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A quantidade de rotas IPv6 passa dos 10% do total de rotas no Brasil

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Segundo o site do RIPE as redes IPv6 já são mais de 10% de todas as redes no Brasil e, principalmente, a taxa de adesão ao IPv6 vem crescendo de maneira constante e agressiva desde de 2009.

O RIPE é o orgão que coordena a distribuição de endereços IPs na Europa e parte da Ásia. No site do RIPE existe uma ferramenta que permite a comparação da taxa de adoção do IPv6 em relação às redes IPv4 entre vários paises e até mesmo regiões: http://v6asns.ripe.net/v/6

Neste gráfico abaixo tirado desse site temos uma comparação da adoção do IPv6 na Ásia em amarelo (região controlada pela APNIC), na América do Sul (LACNIC) em vermelho e Brasil em azul (clique no gráfico para ampliar).

Nome:      adocao_ipv6.jpg
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Tamanho:  45,9 KB


Interpretando o gráfico

Como qualquer gráfico, é importante compreender corretamente o que ele representa para podermos entendê-lo.

Esse gráfico foi montado consultando as rotas BGP (que são as rotas globais para todo o mundo) e fazendo a contagem de quantas rotas existiam para cada país, tanto IP tradicional (IPv4) como IPv6.

Em primeiro lugar, existe uma taxa de erro nesse gráfico causada pelo fato de que não fácil saber exatamente qual rota está em qual país. Existem algumas tabelas de blocos de endereço IP para cada país ou região, porém essas tabelas não são 100% corretas. Por exemplo, no começo da Internet brasileira, muitas universidades daqui receberam IPs gerenciados pelo RIPE (que, como já foi dito acima, controla Europa e parte da Ásia), assim sem essa correção essas rotas IPv4 brasileiras acabam sendo contabilizadas como da Europa. Nesse gráfico o RIPE tentou corrigir esses erros, mas não existe 100% de certeza.

De qualquer maneira a importância desse gráfico, mais do que saber se o Brasil tem 10,1% ou 10,2% de rotas IPv6, é mostrar o crescimento e taxa de adesão do IPv6 versus as redes IPv4.

Porém existe mais uma informação importante que deve ser levada em conta na análise desse gráfico: o fato de existir uma rota, não indica quantos IPs estão sendo efetivamente utilizados. Uma rota IPv6 pode suportar bilhões e bilhões de IPs, mas pode ser que esteja sendo utilizado apenas um punhado de endereços. Na verdade, uma única rota IPv6 pode ter mais IPs do que toda a Internet IPv4 junta (apesar de que ainda estamos bem longe disso acontecer com qualquer rota IPv6 existente hoje).

Então, que tipo de conclusão podemos tirar desse gráfico? Para respondermos a essa pergunta, precisamos lembrar ainda a forma como as rotas são distribuídas. Cada país possuí um órgão responsável pela distribuição dos IPs (aqui no Brasil é o NIC.Br) que está abaixo de uma regional (para a América Latina, essa regional é o LACNIC). Existem regras bem claras para distribuição dos lotes de IPv6 de forma a evitar desperdícios, assim não existe exagero na distribuição desses lotes.

Como o IPv6 ainda não está sendo adotado pelos usuários, esse crescimento no número de rotas IPv6 só deve ter uma explicação: cada vez mais as operadoras estão se preparando, montando suas redes e testando os serviços prestados.

Pela evolução da porcentagem de rotas IPv6 x IPv4 podemos dizer que a primeira perna na adoção do IPv6 – que é o backbone das operadoras – está aparentemente em uma boa marcha. Ainda estamos bem longe do Japão, que conta hoje com mais de 25% de suas redes em IPv6, mas estamos perto da média mundial dos países desenvolvidos e na frente dos nossos irmãos da América Latina como Argentina, México e Chile. Mas o mais importante é que se observarmos a taxa de crescimento, o Brasil está crescendo suas redes IPv6 a uma velocidade muito maior do que os principais países e de maneira constante desde 2009, o que é seguramente um bom sinal

Repare que isso não quer dizer que as operadoras estejam 100% preparadas para IPv6. Para isso elas necessitam ter os equipamentos dentro da sua infra-estrutura prontos, as equipes de operações treinadas e o pessoal de suporte capacitado. Eu duvido que exista alguma operadora no Brasil que tenha isso tudo pronto, mas esse crescimento vigoroso desde 2009 já é um bom sinal de que, apesar de não estarem na velocidade ideal, as operadoras brasileiras não estão paradas.

Me acompanhe no Twitter: http://twitter.com/mlrodrig

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Atualizado 29-04-2011 em 13:08 por mlrodrig

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Comentários

  1. Avatar de rubensk
    BGP Routing Report Brasil | SCW Internet Routing Registry tem números levantados por brasileiros sobre isso, e haverá uma apresentação deles na próxima reunião do GTER (Home — GTER).

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