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  1. Citação Postado originalmente por jpjust Ver Post
    Vou dar minha pitada agora nessa discussão do lençol eletromagnético:

    Então vamos, preciso deixar todos os meus rádios na mesma faixa de sinal, certo? Por exemplo, todos entre -65 e -68 dBm. Quando vi isso pela primeira vez, achei interessante, mas logo pensei: "Como será que a Oi, Claro, TIM e outras operadoras de celular fazem isso?". Afinal, também é RF digital, correto?

    Se eu atender meu celular no meio da rua, a ligação estará boa. Quando eu entro no prédio onde fica o escritório da RG3, a ligação continua boa. Será que ao ficar entre quatro paredes o sinal caiu apenas 3 dBm? Se eu entrar no carro, que é meio que uma "gaiola" por causa da carroceria (o que provavelmente deve derrubar mais o sinal), o celular também funciona! E se eu sair dirigindo esse carro, me distanciando da torre, continuo ouvindo bem a pessoa do outro lado. Chega até o ponto de o celular trocar de torre (roaming) e eu nem percebo isso!

    Vamos supor que Gilvan dê sua aula pros engenheiros da Claro (operadora que eu uso). Eles vão me sugerir usar um "interferômetro" no meu celular pra eu ficar rodando um parafuso toda vez que atender o telefone em um ambiente diferente? Acho que não.

    Mesmo que quisessem, o pessoal das companhias de celular não poderiam controlar a potência de sinal que cada celular recebe ou transmite pra suas bases. Impossível! E aí, continuam acreditando em lençol digital?

    Vou fazer agora uma pergunta que também fiz ao Sr. Gilvan, mas ele não me respondeu. Ele exemplificou o lençol digital uma vez com uma historinha onde um técnico de TV atenuou a recepção de alguns aparelhos de TV em um prédio, pra que o sinal da antena do edifício chegasse com a mesma potência em todos os aparelhos. Somente assim, todos puderam ter um sinal bom. As TVs nesse caso são somente receptores. Aí perguntei o seguinte: "Então, suponha que eu esteja escutando uma rádio FM no meu radinho de pilha, a apenas uns 1000 m da emissora. Se alguém ligar seu radinho de pilha a uns 10 Km de distância da emissora, obviamente com o sinal bem diferente do que estou recebendo, isso poderia prejudicar minha recepção e fazer meu radinho de pilha chiar?"

    Quer dizer então, que as emissoras AM e FM também precisam fazer um lençol digital e se preocupar com o ganho de todas as antenas de todos os radinhos de pilha da cidade? Como isso seria possível?

    Pronto, plantei a semente da dúvida. Mas quero também plantar a semente do esclarecimento.

    Obviamente devemos nos preocupar com as questões de RF dos nossos sistemas de rádio. Porém, preocupem-se também com isso: 802.11a/b/g não foram feitos pra ambientes externos, foram feitos pra ambientes internos. O que nós fazemos (inclusive eu) é forçar rádios indoor pra trabalhar em outdoor (mesmo usando NanoStations ou outros rádios com design outdoor, eles usam protocolos indoor). CSMA/CA não foi feito pra disputar o meio com tantos outros rádios. Pra esses ambientes, existem outros protocolos ou técnicas como polling (usado pelo Nstreme da MikroTik e Terabeam) e TDMA (agora nos AirMax da Ubiquiti, celulares GSM e se não me engano nas Canopy da Motorola).

    Se preocupem também com RTS/CTS, CTS-to-self, bandas de upload dos clientes, isolamento entre eles, ocupação do canal, etc.
    Caramba, esta ilustração fêz tremer as bases. Muito esclarecedora. E faz realmente pensarmos mais a fundo.

    Mas Jpjust, dá pra aprofundar mais esta diferença de desempenho com tdma? Os Ubiquiti já estão batendo na nossa porta com esta tecnologia. O desempenho é tão grande assim?

    Quanto a RTS/CTS eu tenho me preocupado e é uma das coisas que tem me ajudado. Não deixo nenhum ap cliente sem fazer esta configuração. Se evita muito choque de pacotes.

    O polling eu não sei bem como é, mas o firmware da Oswave tem este recurso para os Nano.

  2. João,

    Novamente, muito bom seu post. Parabéns. Eu já havia pensado nisso sobre as operadoras de Celular. Os usuários andando por ae nas ruas com atenuadores e perguntando aos outros "Ei, amigo, qual é o seu sinal, preciso me ajustar com o seu sinal para que a gente forme um lençol digital". Francamente, essa foi a maior piada que eu já ouvi sobre RF nos últimos tempos.

    Muito boas suas colocações sobre o 802.11. Acho que esse tópico, juntamente com o seu a respeito de STUBs esclarece bastante coisa em relação a "mitos" que não podem se propagar pelo Forum, por que ele serve de base para consulta técnica a muita gente que vive disso.

    Saudações

    Citação Postado originalmente por jpjust Ver Post
    Vou dar minha pitada agora nessa discussão do lençol eletromagnético:

    Então vamos, preciso deixar todos os meus rádios na mesma faixa de sinal, certo? Por exemplo, todos entre -65 e -68 dBm. Quando vi isso pela primeira vez, achei interessante, mas logo pensei: "Como será que a Oi, Claro, TIM e outras operadoras de celular fazem isso?". Afinal, também é RF digital, correto?

    Se eu atender meu celular no meio da rua, a ligação estará boa. Quando eu entro no prédio onde fica o escritório da RG3, a ligação continua boa. Será que ao ficar entre quatro paredes o sinal caiu apenas 3 dBm? Se eu entrar no carro, que é meio que uma "gaiola" por causa da carroceria (o que provavelmente deve derrubar mais o sinal), o celular também funciona! E se eu sair dirigindo esse carro, me distanciando da torre, continuo ouvindo bem a pessoa do outro lado. Chega até o ponto de o celular trocar de torre (roaming) e eu nem percebo isso!

    Vamos supor que Gilvan dê sua aula pros engenheiros da Claro (operadora que eu uso). Eles vão me sugerir usar um "interferômetro" no meu celular pra eu ficar rodando um parafuso toda vez que atender o telefone em um ambiente diferente? Acho que não.

    Mesmo que quisessem, o pessoal das companhias de celular não poderiam controlar a potência de sinal que cada celular recebe ou transmite pra suas bases. Impossível! E aí, continuam acreditando em lençol digital?

    Vou fazer agora uma pergunta que também fiz ao Sr. Gilvan, mas ele não me respondeu. Ele exemplificou o lençol digital uma vez com uma historinha onde um técnico de TV atenuou a recepção de alguns aparelhos de TV em um prédio, pra que o sinal da antena do edifício chegasse com a mesma potência em todos os aparelhos. Somente assim, todos puderam ter um sinal bom. As TVs nesse caso são somente receptores. Aí perguntei o seguinte: "Então, suponha que eu esteja escutando uma rádio FM no meu radinho de pilha, a apenas uns 1000 m da emissora. Se alguém ligar seu radinho de pilha a uns 10 Km de distância da emissora, obviamente com o sinal bem diferente do que estou recebendo, isso poderia prejudicar minha recepção e fazer meu radinho de pilha chiar?"

    Quer dizer então, que as emissoras AM e FM também precisam fazer um lençol digital e se preocupar com o ganho de todas as antenas de todos os radinhos de pilha da cidade? Como isso seria possível?

    Pronto, plantei a semente da dúvida. Mas quero também plantar a semente do esclarecimento.

    Obviamente devemos nos preocupar com as questões de RF dos nossos sistemas de rádio. Porém, preocupem-se também com isso: 802.11a/b/g não foram feitos pra ambientes externos, foram feitos pra ambientes internos. O que nós fazemos (inclusive eu) é forçar rádios indoor pra trabalhar em outdoor (mesmo usando NanoStations ou outros rádios com design outdoor, eles usam protocolos indoor). CSMA/CA não foi feito pra disputar o meio com tantos outros rádios. Pra esses ambientes, existem outros protocolos ou técnicas como polling (usado pelo Nstreme da MikroTik e Terabeam) e TDMA (agora nos AirMax da Ubiquiti, celulares GSM e se não me engano nas Canopy da Motorola).

    Se preocupem também com RTS/CTS, CTS-to-self, bandas de upload dos clientes, isolamento entre eles, ocupação do canal, etc.



  3. Citação Postado originalmente por 1929 Ver Post
    Caramba, esta ilustração fêz tremer as bases. Muito esclarecedora. E faz realmente pensarmos mais a fundo.

    Mas Jpjust, dá pra aprofundar mais esta diferença de desempenho com tdma? Os Ubiquiti já estão batendo na nossa porta com esta tecnologia. O desempenho é tão grande assim?

    Quanto a RTS/CTS eu tenho me preocupado e é uma das coisas que tem me ajudado. Não deixo nenhum ap cliente sem fazer esta configuração. Se evita muito choque de pacotes.

    O polling eu não sei bem como é, mas o firmware da Oswave tem este recurso para os Nano.
    Polling funciona da seguinte forma: a base tem o controle sobre qual estação vai transmitir. Suponha uma base com uns 10 rádios conectados a ela. A base passa o token ao primeiro rádio. Esse primeiro rádio tem então permissão pra transmitir, todos os outros ficam calados. Assim que ele transmite, devolve o token pra base. A base então passa o token pra outro rádio e por aí vai. Apenas o rádio que possui o token pode transmitir. Isso elimina as colisões na rede.

    Já com TDMA, cada rádio possui um slot de tempo pra transmitir. Por exemplo, cada um dos 10 rádios tem 1 ms (valor apenas para exemplo) pra transmitir. Findo seu tempo, ele não transmite mais, aguarda mais 9 ms (o total dos outros 9 rádios) pra poder transmitir de novo. Isso também elimina colisões, já que nenhum rádio vai transmitir ao mesmo tempo que outro.

    Só que no caso específico de TDMA, o rádio sabe que ele tem seu tempo correto pra transmitir. No seu tempo, ele simplesmente transmite, independentemente se tem alguma outra coisa (rádio, interferência, malandro, etc.) transmitindo. No caso de polling, alguns sistemas (como o MikroTik no Nstreme) permite abdicarmos do CSMA e os rádio também vão transmitir independentemente se alguém já está transmitindo, basta ele ter o token.

    O problema do CSMA/CA (método de acesso ao meio usado em Wi-Fi), é que o rádio, antes de transmitir, ele verifica se alguém já está transmitindo, pra evitar colisão. Ele só transmite quando não há nenhuma atividade no mesmo canal em que ele está operando.

    A intenção é boa, mas imagine que você tem uma setorial de 90º que joga o sinal pra um lado da cidade e um concorrente (ou até mesmo você) tem outra setorial idêntica que joga o sinal pra outro lado, ambas no mesmo canal. Como cada uma atende um lado específico, sabemos que uma não vai interferir na outra. Vejam a ilustração abaixo pra entender melhor.

    Mas se o sinal delas ou o ganho das antenas for forte o suficiente, de forma que uma consiga escutar um mínimo de sinal da outra, elas vão ficar aguardando. Em outras palavras: se a setorial da Base 2 conseguir receber o sinal da Base 1, mesmo que com míseros -85 dBm, ela vai esperar Base 1 parar de transmitir antes de enviar o sinal dela, pra evitar de colidir com a Base 1. É como se fosse uma única antena com os clientes de Base 1 e Base 2 conectados juntos (CSMA/CA compartilha MESMO o canal). Pela ilustração, dá pra ver que se as duas bases transmitirem ao mesmo tempo, não vai atrapalhar a recepção de seus clientes, portanto, elas esperam à toa! Nesse caso, TDMA seria bem melhor.

    Esse é o problema do nó exposto.
    Miniaturas de Anexos Miniaturas de Anexos Clique na imagem para uma versão maior

Nome:	         no_exposto.png
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ID:      	5759  

  4. Entendido, JPjust, mas neste caso, tendo o SSID diferente não ajuda, já que na rede específica só quem tem o mesmo ssid estará transitando?
    É o que o RTS se propõe a fazer, não?
    Eu tenho usado o Fragment threshold em 2346 e o RTS em 1024. Em alguns deixei com 512 para dar um desempenho melhor. Teoricamente com 512 deveria ficar mais lento, mas não, ficou melhor.

    Quero ver se entendo melhor isso.
    Os Nano que eu tinha Oswave, acabei retornando ao firm original, por isso não deu para fazer alguns testes.



  5. Citação Postado originalmente por 1929 Ver Post
    Entendido, JPjust, mas neste caso, tendo o SSID diferente não ajuda, já que na rede específica só quem tem o mesmo ssid estará transitando?
    É o que o RTS se propõe a fazer, não?
    Eu tenho usado o Fragment threshold em 2346 e o RTS em 1024. Em alguns deixei com 512 para dar um desempenho melhor. Teoricamente com 512 deveria ficar mais lento, mas não, ficou melhor.

    Quero ver se entendo melhor isso.
    Os Nano que eu tinha Oswave, acabei retornando ao firm original, por isso não deu para fazer alguns testes.
    Não importa o ssid pra fazer o outro rádio esperar, basta estar no mesmo canal.

    No caso do RTS, menor não significa mais lento. Significa aí, que sempre que o rádio for enviar um quadro maior ou igual a 512 bytes, ele vai enviar um RTS antes pedindo permissão. O RTS melhora no nosso caso, porque quando o rádio pede permissão pra transmitir, a base avisa os outros clientes, assim eles não transmitem ao mesmo tempo, evitando colisão e assim, o rádio transmissor não precisa transmitir de novo. Na base não precisamos configurar o RTS, pois quando ela transmite, todos escutam e sabem disso, por isso aguardam.

    Aqui uso RTS Threshold de 500 em todos os rádios clientes.






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