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Tecnologia de Redes, Mobilidade e Inovação

Comparativo prático entre link dedicado, MPLS e Frame Relay

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Hoje é essencial para empresas e corporações conectividade de dados entre suas filiais, escritórios, fábricas, etc. Com a diversidade de operadoras existente hoje, também existe uma grande variedade de tecnologias de conexão oferecidas pelos vendedores dessas operadoras.

No entanto esses vendedores normalmente fazem mais confundir do que esclarecer ao oferecer as opções de conexão e principalmente, ao compararem suas ofertas com as dos concorrentes. Além disso muitas operadoras dão "nomes fantasia" aos seus produtos, que escondem a tecnologia efetivamente utilizada, dificultando ainda mais a compreensão do que está sendo ofertado.

O objetivo deste texto é apresentar uma comparação prática entre as tecnologias atuais de conectividade, sem entrar muito em detalhes técnicos.

Link Dedicado

O link dedicado, enlace dedicado, conexão dedicada (ou qual seja o nome que o vendedor de ao produto) é, como o próprio nome diz, uma conexão direta, sem escalas, entre dois pontos. Essa conexão pode ser por par metálico (desde um simples ADSL até modem de alta performance), fibra ótica ou mesmo conexão via rádio.

As vezes a operadora pode colocar repetidores, por exemplo no caso de um link dedicado via rádio, aonde existe algum obstáculo ou o relevo no local é acidentado. Neste caso, por exemplo, a operadora pode escolher uma torre intermediária como repetidora. Repare também neste caso que, tecnicamente falando, teremos dois links dedicados: um do ponto A até a torre e depois outro da torre até o ponto B.

Vantagem

A grande vantagem do link dedicado é que ele tem um aproveitamento de 100%, todo o tempo. Se é contratado um link dedicado de 2 Mbps, então é certeza que haverá 2 Mbps de banda disponível o tempo todo. Obviamente que se houver algum falha nos equipamentos ou no cabo haverá um corte de conexão. Quando digo que a banda é aproveitada 100%, é porque no caso do Frame Relay ou MPLS existe a possibilidade (dependendo da operadora) da banda fornecida não ser 100% aproveitada todo o tempo, vou explicar melhor mais abaixo.

Desvantagens

Por outro lado existem desvantagens com o link dedicado. Se houver necessidade de conexão com várias localidades distintas, será necessário um link dedicado para cada localidade, com um roteador (ou pelo menos uma porta de roteador) para cada um dos links.

Por exemplo, imagine uma empresa com uma matriz e 5 filiais. Seriam necessários 5 links dedicados chegando na matriz. E se uma filial necessitar se comunicar com outra? Nesse caso, ou o tráfego passa pela matriz duas vezes (da filial A para matriz e depois da matriz para a a filial B) ou então se faz necessário mais links dedicados também nas filiais (por exemplo, um link dedicado filia A para filial B).

Para as operadoras, os links dedicados também são um problema. Imagine um cliente da operadora que tenha uma matriz no RJ e uma filial em SP, nesse caso se a operadora tiver que dedicar uma fibra ótica para cada cliente que queira uma comunicação SP-RJ, a operadora terá que investir em milhares de cabos de fibra ótica, o que é inviável. Nesse caso o ideal, para a operadora, é passar alguns poucos cabos e compartilhar esses mesmos cabos entre vários clientes (neste caso entram os protocolos como Frame Relay e MPLS explicados abaixo).

Assim, os links dedicados não são viáveis em grandes distâncias, normalmente se aplicam apenas dentro de cidades (aonde a operadora tem disponibilidade de cabo) e também para projetos com poucas conexões (ex.: uma matriz e poucas filiais).

Frame Relay e MPLS

Os protocolos como X.25, Frame Relay, ATM e MPLS foram criados para, entre outras coisas, permitir o compartilhamento de enlaces. Todos eles tem o mesmo principio básico: a operadora instala em seus sites equipamentos comutadores (comutador Frame Relay, comutador MPLS, etc.) e conecta esses equipamentos através de vários link dedicados de alta capacidade.

Assim, por exemplo, uma operadora com Frame Relay pode instalar um comutador em seu escritório em SP e outro em seu escritório no RJ e conecta-los através, por exemplo, de 2 links dedicados de 1 Gbps cada. Se o cliente XYZ necessitar de um link de 2Mbps da matriz no RJ para uma filial em SP, de 2Mbps, a operadora faz um link dedicado da matriz XYZ no RJ o escritório da operadora no RJ. Depois outro link dedicado da filial XYZ em SP para o escritório da operadora em SP. Com isso pronto, basta configurar os comutadores para liberar apenas 2Mbps entre esses dois links dedicados.

Agora, se outro cliente (vamos chama-lo de cliente ABC) quiser também conectar matriz-SP com filial-RJ, basta a operadora conectar matriz-SP com escritório-SP e depois conectar filial-RJ com escritório-RJ, novamente aproveitando os dois links de alta capacidade que já existem entrem escritório-SP e escritório-RJ.

Repare que os comutadores não são exatamente o mesmo que roteadores. Tanto o roteador como os comutadores decidem para onde enviar tráfego. Porém os comutadores não se preocupam com o roteamento IP. Assim o cliente XYZ pode usar uma rede IP 192.168.0.x e o cliente ABC também que não haverá conflito. Se a operadora utilizasse um roteador, nesse caso haveria um conflito de rotas entre esses dois clientes. No caso dos protocolos citados (Frame Relay, MPLS, etc.) a regra é configurada para os enlaces, assim independe dos endereços que cada cliente esteja utilizando.

Outra vantagem do X.25, Frame Relay, MPLS e ATM é que a operadora pode vender mais banda do que tem (a chamada sobrescrição). No nosso exemplo, temos 2 Gbps entre o escritório de SP e RJ, então quantos links de 2Mbps e operadora poderia vender, entre SP e RJ? A matemática nos diz que seriam no máximo 1.000 links de 2Mbps. No entanto a operadora sabe que nunca (ou quase nunca) estarão sendo utilizados todos os links ao mesmo tempo, então ela pode vender um pouco mais de 1.000 links de 2Mbps (por exemplo 1.100 links de 2Mbps) dentro desses dois links de 1Gbps.

Repare que isso pode ser uma desvantagem do Frame Relay/MPLS, pois se a operadora fizer a conta errado, pode ocorrer momentos em que a demanda de tráfego seja maior que os 2Gbps e, nesse caso, a banda entregue efetiva será menor que os 2Mbps contratado por cada cliente.

Outra vantagem desses protocolos é que essa multiplicação (ou multiplexação) também pode ocorrer nas pontas. Suponha que o cliente XYZ tenha uma matriz em SP e 10 filiais espalhadas pelo Brasil. A operadora conecta um link dedicado de alta capacidade da matriz em SP para o escritório da operadora em SP (10Mbps por exemplo) e na comutadora configura que esse mesmo link pode se comunicar com vários outros pontos pelo Brasil.

Assim, esses protocolos permitem com que a matriz receba um único link dedicado, o que significa ter um roteador mais simples (com apenas uma porta) para acomodar as várias conexões.

Resumo

Logicamente que existem diferenças entre Frame Relay e MPLS, mas, para o que interessa para 99% das empresas no Brasil, essas diferenças não são significativas.

O mesmo vale para uma comparação link dedicado com Frame Relay ou link dedicado com MPLS. Por exemplo, o MPLS permite com que o cliente final (empresa que contrata o link) possa ter um roteador MPLS e fazer ajustes ela mesma na forma como usa a conexão. Porém a realidade é bastante diferente, sendo que a vasta maioria das empresas não tem esse conhecimento técnico. Assim, o que acaba ocorrendo, é que a operadora instala o roteador (quer seja link dedicado, Frame Relay, MPLS, etc.) e utiliza uma configuração padrão, talvez com algum nível de personalização de acordo com as necessidades do cliente.

Por outro lado, cada operadora tem um pacote de ofertas. Nem toda operadora tem MPLS, outras tem MPLS em algumas regiões o Frame Relay em outras, algumas ainda só oferecem link dedicados e roteamento IP. Mesmo as que oferecem MPLS/Frame Relay, o cliente nunca saberá quanto de sobrescrição a operadora está fazendo nos links de longa distância.

Assim, a moral da história é a seguinte: mais importante do que a tecnologia ofertada, são as garantias oferecidas pela operadora. Quanto de banda ela garante efetivamente? Qual o custo? Qual o prazo de re-estabelecimento de serviço no caso de alguma falha? Quanto de multa o cliente pode aplica na operadora caso ela não cumpra algum dos compromissos?

Na minha opinião, está a cláusula de penalidade é a mais importante. Não adianta nada a operadora prometer mundos e fundos se, no final, o cliente não tiver formas de obrigar a operadora a cumprir com essas promessas.

Me siga no Twitter: Marcelo L. Rodrigues (mlrodrig) on Twitter

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Comentários

  1. Avatar de wescleywifi
    Parabens -
  2. Avatar de Herman Monteiro
    Boa tarde amigo, li seu texto mas ainda tenho uma duvida.


    Aqui na empresa possuo uma terminal server configurado para que as nossas filiais consigam acessar o nosso sistema que esta instalado neste Terminal Server, porem, o acesso é muito lento e trava toda hora, inclusive a conexão fica caindo tambem, neste caso pode me dar dicas sobre qual tecnologia escolher? VPN MPLS ou apenas Internet Dedicada? atualmente possuimos banda larga de 10 MB. Pesquisando na internet encontrei pessoas que utilizam as duas tecnologias, ficou meio confuso aqui. =/
  3. Avatar de Átila Castro
    [SIZE=2]Muito boa a matéria. Obrigado.

    Agora, [URL="https://under-linux.org/member.php?u=101488"]Herman Monteiro[/URL][COLOR=#3333cc][B].[/B][/COLOR]

    Eu trabalho em uma empresa que tem um cenário parecido com o seu, temos uma matriz e varias filiais se conectando nesta matriz via TS para utilizar o sistema ERP.

    E coloquei enlaces dedicados MPLS com 2Mbps nas filiais e 8Mbps na Matriz. Desta forma funciona perfeitamente, sem lentidões, sem quedas ou travamentos. De vez em quando acontece algum probleminha no backbone da operadora mas se resolve rápido.

    Então aconselho a utilização desta tecnologia deixando sua banda larga só para contingência.

    Abraço,[/SIZE]

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