• Israel Lança Cyber Defense Authority

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou o lançamento do National Authority for Cyber Defense, com o intuito de supervisionar a proteção dos sistemas militares e civis. O anúncio surge depois de Netanyahu acusar, fortemente, seu grande inimigo, o Irã, de lançar ataques cibernéticos repetidos contra Israel, durante o conflito com o Hamas. A ofensiva durou 50 dias, com abrangência dos meses de julho e agosto de 2014. Netanyahu disse aos ministros na reunião semanal de gabinete, que o novo órgão será responsável não apenas para proteger instalações-chave e organizações ligadas à defesa, mas também é voltado para a tarefa de defender os civis israelenses contra ataques cibernéticos.


    De acordo com o Ministro da Defesa, Moshe Yaalon, Israel tinha sido "alvo de ataque eletrônico, desencadeado por um Estado inimigo, por grupos terroristas e por crackers que visavam instalações militares e econômicas, mas que estes ataques não teriam causado danos mais graves."


    Acusações Anteriores Referentes a Início de Guerra Cibernética

    O perigosíssimo worm conhecido como Flame, que tinha sido desenvolvido para espionar usuários de computador em países do Oriente Médio, teria sido projetado por um país, um governo e não por um hacker como muitos pensavam. Essas informações foram prestadas em 2012, pela Kapersky Labs, empresa de segurança sediada na Rússia que desenvolve antivírus para computadores. Dessa forma, o Flame passou a ser classificado como "uma das ameaças mais complexas já descobertas" e países árabes passaram a afirmar que essa projeção foi uma iniciativa de Israel.


    Multi-funcionalidades do "Flame"

    O ataque do Flame grava conversas privadas mantidas pela Internet, manipula o microfone do computador infectado e pode gravar todos os textos digitados. De acordo com a explicação dada por Vitaly Kamluk, especialista da Kapersky, depois que o computador é infectado, o Flame começa uma complicada série de operações. Isso inclui espionar a navegação na internet, gravar imagens de telas de computadores e conversas, interceptar teclados, etc. As imagens das telas e as gravações de áudio são enviadas pela Internet para o autor do ataque, e o sistema é ativado toda vez que a vítima usa programas de correios eletrônicos ou de mensagens instantâneas.

    Kamluk disse ainda que pelo tamanho do ataque, o software não poderia ter sido criado por criminosos virtuais comuns. Ele tem características de ter sido financiado por um governo, até mesmo por que a geografia dos objetivos e a complexidade dessa ameaça não deixa dúvidas que foi um Estado que patrocinou o projeto. Em relação à a acusação de que se tratava de um projeto israelense, com auxílio técnico dos Estados Unidos, não veio como uma novidade. Em 2011, o vírus conhecido como "Stuxnet" atacou instalações militares do Irã.


    Aspirador de Informações Sensíveis

    Para Alan Woodward, do departamento de computação da universidade de Surrey, na Inglaterra, o programa foi considerado basicamente um "aspirador de informações sensíveis", apresentando um altíssimo grau de sofisticação. De acordo com Woodward, enquanto o Stuxnet só tinha um objetivo, o Flame foi classificado como um conjunto de ferramentas. Por isso ele consegue perseguir qualquer coisa que caia em suas mãos.

    Até 2012, os ataques desses vírus afetaram cerca de 600 alvos, entre eles indivíduos, empresários, instituições acadêmicas e sistemas de governo. Os alvos preferenciais do software espião seriam computadores do Irã, de Israel, da Síria, do Líbano, do Egito, da Arábia Saudita e do Sudão. Segundo autoridades iranianas, trata-se de mais um capítulo na chamada "guerra cibernética", que teria como objetivo prejudicar as comunicações de países hostis a Israel. A indústria do petróleo do Irã foi afetada por esse worm, disse Gholam Reza Jalali, diretor de uma unidade militar encarregada de combater a sabotagem.

    Como a receita com petróleo gera 80% da renda do país, sabe-se que o Irã foi forçado a cortar a Internet com o principal terminal de exportação do país, para conseguir conter a ameaça. Na sequência, o vice-primeiro-ministro israelense, Moshe Yaalon, não negou que seu país, conhecido pela inovação tecnológica e pela campanha contínua contra o programa nuclear de Teerã, poderia ter lançado o vírus. Em resumo, ele disse que aqueles que consideram a ameaça iraniana significativa, podem tomar várias medidas, incluindo ataques cibernéticos. Conforme Yaalon declarou, "Israel é abençoado com alta tecnologia e contamos com ferramentas que abrem todos os tipos de oportunidades para nós".


    Atacantes e Defensores

    Computadores e teclados de computador, nas mãos de pessoas erradas, são armas. Facebook e Twitter são o campo de batalha. E os conceitos de segurança convencionais, tais como a violência, a identidade, localização, defesa, ataque e velocidade tem que ser completamente re-definidos. Em face disso, é difícil distinguir entre as conseqüências de um erro de programação simples e um ataque intencional, entre causa e efeito, entre atacante e defensor. Os guerreiros cibernéticos usam ferramentas cibernéticas que são o software e o hardware. É uma guerra do século 21, revestida de muita modernidade e tecnologia, a guerra que acontece no ciberespaço.

    "O espaço cibernético tornou-se a quinta dimensão da guerra, na sequência de terra, mar, ar e espaço", explicou o general Amos Yadlin, chefe da inteligência das Forças de Defesa de Israel, durante um simpósio em Tel Aviv no início de 2010. "A guerra na dimensão do cyber espaço é tão importante para a batalha nos dias de hoje como o desenvolvimento da cobertura aérea foi relevante para a guerra no século 20".

    A infra-estrutura em torno do qual esta guerra está sendo travada não mudou: suprimentos de agricultura e da indústria, energia e alimentos, o sistema de transporte, água e esgoto, sistemas de comunicação e finanças, e não menos importante, o sistema de saúde. Tudo isso é impossível hoje sem o uso dos computadores. O espaço cibernético tem é um sistema nervoso no nosso mundo moderno, e ao mesmo tempo, têm o seu controle.


    Danos Causados pela Guerra Cibernética

    Em seu cenário mais eficaz, um ataque cibernético pode causar danos tanto para os sistemas de computador de um país como o colapso econômico e das capacidades militares. "Uma ataque cibernético poderia levar ao colapso de toda uma nação, se as defesas apropriadas não estão no lugar", adverte Meir Sheetrit, presidente do setor de Ciência e Tecnologia do Knesset, o parlamento de Israel.

    Sabemos que os crackers nos últimos anos, que foram capazes de bagunçar o fornecimento de eletricidade no Brasil e na Estônia, atacaram o setor bancário da Geórgia. Em 2008, o website do Banco de Israel (Banco Central de Israel) teve que ser desligado por um bom tempo. Durante a Guerra de Gaza na virada do ano 2008/2009, simpatizantes do Hamas de países islâmicos, bombardearam websites israelenses. Além de tudo isso, coisas semelhantes ocorreram após a intercepção da flotilha em Gaza, feita pela marinha israelense em 31 de maio de 2010.


    Sites Governamentais Sob Ataques

    Os sites do governo de Israel estão constantemente sob ataque de "cyber" jihadistas e "hacktivistas", disse o Instituto de Luta contra o Terrorismo no Centro Interdisciplinar de Herzliya, em novembro de 2010. Hoje a maioria de "E-ttacks" em Israel vêm do Irã, enquanto que em anos anteriores eles eram provenientes de palestinos e russos. m sua despedida, em maio de 2011, o Chefe de Inteligência do Interior de Israel, Yuval Diskin, falou de "impressões digitais" e "pistas" deixadas por tentativas de ataques cibernéticos. Logo depois, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que uma unidade especial deveria ser estabelecida, a fim de defender os interesses de Israel contra os ataques terroristas a partir da Internet.


    Unidade 8200

    O espaço cibernético concede aos países pequenos e aos seus indivíduos, um poder que foi até agora a prerrogativa dos grandes países. Pode-se convocar uma greve dentro de uma fração de segundo, sem arriscar a vida de nenhum militar. Tudo é feito localmente, sem a necessidade de ajuda externa, em uma área com que jovens israelenses estão muito familiarizados." A Inteligência militar israelense tem uma unidade misteriosa chamada "Unidade 8200". Ela é amplamente suspeita de ser a grande responsável pelo ataque bem sucedido contra os sistemas de computadores do programa nuclear iraniano.

    Além de tudo isso, existem fortes especulações de retrospectiva, a respeito da responsabilidade dos israelenses ​​pelo colapso do sistema de computador inteiro pertencentes à defesa aérea Síria, quando em 6 de setembro de 2007, os caças israelenses foram, presumivelmente, os responsáveis ​​pela explosão de um projeto nuclear no deserto do norte da Síria.


    Liderança Mundial em Cyber War

    "O Estado de Israel se tornou um líder mundial em guerra cibernética", declarou o general Amos Yadlin. Além de Israel, os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e China são nomeados como os países que estão utilizando sua tecnologia de defesa cibernética em grande escala.


    Saiba Mais:

    [1] Israel National News http://www.israelnationalnews.com/Ne...9#.VB922PldWpw

    Sobre o Autor: Camilla Lemke


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