• Internet e Depressão

    De acordo com uma notícia publcada no IB Times, cientistas britânicos afirmam que pessoas que gastam a maior parte do tempo surfando na Internet, tem maior tendência a mostrarem sinais de depressão. O interessante é que eles não sabem dizer como a Internet causa depressão, ou mesmo se são as pessoas com depressão que são atraídas pela Internet. Psicólogos da Universidade de Leeds encontraram o que eles chamam de uma "impressionante" evidência de que alguns ávidos usuários da Grande Rede desenvolvem hábitos - considerados compulsivos - pela Internet, onde efetuam uma substituição da interação de sua vida social, por chats e os diversos sites de redes sociais. O estudo parece reforçar a especulação pública de que o uso exagerado de sites Web que sirvam para substituir a função normal de uma vida social, pode estar ligado as desordens psicológicas como depressão e vício. E acrescenta que esse tipo de vício de surfar na Internet pode levar a sérios impactos na saúde mental. O resultado foi publicado no Journal of Psychopathology.


    "Já tô saindo! Só estou esperando uma resposta no Orkut."

    Mas desde quando, usar redes sociais é fugir da realidade, ou mesmo, um mecanismo de substituição virtual, das vidas sociais de cada indivíduo? Até onde eu sei (e acredito que isso seja de conhecimento da grande maioria), a Internet e todos os seus serviços (principalmente e-mail, redes sociais, chats) estão presentes para facilitar o estreitamento das relações (sociais e comerciais) de qualquer cidadão, em qualquer parte do mundo, além de ser um veículo que agiliza o nosso dia-a-dia. Quem até agora ainda não percebeu o monstruoso volume de tarefas que nós somos capazes de fazer a cada dia, somente com o uso da Internet e de todos os serviços digitais disponíveis? Um exemplo é esse post que escrevo para vocês, que estará pronto, formatado e divulgado para todo o mundo, em menos de 40 minutos (e viva o Tio Google). Eu levaria dias ou mesmo semanas para fazer o mesmo por "meios convencionais disponíveis na primeira metade do século passado". Isso sem contar o enorme custo financeiro desta tarefa hercúlea.

    Na minha opinião, esta é mais uma daquelas associações errôneas, que possuem o enorme potencial para a geração de conseqüências graves em nosso mundo. Essa pesquisa, do jeito que foi divulgada, pode desencadear algo muito sério em nossa sociedade. Em uma associação bem exagerada, é como querer conter todos os crimes de assassinato em uma região, mandando prender todos os vendedores de facas de cozinha do bairro, porque alguns de seus clientes estavam comprando seus produtos, não para descascar batatas, mas sim, pessoas. E tudo isso porque uma pesquisa foi feita, e seus resultados apontavam que a causa provável dos assassinatos eram as vendas de facas. Afinal, uma coisa sempre leva a outra, e sempre de forma errada. Não vejo a hora de ver isso "respingar" na própria Internet.


    "Espera! Ainda não postei hoje no Fórum do Under-Linux!"

    As diversas ferramentas de integração entre pessoas e/ou serviços, estão presentes para uso na Internet, e acredito, com a "missão" de colaborar ainda mais com o estreitamento no relacionamento entre os seres humanos. E garanto que foram criadas com a melhor das intenções por seus desenvolvedores, e não para formar um exército de "viciados" em Internet. E o problema, nesse caso, não é somente o uso que se faz delas, mas sim, o verdadeiro Caos que está o nosso mundo. Acredito que com o advento de nosso atual mundo globalizado (e digital), apenas o método de "fuga do mundo" que mudou.

    É como aquela piada de mau-gosto: "diversão de pobre é fazer filho". Pois saibam que existe muito de verdade e crueldade nessa piada. Em um mundo "problemático" como o nosso, o nível de aborrecimento parece estar sempre crescendo junto. E para não entrarem em depressão, muitos escolhem suas fugas.


    Você tem problemas?

    Outro dado interessante da pesquisa, é que foram avaliados 1.319 cidadãos do Reino Unido, entre 16 e 51 anos. E eles chegaram a conclusão de que 1,2% (quase 16 pessoas) eram viciados em Internet. Ainda no contexto, esses mesmos "viciados" passam boa parte do tempo navegando por sites de conteúdo pornográfico (tá aí o sexo, ..., só que agora digital), jogos online, ou mesmo sites de comunidades. O estudo ainda afirma que esses indivíduos possuem incidência a depressão moderada à severa, diferente dos usuários normais (que o estudo esqueceu de destacar que os mesmos também ficam pendurados em sites de redes sociais, jogos na Internet e sites de conteúdo pornográfico, só que num tempo de navegação um pouco menor).

    Outra análise interessante é em relação a porcentagem de "viciados". Muito baixa para ser transformada numa crise, como parecem anunciar. No meu ponto de vista, esse deveria ser um estudo contínuo, com resultados periódicos (algo de 6 em seis meses), para assim, poder apresentar respostas mais conclusivas. Sugeriria até que fosse feita a mesma pesquisa em outros países. Assim, deixaria a pergunta no ar: até que ponto isso realmente influenciaria em toda a nossa sociedade, já que a porcentagem dos "supostos viciados" é tão baixa?


    Eu bem que avisei que não era para dar comida para o mouse depois da meia-noite...

    Neste estudo, eles rebatem a baixa incidência de "viciados", dizendo que ela ainda é maior que o número de pessoas (estatisticamente falando) que gostam de jogos de azar (apontado como 0.6% dos cidadãos do Reino Unido). Porém, um adendo: atualmente a Internet (e seu acesso) estão muito mais difundidos em nossa sociedade, do que os jogos de azar. Com isso, poderíamos dizer que, em relação a quantidade de pontos de acesso à Internet, os pontos de jogos de azar são desprezíveis. Afinal, seja em casa, no trabalho, pelo celular, na LAN-House, ou onde (e por onde) você conseguir se conectar, todos são considerados pontos de acesso para a Grande Rede (e conseqüentemente, para o "vício"). Então acho que o estudo deveria incorporar essa "logística" em suas análises e apresentar novos resultados (e discussões mais detalhadas dos resultados). Aposto que com a adição desse fator, o valor cairia para um número bem mais insignificante.

    Ainda focando nas possíveis falhas dessa pesquisa. Como foi feita essa avaliação? Esses indivíduos foram monitorados 24 horas por dia, seja no trabalho, na escola, em casa, ou via telefone? Ou foi um estudo local, onde o grupo era obrigado a comparecer a determinada hora/dependência, onde pontos de acesso estariam disponíveis para que os mesmos pudessem passar quanto tempo quisessem navegando? O primeiro ponto é impossível de se monitorar, por razões óbvias. E o segundo, é uma enorme falha, já que tira o cidadão de seu way-of-life, desvirtuando (em diversos graus) os resultados desta pesquisa. Análise estatística não é só matemática. Também é logística! Mas nesse caso, não vou passar da especulação, já que não tive acesso a esta informação para poder analisar.

    Agora, você quer realmente entrar em depressão? Faça uma maratona, assistindo por uma semana, direto, á todos os telejornais exibidos na nossa TV aberta. Você vai ser instantaneamente afogado em tanta violência e (principalmente) impunidade, vinda de todas as estruturas e níveis de nossa sociedade, que se você não entrar em depressão, é sinal de que tem alguma coisa muito errada com você ;-)


    Links de Interesse:

    [1] IB Times: http://www.ibtimes.com/articles/2010...depression.htm


    Caso Alguém Precise:

    - Center for Online and Internet Addiction: http://www.netaddiction.com
    - InternetAddiction.CA: http://www.internetaddiction.ca/
    - Are you Internet Addict? http://blog.webdesigningcompany.net/...rnet-addiction

    Sobre o Autor: code

    Administrador e Editor do Portal Under-Linux, desenvolvedor Linux e FOSS para Linux, autor de livros e artigos, atuando na área de Educação Digital e P&D com AI.

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