• Motorola Inova o Mercado com Divisão da Própria Companhia

    Enquanto estamos vivendo a década das fusões de grandes empresas da área de tecnologia, a Motorola parece estar navegando contra a maré. Conhecida mundialmente no mercado de celulares, a empresa recentemente anunciou a separação de sua estrutura em duas companhias distintas: a primeira voltada para o setor doméstico, e a segunda, voltada para o setor corporativo. Essa separação deverá ser efetivada até o início de 2011, e sua proposta teve efeito positivo no mercado. As ações da companhia decolaram na manhã desta sexta-feira dia 12, logo após o anúncio da Motorola sobre a divisão de sua empresa em dois novos segmentos. E a melhor notícia é para os acionistas da própria empresa. Eles terão direito a isenção de taxas nos dividendos das ações para essas novas companhias.


    Motorola Droid.

    O mais interessante é que o anúncio foi feito com grande antecipação. E o que poderia acarretar em um verdadeiro (e catastrófico) efeito dominó nas bolsas de valores de todo o mundo, foi visto com grande entusiasmo, principalmente por parte dos investidores. É interessante notar que a proposta de divisão desta empresa não é um assunto recente. O mesmo já havia sido abordado, de forma bem mais tímida e informal, a pouco menos de um ano.


    A Idéia

    No ramo tecnológico, o que mais presenciamos nesses últimos anos, foram as famosas fusões de grandes corporações, a as aquisições de empresas pequenas (mas promissoras), por grandes companhias do setor. Normalmente o intuito dessas fusões (ou das aquisições) é sempre se manter o mais próximo possível do monopólio de mercado, ou buscar uma rivalidade maior com os líderes de seu setor, quando a sua concorrência já não mais possui tanta expressividade. E o que poderia ser considerado como uma verdadeira heresia financeira, se transformou em uma ação inovadora, surpreendendo um mercado altamente competitivo.

    Com a divisão da Motorola em duas empresas distintas, o atual Co-CEO Sanjay K. Jha irá encabeçar a nova companhia voltada para o mercado doméstico, enquanto seu colega, o Co-CEO Gregory Q. Brow, irá liderar a companhia voltada para o mercado empresarial. A título de curiosidade, o ramo doméstico é quem herdará o nome Motorola.

    Re-estruturar uma empresa em duas, separando e re-definindo bem os novos seguimentos de atuação, não é uma tarefa fácil. E nenhuma companhia de renome como a Motorola, seria capaz de cometer o "suicídio" de efetivar mudanças de última hora, sem uma profunda e contínua análise dos potenciais impactos que poderiam ser gerados.

    As áreas de atuação da empresa que servirão para realinhar suas novas bases, também precisam estar em constante crescimento e consolidação com o mercado. E esse é o caso da atual (e ainda integrada) divisão de dispositivos móveis da Motorola. Esse mesmo setor teve grandes avanços no último trimestre, com o lançamento de dois novos smartphones, o Cliq e o Droid. E vale lembrar que ela ainda planeja lançar mais 20 modelos somente nesse ano de 2010, continuando assim a pressionar a própria companhia a se manter de forma estratégica no mercado. Atualmente, a Motorola vem impulsionando o setor de smartphones com a ajuda do sistema operacional Android, do Google. Tudo pelo esforço de se manter na competição com o ramo de telefonia móvel da Nokia, com a Apple e seu iPhone, e com a RIM (Research In Motion) e seu tão aclamado Blackberry.


    Motorola Cliq.

    Nos dias de hoje, o principal mercado da Motorola se limita à América do Norte. E com a divisão da empresa em duas companhias distintas, sua área de atuação não irá mudar. O lógico é que ambas continuem atuando onde a base anterior já está forte e consolidada. A diferença atual está na maior liberdade que cada ramo terá, para poder investir em seus novos segmentos. Posteriormente, ambas as empresas poderão direcionar a expansão de seus negócios para outros mercados promissores, como a China e a Europa


    Retrospectiva

    Para quem não sabe, a Motorola já tinha planos de se desfazer do seu ramo de celulares, e posteriormente, o de receptores. Porém a companhia nunca conseguiu compradores interessados em adquirir tais ramos de atividade. Em um mercado restritivo, pequeno e altamente concorrido, realmente não há espaço, e muito menos interesse (do ponto de vista financeiro), de se realizar fusões, ou mesmo aquisições de concorrentes. Nosso atual mercado de telefonia celular é um verdadeiro campo de batalha, onde não há espaço para derrotados. Todas as companhias do setor são empresas consolidadas, que disputam no mercado cliente a cliente, e nenhuma delas quer ceder um milímetro sequer de espaço para suas concorrentes.

    Com a tentativa em vão de vender seus segmentos, a Motorola precisou engendrar uma alternativa radical para seus planos. A companhia então, consolidou um plano que iria solucionar todos os seus problemas de uma só vez - a separação de sua empresa em dois novos segmentos. Os preparativos para essa separação já estavam prontos desde 2008. Porém, devido ao crescimento de concorrentes de peso como a Apple, a empresa perdeu uma boa parte de sua porcentagem de mercado, levando ao adiamento de seus planos até o último trimestre de 2009. E foi justamente nesse período que a Motorola apresentou lucro em suas operações, e com isso, pode retomar seus planos originais.

    Porém, todo o processo de separação ainda estava dependente de alguns fatores como, o desempenho da divisão de dispositivos móveis, o andamento do próprio mercado de celulares, e o principal, o estado do atual ambiente econômico mundial. Jamais se esqueçam da crise global, que em meados de 2008, assolou todo o planeta, mergulhando grandes e consolidadas empresas em um verdadeiro mar de instabilidade financeira. Somente ao final de 2009 que a maioria das companhias conseguiram se recuperar e, de forma cumulativa, apresentar lucros em suas operações financeiras.

    A apresentação prévia deste ousado plano por parte da Motorola, foi decidida pela própria empresa, visando ter tempo hábil para esclarecer todas as dúvidas de seus consumidores, funcionários e, principalmente, de seus investidores. Com isso, a companhia também garantirá o tempo certo para que as novas empresas geradas, possam desembarcar com segurança em seus novos ramos de atuação.


    Links de Interesse:

    - Motorola Rallies On Split Decision
    - Details on split give Motorola shares a boost
    - Motorola shares jump on break-up plan

    Sobre o Autor: code

    Administrador e Editor do Portal Under-Linux, desenvolvedor Linux e FOSS para Linux, autor de livros e artigos, atuando na área de Educação Digital e P&D com AI.

    Comentários 6 Comentários
    1. Avatar de sergio
      sergio -
      hummm... sei... e onde os clientes ganham com isso? Não entendi.
    1. Avatar de code
      code -
      Citação Postado originalmente por sergio Ver Post
      hummm... sei... e onde os clientes ganham com isso? Não entendi.
      Sergio, com a separação dos mercados pela divisão da companhia (em dois ramos distintos: o doméstico e o empresarial) acredito que as empresas resultantes poderão focar melhor seus produtos e serviços para seus novos "grupos" de clientes. Claro que essa não é mais uma história "com final feliz" onde uma empresa se reestrutura somente em função de seus clientes (quem dera que as empresas no mundo realmente se preocupassem a fundo com seus clientes). Estamos falando basicamente de mercado nesse post. E essa ação da Motorola, visa se reinventar, em um mercado altamente competitivo.

      Acredito que a primeira intenção dela é, não somente sobreviver, mas dar a volta por cima na esperança de inovar e conseguir conquistar uma maior fatia desse mercado. Afinal, não tem cliente sobrando; tem é cliente faltando. E a única maneira de se conseguir ampliar seu próprio mercado, é tirando cliente de seus concorrentes. E pelo visto, essa é a real intenção da Motorola.
    1. Avatar de Yury Cassini
      Yury Cassini -
      Também penso desta forma!
    1. Avatar de sergio
      sergio -
      Sim Code, notei que o artigo trata de mercado, mas em momento algum eu li que a empresa visa uma aproximação com os clientes, criar canal exclusivo, inovar para ganhar mais clientes. É só uma divisão da empresa para competir melhor com os concorrentes e beneficiar os acionistas. Concordo que esse é o objeto de qualquer empresa - LUCRO -, mas sem levar em conta esses clientes, não tem empresa que sobreviva atualmente. Afinal o tempo da "velha mídia" já se foi e opiniões são melhor formadas.
    1. Avatar de code
      code -
      Citação Postado originalmente por sergio Ver Post
      Sim Code, notei que o artigo trata de mercado, mas em momento algum eu li que a empresa visa uma aproximação com os clientes, criar canal exclusivo, inovar para ganhar mais clientes. É só uma divisão da empresa para competir melhor com os concorrentes e beneficiar os acionistas. Concordo que esse é o objeto de qualquer empresa - LUCRO -, mas sem levar em conta esses clientes, não tem empresa que sobreviva atualmente. Afinal o tempo da "velha mídia" já se foi e opiniões são melhor formadas.
      Concordo plenamente! No mercado atual, principalmente por causa da globalização (por sinal, acho que esse é um dos poucos efeitos benéficos da mesma), os consumidores estão mais informados. E as empresas não tem mais como "sobreviver" ignorando seus clientes.

      Mas no mundo globalizado, ainda temos o eterno problema do "jogo de monopólio". E quanto mais deixarmos esses monopólios se formarem (fusões, etc), pior para nós. Sem concorrência, eles fazem o que bem entendem, e aplicam os preços que desejarem.

      E o segundo problema em potencial nós vemos no nosso dia-a-dia aqui no Brasil, e se chama "efeito-máfia". Mesmo tendo várias empresas concorrentes, nenhuma delas coloca para os consumidores brasileiros, preços justos. Todas praticam a mesma base de preços altos. E nesse mundo globalizado, são todas multi-nacionais (que são melhor definidas como trans-nacionais, pois boa parte do capital ganho aqui é mandado embora para a matriz fora do país, e não se investe nada em nosso território). Então, acaba sobrando para nós, termos serviços e produtos de péssima qualidade (e defasados), com um valor acima do melhor produto e serviço internacional, comercializado pela mesma empresa. É o famoso "nós pagamos caro aqui, para que o resto do mundo possa pagar mais barato".
    1. Avatar de net33
      net33 -
      Na verdadde ja se foram os tempos dos " empresaurios " quem mais oferece precos ,pos venta ,garantia , asitencia , envestimento inovacao e quem mais ganha seja la o que for .
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