?
    Cavalgamos até o meio dia e apeamos perto de uma sanga ladeadas de eucaliptos e maricás onde um grupo de apoio nos esperava para o almoço. Um carreteiro de charque especial com um bom vinho colonial nos obrigou a correr para\ as redes montadas na sombra meiga do arvoredo. O bulir das águas correndo pelas pedras foi o passaporte para o sono profundo. Acordei-me ainda antes que os outros companheiros, mas fiquei deitado aproveitando o sabor daquela tarde, nisso ouvi dois peões que conversavam.
    -A patroa está muito animada com as novelas, se esquece até da bóia, não perde capítulo.
    -Mas vivente, como foi que tu fez a antena? Conta de novo.
    - Bem o seu Bonifácio da venda me deu a antena dele que a ventania tinha derrubado tava toda dobrada e estragada, mas a ponta tava boa, o fio e a caixinha que fica dentro de casa eram novos, eu só tive que fazer um fundão atrás da casa e cravar o varal nos beiços dele.

    Continua...

  2. Continuação...

    Quando ouvi essa prosa, pulei da rede e cheguei perto dos peões que imediatamente se prontificaram dizendo
    -As suas ordens doutor. O senhor sesteou bem?
    -Bem obrigado, estava ouvindo vocês conversarem e fiquei curioso com o assunto. Vocês poderiam me explicar o que é um fundão?
    -É um buraco em cima do barranco. Disse o peão que se chamava Fivela.
    -Porque em cima do barrando?
    -Porque senão ele enche de água da chuva. Tem que ter uma mangueira no fundo para a água correr para baixo.
    -Gostaria de ver isso.
    -Bom, na boca da noite vamos acampar na fazenda do coronel Bento, fica a meia légua de lá, se o senhor quiser ver e não tiver muito cansado, podemos esticar o trote até o meu rancho, os criolos agüentam.
    Chegamos à fazenda junto com o ocaso do sol, mas eu não me continha, olhei para o Fivela que sem apear do cavalo me disse.
    -Pois então vamos?
    Chegando lá eu fiquei apalermado. O peão havia cavado um buraco de uns quatro metros de diâmetro com quase um metro na parte mais funda. Mas o mais incrível era que a forma do buraco era parabólico, um alimentador de antena off-set estava acimentado no pé da parábola e a parábola estava corretamente apontada para o satélite. O fundo do buraco fora todo acimentado e pintado com uma tinta metálica. Lá dentro de casa passava o Jornal Nacional na TV.
    -Mas como tu fez para acertar o satélite e para que a antena ficasse apontada? Como tu ajustaste a elevação e o azimute?
    -Sei não doutor, nem me pergunte isso, eu tinha visto este trovejão funcionando uma vez, achei que tinha que ser assim e fiz.
    Na saída abracei o Fivela me despedindo dele e vi seu olhar incompreensível quando o chamei de colega, depois montei no cavalo crioulo e rumei a passito para a fazenda do coronel Bento.

    À noite me engolira inteiro, o cavalo que conhecia o caminho de casa, seguia sem ajuda pelas curvas da trilha. No céu um manto de estrelas enfeitava o berço da minha raça com rara beleza. Eu não via nada, meu cérebro estava enfeitiçado pela magia que me cercara entre a aurora e o crepúsculo.
    Quando a trilha se aproximou da fazenda, enxerguei meus companheiros em volta de um fogo de chão onde duas paletas inteiras de costelas assavam lentamente em espetos cravados na beira da brasa. Freei o animal e fique olhando de longe, meu amigo Belmar era o mais hilário, ria e falava alto contagiando a todos com o seu jeito bonachão. Pensei com os meus botões, ali está um autentico peão do coração. Ele também quando acha que tem que ser assim, ele faz. O Belmar e o peão anteneiro sabiam imitar o certo da natureza.
    Soltei o cavalo e me dirigi para os festeiros. O Belmar com os braços erguidos gritou:
    -Por onde andas chiru?
    -Fui ver a operação de um doutor, devia ter te levado junto, só um peão como tu saberias apreciar o coração do problema e “afivelar a melhor carta jogada”. O Belmar caminhou em silencio com o ar desconsertado ao meu lado e quando nos unimos ao grupo ele falou para os outros.
    -Já andei por caminhos de noite que muitos temeriam andar de dia, mas este meu amigo anteneiro sempre encontra um atalho.
    A lua cheia novamente reinou pela madrugada iluminando inúmeros caminhos nos pampas que ficaram negros. Os sete cavaleiros se abasteciam de vida para noutro dia enfrentarem a morte em olhares sem luz de pacientes terminais com corações batendo fraco que segurando suas mãos tentariam se agarrar a vida numa súplica invisível, mas tão real quanto o fundão do Fivela.

    Gilvan

    DIA 02/10 DE OUTUBRO APRENDA A CONSTRUIR UM LENÇOL DIGITAL NO CURSO DE ANTENAS DA GEENGE. ESPERO VOCES.



  3. UM RIO QUE DESDEMBOCA NA AREIA

    Vejo colegas de lista com perguntas sobre enlaces entre duas antenas que me assombram. Perguntas cuja resposta ocuparia todas as páginas de um livro muito espesso. Depois vêm as respostas, são simples e curtas, mas revestidas de muito boas intençõs. Por exemplo:
    UMA PERGUNTA:
    Preciso fazer um enlace de 25Km, em 5,8GHz. Que equipamento vocês me recomendam?
    RESPOSTA:
    Use duas antenas de 30dBi de ganho e dois rádios da mikrotik com cartões de 100mW.
    OUTRA PERGUNTA
    Alguém já utilizou a antena modelo xxx do fabricante yyy ?
    RESPOSTA:
    Eu já usei e recomendo é muito boa.
    COMENTÁRIOS
    Que absurdas as perguntas e as respostas. Querem ver uma similaridade?
    UMA PERGUNTA:
    Preciso fazer uma transfusão de sangue. Que tipo de sangue vocês me recomendam?
    RESPOSTA:
    Use sangue de jovem que é mais sadio.
    OUTRA PERGUNTA
    Preciso me casar, que mulher vocês me recomendam?
    RESPOSTA
    Eu já casei, aconselho uma mulher inteligente, rica e bonita.
    COMENTÁRIOS:
    Que desastre.
    RESENHA:
    O que fazer então? A minha resposta é: Nas associações. Aqui vai a minha sugestão:

    1) As associações deveriam manter cursos de formação para os associados.
    2) As associações, deveriam ter um selo de qualidade de equipamento homologado por ela.
    3) As associações deveriam criar um padrão de qualidade para um provedor de internet para que os associados atingissem essas metas.
    4) As associações deveriam ter engajamento em partidos políticos.
    5) As associações deveriam discutir com a Anatel a homologação. Ex. Os dados que hoje são fornecidos numa antena homologada não são insuficientes para fazer um projeto de rádio enlace.
    6) As associações deveriam discutir a responsabilidade de algumas autuações fiscais. Ex. A responsabilidade de um edifício não cair é do engenheiro. Muitas responsabilidades que hoje são atribuídas ao empresário dono do provedor, deveriam ser do responsável técnico.

    Esta não é a minha praia, mas de tanto ver nudismo, não resisti a dar um passeio na areia. A vitrine é o lugar onde todos gostam de posar.

  4. ALGUNS NÃO ENTENDERAM BEM

    Todo remédio pode ser um veneno e todo veneno pó ser um remédio. A condição de ser remédio ou veneno é a posologia. Os antigos egípcios misturavam o veneno de certas cobras peçonhentas com mel de abelhas que se alimentavam de certas árvores na composição de seus remédios. Infelizmente perdemos o nome das cobras e das árvores. Numa instalação de antena é a mesma coisa, só que ainda não perdemos a cultura, ela é apenas um pouco difícil de ser digerida.
    TEOREMA
    Num acoplamento a máxima transferência de energia ocorre quando as impedâncias são iguais.
    QUESTÃO ABERTA
    Se toda a energia do rádio está sendo transferida do rádio para a antena ou da antena para o rádio necessitaria neste acoplamento um stub?
    RESPOSTA
    Não e Sim
    NÃO
    Não necessitaria de um stub se o objetivo fosse obter o sinal mais forte possível e a instalação fosse num lugar sem outros sinais concorrentes.
    SIM
    Necessitaríamos do stub se fosse necessário diminuir o sinal que chega ao rádio. Podemos diminuir a potencia do rádio, mas e quando precisamos diminuir mais que o programa do rádio permite?
    SIM
    O stub pode ser usado como um curto circuito numa outra freqüência. Se no caso de um acoplamento perfeito houvesse um sinal concorrente? O stub seria indispensável naquele acoplamento.
    SIM
    Com qualquer antena barata.
    LENÇOL DIGITAL
    O stub é uma das doze ferramentas indispensáveis para a construção de um Lençol Digital.
    3.000AC
    Antigamente já se sabia que a qualidade é tão importante quanto a quantidade
    EUFEMISMO
    Existem verdades que se esquecem d









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