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IP DSLAM: o que é, quais aplicações, quando usar.

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O DSLAM (Digital Subscriver Line Access Multiplexer) é um equipamento que permite o uso dos pares telefônicos para o tráfego de dados (tanto LAN como Internet) em distâncias de vários quilômetros.

Ele pode ser utilizado em várias aplicações, desde provedores de acesso Internet, até agilizar a instalação de cabeamentos em prédios de difícil manutenção (como hospitais ou edifícios históricos).

Este texto visa explicar um pouco o funcionamento dessa tecnologia, suas limitações e apresentar alguns exemplos de aplicação.

O ADSL

O ADSL foi criado para permitir com que as operadoras de telefonia fornecessem acesso Internet de alta capacidade para clientes domésticos. Como veremos mais abaixo, o DSLAM serve para várias outras aplicações, mas é importante notar que ele foi criado para o acesso doméstico, e isso define algumas das suas características, sendo a principal a sua banda.

O usuário doméstico tipicamente consome mais banda do que fornece (faz mais download que upload). Assim o ADSL foi criado para permitir mais banda de download que de upload, ao contrário das bandas simétricas, tipicamente encontradas em links de Internet corporativo.

O primeiro padrão (ADSL) permitia até 8Mbps de download e 1Mbps de upload. O ADSL2 chegava a 12Mbps de download e 1,3Mbps enquanto que a sua evolução (o ADSL2+) chega a 24Mbps de download e 3Mbps de upload.

O DSLAM

Na casa ou escritório dos assinantes, se usa um modem ADSL para entregar a conexão, mas e no outro lado, qual equipamento é utilizado? Que equipamento é instalado dentro da central telefônica para conectar o modem ADSL? Esse equipamento é o DSLAM.

O DSLAM recebe a linha de voz (analógica) vinda da central telefônica e adicional o sinal ADSL. Não vou entrar neste texto nos detalhes de como isso é feito, apenas compreenda que no cabo que vai da central telefônica até a casa do assinante, passam as duas coisas ao mesmo tempo: telefonia e ADSL.

No assinante é instalado o modem ADSL que irá decodificar o sinal e entregar uma porta Ethernet. O interessante é que neste mesmo par é instalado o aparelho telefônico, que irá atender as ligações telefônicas.

Vale salientar que se o aparelho telefônico for ligado diretamente no par que vem da central, o usuário irá escutar um apito muito incomodo (que é a portadora do ADSL). Para que isso não ocorra é necessário instalar um filtro (também chamado de splitter ou micro-filtro) no aparelho telefônico. Normalmente os modems ADSL já vem acompanhados desse filtro.

O IP DSLAM

O ADSL foi criado em uma época em que o protocolo Ethernet tinha muitas limitações e "estava na moda" o protocolo ATM. Então o protocolo ADSL possui algumas características de ATM.

Hoje o ATM está praticamente morto, mas o ADSL continua a usa-lo. Assim os fabricantes criaram DSLAM que já fazem a conversão de ATM para Ethernet/IP diretamente. Dessa forma no IP DSLAM o protocolo ATM fica "escondido", apenas na conversa entre o modem e o DSLAM. Para o resto do mundo (tanto no assinante como na central), o protocolo é IP nativo.

Em resumo: apenas do ADSL ser transportado por ATM, tanto o modem ADSL como o DSLAM são equipamentos Ethernet/IP normais.

Limitações do ADSL

O ADSL tem algumas limitações, a principal delas é a sua capacidade. Enquanto que um Ethernet tem 100Mbps de banda full-duplex, o ADSL2+ chega no máximo a 24Mbps de download e 3Mbps de upload.

Para piorar, essa capacidade máxima diminui de acordo com a distância do cabo. Essas velocidades máximas só são alcançadas em distâncias curtas (no máximo 400 ou 500m). Para cabos com 2Km essa performance cai pela metade e para distâncias de 5Km (limite dessa tecnologia) chega a apenas 4Mbps de download e uns 500Kbps de upload.

Além disso a qualidade do cabo também interfere, podendo diminuir a banda máxima.

E por falar em qualidade do cabo, muitos tem dúvida sobre a aplicação da tecnologia ADSL no Brasil, com medo da baixa qualidade dos cabos aqui no nosso país. Apesar da nossa realidade ser um pouco pior que a dos países desenvolvidos, o ADSL (principalmente o ADSL2+) é bastante robusto e tem apresentado bons resultados no Brasil. O que prejudica o nome do ADSL é que algumas operadoras tentam fornecer conexões para usuários que estão a 6, 7 ou mais Km de distância da central, o que torna a conexão realmente instável. Dentro dos limites de operação (5Km), o ADSL2+ funciona bem mesmo no Brasil.

Aplicações da Tecnologia DSLAM

Apesar de ter sido criado para uso em operadoras, o DSLAM tem funcionalidades que podem ser utilizadas em vários outros ambientes.

Ele não precisa estar instalado em dentro da central telefônica, ele pode ser instalado dentro do prédio ou condomínio aonde se deseja ter conectividade. Vamos ver alguns exemplos de aplicações.

Acesso Internet para condomínios

Esta é seguramente a aplicação mais comum dos IP DSLAM no Brasil. Um provedor de acesso Internet leva um link de rádio (ou contrata um link de operadora) até a portaria de um condomínio. Esse condomínio pode ser tanto vertical (edifício) como horizontal (condomínio de casas), tanto faz.

O IP DSLAM é instado no Distribuidor Geral (DG) de telefonia e, utilizando o mesmo par de telefone, permite fornecer acesso Internet aos condôminos. A linha telefônica continua operando normalmente, apenas é adicionado o sinal da ADSL nesse par. Na casa ou escritório do assinante é instalado o modem ADSL e o filtro no telefone para eliminar o ruído.

Dessa forma o IP DSLAM pode ser uma solução interessante para distribuir acesso Internet dentro de um condomínio.

Conectividade LAN em Prédios Problemáticos

Apesar de ser aplicado principalmente em condomínios para acesso Internet, os IP DSLAM também tem sido utilizados para substituir o cabeamento estruturado em locais problemáticos.

Um hospital antigo deseja colocar computadores nos consultórios de atendimento. Por ser antigo, o hospital não possui dutos adequados para passagem dos cabos Ethernet, além disso as distâncias são grandes (maiores que os 100m permitidos pelo Ethernet) o que iria necessitar de switchs espalhados pelo hospital. Para piorar, um hospital tem uma grande dificuldade em fazer paradas para reforma, pois recebe pacientes 24 horas por dia.

O IP DSLAM pode ser a solução ideal para o hospital, pois os consultórios já possuem sistema de telefonia (o IP DSLAM pode ser utilizado em conjunto com os ramais internos, desde que **não** sejam ramais digitais) e assim, com a adição de modems ADSL nos consultórios e um DSLAM no PABX, é possível dar aproximadamente 20Mbps de download e 3Mbps de upload para cada consultório, suficiente para consulta a fichas médicas e demais tarefas hospitalares.

Um outro exemplo de aplicação é o de museus ou prédios tombados pelo patrimônio histórico. Esses locais não podem sofrer reforma, mas já possuem ramais (instalados na época em que não havia restrições).

Outro exemplo é a instalação de sistemas de vigilância em presídios. Dificilmente alguém vai se arriscar a fazer uma reforma em penitenciária para passar cabo coaxial ou Ethernet para câmeras de vigilância. Mas com o uso de câmeras IP e aproveitando o cabeamento de ramais com o IP DSLAM é possível criar uma estrutura de dados de longo alcance, com banda suficiente para as câmeras IP e sem correr o risco de realizar grandes obras nesse ambiente hostil.

Assim, o IP DSLAM pode substituir o cabeamento estruturado sempre que houver dificuldade de cabear ou as distâncias a serem cobertas forem muito grandes (obviamente, desde que a banda do ADSL2+ seja também suficiente para a aplicação).

Aspectos Legais

Um dúvida muito comum em relação ao uso do IP DSLAM é se é necessário conseguir alguma autorização da operadora ou se é legal o seu uso.

Em primeiro lugar, temos a questão da propriedade dos pares telefônicos. Dentro de um condomínio, os pares metálicos são de propriedade do condomínio e não da operadora, sendo assim o condomínio pode fazer o que quiser com ele, não sendo necessário autorização de operadora para seu uso.

Repare no entanto que existem exceções. Alguns condomínios, para economizar, cedem o cabeamento interno para a operadora. Também é comum shopping centers fazerem o mesmo para empresas terceirizadas. Neste caso, o uso do cabeamento só pode ser feito com autorização da empresa que "comprou" o direito de uso do cabo. Esse tipo de situação é raro, mas acontece.

Por outro lado, o uso do DSLAM em aplicações externas, na rua, vai requer uma burocracia maior pois apenas as operadoras podem passar cabos em logradouros públicos.

Outro aspecto importante é a homologação na Anatel do DSLAM. Isso é responsabilidade de fabricante, mas é obrigatória essa homologação, pois o IP DSLAM será conectado aos pares metálicos que vem da telefonia pública.

Por último vem a questão da autorização para acesso Internet. Se o IP DSLAM for utilizado para fornecer acesso Internet, esse serviço só pode ser explorado por empresa autorizada pela Anatel, com licença Anatel apropriada, senão vira "Gatonet".

Me siga no Twitter: Marcelo L. Rodrigues (mlrodrig) on Twitter

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Atualizado 28-03-2011 em 07:17 por mlrodrig

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Comentários

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  1. Avatar de Gustavinho
    Ao meu ver o DSLAM hoje em dia ja é uma ferramenta que não traz tantas vantagens, mesmo até nos pontos que você disse sobre instalações como presidios e hospitais.

    Pois considerando a hipotese que pode ser aplicado a tecnologia do PLC nesses locais e obter maiores taxas de transmissões, os custos são bem menores e as facilidades maiores ainda.

    Enfim, parabens pelo post.....pouco se ouve sobre DSLAM.
    abração
  2. Avatar de mlrodrig
    Citação Postado originalmente por gustavinho69
    Ao meu ver o DSLAM hoje em dia ja é uma ferramenta que não traz tantas vantagens, mesmo até nos pontos que você disse sobre instalações como presidios e hospitais.

    Pois considerando a hipotese que pode ser aplicado a tecnologia do PLC nesses locais e obter maiores taxas de transmissões, os custos são bem menores e as facilidades maiores ainda.

    Enfim, parabens pelo post.....pouco se ouve sobre DSLAM.
    abração
    Vc tem algum caso de sucesso de PLC em ambientes como presidios, hospitais ou qualquer um que tenha mais de 200m de cabo e que pudesse compartilhar com a gente? Eu já vi algumas tentativas de projeto com PLC, exceto alguns sucessos em prédios (que tem distâncias curtas), nunca vi bom resultado.
  3. Avatar de Gustavinho
    Então eu vi uma matéria que me chamou atenção de um projeto da CEMIG em Belo Horizonte, onde eles colocaram um terminal master PLC que injetava o sinal nas fases e no neutro do circuito secundário, deixando o sinal disponível a todos os consumidores numa média de "50" que estivessem ligados no circuito elétrico deste transformador.

    Ele cobria trechos de 600m em média...........mais isso foi em 2003...

    Tinha visto um outro projeto também bem detalhado de uma estrutura parecida que a CEMIG utilizou, mais atual, mais não me lembro onde foi.

    Eu mesmo implantei em um prédio de 18 andares no topo da caixa d'agua o master e ligue o slave na recepção, e obtive bons resultados na navegação.....
  4. Avatar de mlrodrig
    Citação Postado originalmente por gustavinho69
    Então eu vi uma matéria que me chamou atenção de um projeto da CEMIG em Belo Horizonte, onde eles colocaram um terminal master PLC que injetava o sinal nas fases e no neutro do circuito secundário, deixando o sinal disponível a todos os consumidores numa média de "50" que estivessem ligados no circuito elétrico deste transformador.

    Ele cobria trechos de 600m em média...........mais isso foi em 2003...

    Tinha visto um outro projeto também bem detalhado de uma estrutura parecida que a CEMIG utilizou, mais atual, mais não me lembro onde foi.

    Eu mesmo implantei em um prédio de 18 andares no topo da caixa d'agua o master e ligue o slave na recepção, e obtive bons resultados na navegação.....
    Esse é exatamente o problema do PLC. Várias histórias de testes de "sucesso", que por alguma razão misteriosa não se transformaram em produto. Na grande maioria dos casos dos testes de sucesso o que temos são testes cujos resultados foram relatados de maneira exageradamente otimista pelos fabricantes (afinal, se foram tão bons, porque não viraram produto?).

    Na prática o PLC serve para atingir prédios residenciais, desde que não exista um fator de potência muito descompensado na rede elétrica. Em prédios corporativos, aonde predominam as lampâda fluorescente, por exemplo, já é complicado.

    No seu caso, pelo que entendi, você instalou um master e um slave a uns 60m de distância (18 andares). Isso é um pouco diferente do que prover acesso Internet para vários moradores e você há de convir que não representa um teste de carga adequado para comprovar a viabilidade de uma tecnologia...
  5. Avatar de Gustavinho
    Sim eu concordo, realmente é uma tecnologia que se ouve falar muito bem....porem poucos casos de sucesso....até então a citação que eu fiz em relação a CEMIG, ela investiu 200 mil reais para este projeto, no qual rodou 360 dias até a ultima postagem de resultados. Não sei como esta hoje e se ainda utilizam....

    Ah sim, esses 60 metros servem apenas como um parametro para o uso restrito da tecnologia em um local como prédios...Não ainda como um fornecimento padrão de atendimento em massa.

    Mas quando me referi ao DSLAM, me basiei nessa comparação com o PLC, em uma questão para os ambientes que você citou como Presidios, Hospitais e etc....Pois até onde ouvi da ultima vez, o custo do equipamento não era tão barato no qual também necessita de um conhecimento técnico mais aplicado com a tecnologia.

    Aqui até então na minha cidade sei que a telefonica utilza DSLAM e limita a venda em até no maximo 8 MBs, isso para quem fica a curtas distancias dos DGs dela. E vejo que ela também sofre com os outros concorrentes como a NET que ofertam maiores velocidades em métodos triple play. Com isso meu ponto vista faz com que eu pense que o DSLAM não se torne muito vantajoso hoje em dia.......mas sei que é uma solução para outra tipo de prática.
    Atualizado 28-03-2011 em 16:37 por Gustavinho
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