• IBM Desenvolve Técnica do "Um Átomo, Um Bit"

    Já pensou em ter um dispositivo do tamanho de seu pendrive capaz de armazenar alguns Tera Bytes (1 TB = 1.000 GB) de informação? E numa velocidade "monstruosa"? Pois seu sonho pode se tornar realidade dentro de poucos anos. Cientistas da IBM desenvolveram uma técnica que pode, eventualmente, aumentar de forma considerável a densidade de armazenamento de dados em várias ordens de magnitude, além de sua velocidade.

    A descoberta foi anunciada nesta sexta-feira, dia 24 de setembro de 2010. Ela permite que pesquisadores possam medir por quanto tempo um bit de informação pode ser mantido em um único átomo. A análise é feita através da captura, registro, e visualização das propriedades magnéticas desse mesmo átomo, em tempo real.

    O processo, atualmente em laboratório, é feito através de um microscópio de varredura eletrônico (STM - scanning tunneling microscope), capaz de gravar um verdadeiro "filme" do comportamento magnético de um átomo-alvo. Esse processo não é novidade. A inovação está no aperfeiçoamento da análise, que agora é capaz de recordar o processo, quadro-a-quadro, um milhão de vezes mais rápido que anteriormente. De acordo com os cientistas da IBM do Almaden Research Center, em San José, California, a taxa caiu para um nanosegundo por quadro.


    Parece pouco? Andreas Heinrich, um dos físicos do centro de pesquisas explica que "colocando em uma perspectiva, um nanosegundo para um segundo, é equivalente a um segundo para 30 anos". Isso resume não somente o aumento da densidade de armazenamento (i. é, a redução do espaço equivalente para armazenamento de uma mesma quantidade de dados), mas também no aumento da sua velocidade.

    Michael Crommie, um físico da Universidade da Califórnia, Berkeley, afirmou que "essa técnica desenvolvida pela equipe de pesquisas da IBM, é um recurso muito importante para a caracterização de estruturas pequenas, e entender o que está acontecendo em uma escala de tempo mais rápida".

    Crommie notou que esse conhecimento de atividade a nível atômico pode levar a avanços na tecnologia de fotovoltaicos, e que os pesquisadores da Almaden podem ainda adicionar a computação quântica a áreas nascentes que poderiam se beneficiar dessa técnica.

    Sebastian Loth, também do centro de pesquisas da IBM e co-autor desse artigo anunciando a nova técnica, publicou na edição corrente da conceituada revista Science, estar interessado nos avanços da tecnologia de armazenamento efetuadas pelo probe STM, e destacou que "Essa descoberta nos permite - pela primeira vez - entender quanto tempo a informação pode ser armazenada em um único átomo".

    Com essa nova tecnologia em mãos, projetistas de dispositivos de armazenamento poderiam manipular o tempo de vida magnético dos átomos para torná-los longos (e reter seu estado magnético), ou curtos (para mudar a um novo estado magnético), criando assim futuros dispositivos "spintrônicos", onde um único átomo poderia armazenar um único bit.

    O melhor disso tudo é que a técnica não está limitada ao atual sistema binário de 0s e 1s, mas sim, todas as "posições" possíveis de se calcular e administrar para cada estado energético do átomo. E aí entra a computação quântica, para dar mais um salto na tecnologia de armazenamento, reduzindo ainda mais o tempo de processamento, ou mesmo desenvolvendo cálculos jamais sonhados em um sistema binário.


    Links de interesse:

    - IBM 'one atom, one bit' storage breakthrough

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