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Empresas e software livre - um balanço do FISL 9.0

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Durante o FISL 9.0 percebi que, desde meu último FISL em 2006, o interesse das empresas pelo software livre aumentou. Já existia em 2006, no FISL 7.0, mas naquela época a participação de instituições federais e estaduais era muito mais forte.
Isso no início me intrigou: o software livre está ficando comercial?
Estou refletindo sobre o assunto desde que tomei o avião, de volta de Porto Alegre. Trouxe muitos folhetos do FISL e eles, de fato, confirmam a sensação.
Como cientista, eu sei que muitas vezes não conseguimos achar respostas simplesmente porque fizemos as perguntas erradas. Então, ao invés de querer saber se o software livre ficou mais comercial, passei a pensar no que significa o software livre tornar-se mais comercial.
A primeira coisa que percebi é que o software livre tornar-se mais comercial não significa que vamos sair por aí vendendo software livre. A velha ladainha se mantém: não vendemos o software, vendemos suporte a ele. Porque suporte é importante e poderia ser vendido? Porque nem toda empresa tem um técnico em software livre capaz de lidar com todas as tecnologias livres (ele precisaria atualizar-se num ritmo humanamente impossível) e também porque é mais barato terceirizar esse serviço, muitas vezes. Por outro lado, o técnico que trabalha com software livre dentro da empresa também faz parte do batalhão de pessoas das comunidades de software livre que vivem de fornecer suporte. Ou seja, nenhuma novidade pra quem é da área.
Segundo ponto: o aumento do interesse das empresas (incluindo escolas e faculdades particulares, o que também notei no FISL) significa um aumento de espaço para o software livre. Significa que há demanda e que o mercado está seguindo essa opção. Certamente isso não acontece somente porque é grátis. Eu mesma, quando estive no FISL 7.0, estava apresentando um trabalho para mostrar que o uso de software livre pela universidade pública era uma questão de qualidade muito mais do que de economia. Sei que a economia chama muito a atenção, afinal, vivemos num mundo capitalista, mas um software que está em contínuo aperfeiçoamento por milhares de desenvolvedores é, com certeza, mais eficiente do que um software cujo aperfeiçoamento depende de uma equipe limitada, a equipe de uma empresa. Mesmo que o software seja desenvolvido por uma empresa, sendo livre vai ganhar contribuidores por todo o mundo, na escala de sua importância e uso.
Último ponto: Se há aumento de demanda, há aumento de usuários finais. E o que os usuários finais ganham com isso? Ora, pense comigo: uma pessoa que nunca usou um celular, quando começa, passa a usar somente aquilo que entende. Se fosse um software fechado, quando dá problema, chama a assistência, se for aberto, busca ajuda na internet ou com amigos. Esse segundo tipo de ajuda não resolve o problema, cobra e cai fora, esperando que haja outro problema. Esse outro tipo de ajuda ensina a fazer. Daí o usuário final torna-se mais competente, não somente com o seu software - ou celular - mas com qualquer outro, porque aprende onde buscar as respostas para seus problemas.
Eu particularmente adoraria que os celulares fossem como o software livre. Com certeza faria um uso bem menos limitado do meu.
Para finalizar: tudo isso me leva a crer que as revistas e jornais que falam de linux e outros softwares livres deveriam fazer, sim, matérias sobre as empresas que estão atuando com software livre. Podemos filtrar o que é simples propaganda do que é interessante para o leitor. Publicamos sobre a RedHat, sobre a Canonical, sobre a IBM, devemos abrir espaço para as empresas brasileiras.
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