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acris

Uso de computador na escola: um engano?

Avaliação: 5 votos, 4,40 média.
Quando vi o artigo na FAPESP sobre a pesquisa de desempenho de estudantes nas áreas de português e matemática, relutei muito em publicar na Underlinux. O peso de uma pesquisa feita na UNICAMP sempre é grande e eu estava desconfiada dos resultados. No entando, a Br-Linux e o Dicas-L resolveram publicar a notícia e me sinto, então, obrigada a escrever o que minha experiência acadêmica tem mostrado.

Que experiência é essa? Bom, quem sou eu? Professora da UFMG com doutorado em semiótica pela USP e pós-doutorado em fonética acústica pela UNICAMP, coordenadora de dois projetos acadêmicos que transitam na área de software livre e que participam do FISL desde 2006: o Semiofon (pesquisa sobre fala) e o Texto Livre (grupo de suporte à documentação em software livre).

Trabalho com computador em sala de aula desde 2005, na UFMG. O maior problema enfrentado é que os alunos em sua maioria não sabem usar computador e nem estão familiarizados com a Web. Gasto muito tempo ensinando isso. Mas porque insistir então? Porque os resultados são SEMPRE melhores. O método consiste em diminuir o foco da teoria para colocar na prática. É uma atividade bem ao modo da semiótica, uma teoria que entende a construção dos seus conceitos em via dupla: a teoria precede a análise mas análise pode rever a teoria e reconstruí-la.

O Texto Livre surgiu dessa experiência e do contato com as comunidades de software livre e hoje está bastante avançado na proposição desse método, que procuramos divulgar cada vez mais entre professores da nossa área.

Quanto à pesquisa, fiz questão de ler na íntegra o artigo publicado pelas pesquisadoras da UNICAMP (leia aqui) e constatei alguns pontos importantes:
  • embora elas considerem que a escolaridade dos pais ou responsáveis pelo aluno possam interferir nos resultados, isso não é, de fato, levado em conta nas análises;
  • existem fatores não considerados para a conclusão final, mesmo alguns apontados por elas:
    • o fato de que os alunos que mais têm acesso ao computador seriam aqueles que trabalham, portanto misturariam trabalho e estudo, de modo a obter notas menores
    • o fato de que o uso de computador para fazer lições sem uma orientação específica dos professores nesse sentido pode realmente ter resultados catastróficos e
    • a massiva maioria dos professores no Brasil não possuem formação adequada para trabalhar com computador;
O computador não é uma varinha de condão, ele é uma ferramenta para ter acesso a uma infinidade de informações, desde informações úteis até aquelas que eu, ironicamente, chamaria de peçonhentas por seu conteúdo venenoso, ao passar informações erradas aos usuários.

O computador também é uma ferramenta de trabalho, para produção de conhecimento, por meio de diversos aplicativos, incluindo o programa R (de estatística, excelente programa open source), citado pelas próprias pesquisadoras.

Sendo assim, e para frear meu entusiasmo que encontraria mais mil exemplos, concluo que a abordagem dos resultados é ideológica. As pesquisadoras colocam a questão da ideologia em sua conclusão, e não estão erradas, mas deixam de dizer algo extremamente importante: toda tecnologia pode ser usada construtiva ou destrutivamente (veja-se a energia atômica), portanto tudo depende do preparo de quem fornece o acesso a essa tecnologia, no caso, pais e professores.

Atualizado 14-02-2008 em 11:12 por acris

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Comentários

  1. Avatar de Não Registrado
    Doutora,

    Feliz estou em encontrar uma voz de tanto peso avalizando minha teoria sobre a questão computacional nas escolas. Confesso que lendo o estudo da Unicamp fiquei cabisbaixo principalmente pela reputação da instituição. Entretanto agora faz-se justiça ao aprofundar o assunto e mostrar que nem aqueles que a reputação os precede, estão corretos.

    Há alguns dias escrevi artigo sobre o assunto fazendo inclusive um paralelo ao que vivi no sudeste asiático durante um ano. Se tiver interesse o mesmo pode ser lido em [url]http://www.dicas-l.com.br/linha_de_data/linha_de_data_20080206.php[/url]

    Saudações
    Paulino Michelazzo
    [url]http://www.michelazzo.com.br[/url]
  2. Avatar de Não Registrado
    "O maior problema enfrentado é que os alunos em sua maioria não sabem usar computador e nem estão familiarizados com a Web."
    Esta frase se aplica, e muito bem, a qualquer estudante brasileiro. O computador virou um simples eletrodoméstico: o "gênio" dos computadores que os pais tanto admiram são, em sua imensa maioria, simples utilizadores de messenger-orkut-jogos.
    O Vestibular, tão combatido nos últimos anos, ainda é a melhor ferramenta para avaliar se um aluno está apto a ingressar nas nossas maiores universidades. Penso que, por se tratar de matéria imprescindível para nossos alunos em qualquer área que escolham para atuar, fundamentos de informática deveriam ser cobrados nesta avaliação - e não estou, obviamente, falando de 'coisas' como o messenger :)

    byCE
  3. Avatar de Não Registrado
    Eu sou totalmente contra a aquisição desses milhares de "laptops" para equipar as escolas BRASILEIRAS devido a alguns fatores:

    - Os professores, no geral, não estão capacitados a utilizarem esse tipo de equipamento;

    - Os professores não estão aptos a desenvolverem material digital para as aulas;

    - Não há infra estrutura na maioria das escolas, como cadeiras/mesas/tomadas adequadas para a utilização de um laptop.
    E Lembrem-se também que para 100.000 laptops é necessário 100.000 tomadas e pelo menos 1.000.000m de FIO (sendo bem otimista)! Eu sei que esse laptop tem bateria, mas um dia alguém precisará recarrega-las :-)

    - O computador proposto possui um teclado muito pequeno e um touchpad sem descanso de punho (eu utilizei o X0 da OLPC no FISL e detestei a sua ergonomia... E eu tenho apenas 1,65m e 45Kg, portanto tenho um porte físico de uma criança!)

    - Conheço muitas crianças que estão na quinta-série e ainda não sabem ler corretamente (falando sílaba por sílaba ao invés de dizerem a palavra completa).

    Serei totalmente a favor da aquisição do "laptop milagroso" caso:

    - Alguém convença aquelas professoras que trabalham a mais de 20 anos a utilizarem esse laptop nas escolas (lembrando que ela nunca utilizou um computador na vida);

    - Alguém forneça cursos adequados aos professores (mostrando como interagir com o computador, como integrar aula x computador x aluno, etc).

    - Alguém desenvolva e atualize um material digital para as aulas.

    - Alguém faça um planejamento da infra-estrutura necessária e do SUPORTE pós-venda. Não adianta nada abrir o portão da escola e jogar 100 laptops lá dentro!
    Lembrando que será necessário um setor de TI na escola. Eu conheço muitas escolas que possuem somente o ZÉ DO COMPUTADOR, responsável por instalar/reinstalar e formatar os computadores.

    - Alguém ensine os alunos a ler, escrever e ENTENDER o que estão lendo. Não devemos colocar a "carroça na frente dos bois" ao fornecer um laptop para um analfabeto funcional!

    Nós (eu e você que está lendo esse comentário) somos um grupo seleto, que possui computador, possui internet, possui curso superior (provavelmente), etc. NÃO PODEMOS ACHAR QUE TODOS SÃO ASSIM. Muitos professores nem sabem o que é o GOOGLE!

    Essa é a minha opinião que espero ser útil para algo.

    Att,
    Renato S. Yamane
  4. Avatar de Não Registrado
    Segue um post que fiz questão de guardar, para contrapor ideias desencontradas como a do Renato acima, que não parece ser da área de educação nem alguém que tenha um conhecimento profundo do OLPC, a ponto de afirmar questões que não correspondem a realidade.
    Segue o relato de um professor ligado ao projeto OLPC no Brasil:

    Frederico (usuário não registrado) em 6/02/2008 às 2:15 pm
    Prezados colegas,
    Acompanho a discussão do projeto UCA com muito interesse porque sou professor da rede pública municipal de Belo Horizonte e trabalho também com o uso de software livre nas nossas escolas. Pra quem não sabe TODAS as escolas municipais de Belo Horizonte utilizam GNU/Linux tanto nos laboratórios de informática quanto na parte administrativa e um projeto como o UCA serviria como um complemento ideal para nossas atividades. Assim gostaria de discutir algumas falas, na minha opinião, equivocadas e esclarecer outros pontos. Peço perdão pela extensão da mensagem.
    O primeiro equívoco é considerar o XO um “laptop pequeno”. O objetivo dele é outro e quem já usou o Sugar, seu sistema operacional, vai entender o que estou falando. A idéia é que ele funcione como um “caderno digital”, uma ferramenta de exploração e interatividade. Laptops tem outro objetivo, que é o de serem ferramentas de produção. Além disso, muitos adultos o acham chato ou pouco funcional. E isso tem uma explicação bem simples: ele NÃO foi feito para ser usados por adultos. Seu foco são as crianças. Já tive a oportunidade de conversar com algumas que fizeram parte de projetos pilotos e elas ADORAM o XO. NENHUMA delas questionou o teclado ou o touchpad. É muito complicado um adulto analisar ergonomia de um equipamento feito para crianças. Isso porque, mesmo que seja um adulto pequeno, suas proporções corporais são diferentes das de uma criança.
    Em segundo lugar, parem de achar que educação é algo linear e progressivo, onde uma coisa tem que ser aprendida para depois se aprender outra. NÃO é assim que a coisa funciona. O aprendizado ocorre em paralelo. Obviamente que a compreensão de determinados conceitos depende de outros aprendidos previamente, mas nas séries iniciais o processo é muito mais dinâmico. Além disso é um argumento no mínimo ingênio defender que as crianças precisam aprender a ler antes de usar computadores. Por que elas não podem aprender a ler USANDO computadores? Existem vários softwares livres de cunho educacional, voltado para crianças, que podem colaborar com esse processo de aprendizagem. Temos, por exemplo, o GCompris, só para citar um exemplo.
    Em terceiro lugar, a escola pública não é uma sucursal do inferno, onde tudo é roubado e destruído, como a imprensa adora mostrar. Se os livros estão destruídos ao final do ano (e isso não é uma regra), isso se deve à relação que os alunos estabelecem com o material e à postura do professor diante disso. Em minhas aulas, por exemplo, eu sempre trabalhei esse cuidado e a responsabilidade dos alunos com seu material. Além disso, só porque eles tratam os livros dessa maneira, não quer dizer que irão fazer o mesmo com computadores.
    Por fim, como já foi dito por várias pessoas, o objetivo não é ficar com o computador em uso durante todo o período de aulas. Primeiro porque uma aula em que o aluno fique digitando textos o tempo todo é insana (tão insana quanto aquelas em que o professor insiste em encher o quadro de coisas para serem copiadas). Como eu disse antes, a idéia é que esse equipamento seja um “caderno digital” a ser usado somente quando necessário. E para isso, não precisa ter um “material didático digital” disponível. Esse inclusive é um dos erros que as pessoas tendem a cometer quando discutem informática educativa. Uma planilha eletrônica pode ser muito mais “didática” do que vários “softwares educacionais” disponíveis por aí, desde que bem utilizada. Nessa linha, o ideal é que as aulas esjam espaços de interação, onde esse material vai ser construído coletivamente. Portanto, temos que tirar o foco da máquina. Ela é somente um instrumento e deve ser vista como tal. E como instrumento, ela deve ser manipulada, experimentada. Por isso não funcionaria a idéia de um computador projetando na parede. Afinal se for algo só pra ser visto, não precisamos de computador. Podemos gravar tudo em um DVD ou fita de vídeo-cassete e projetar para os alunos. É o mesmo efeito. Acreditem, eu já tentei usar um computador para mostrar coisas para uma turma de 35 alunos. Não foi uma experiência muito agradável… ;-)
    Portanto, amigos, antes de criticarmos a educação e as medidas tomadas para melhorá-la, é bom nos inteiramos do que REALMENTE acontece em nossas escolas. Existem equívocos nas políticas educacionais dos governos? Com certeza. Os professores são mau-remunerados? São sim. Mas temos que fazer lutas paralelas para resolver os nossos problemas e não esperar resolver um de cada vez na seqüência. Infelizmente vários dos argumentos que eu usei aqui se aplicam ao XO e não ao Classmate, que foi o vencedor. Eu não o considero uma escolha adequada justamente porque, ele sim, é um “laptop pequeno”. Mas ainda assim seu uso tem seus méritos. Bom, paro por aqui… Mais uma vez peço desculpas pelo tamanho da mensagem e agradeço a quem leu até o final… :-)
  5. Avatar de Não Registrado
    Adorei seu artigo! Não posso concordar mais com você. Acredito que o problema dos computadores, SEMPRE foi ( e SEMPRE será ) seus usuários. Acredito que a cultura brasileira ( muito comodista, dado o histórico assistêncialista do nosso governo ) faz uma diferença enorme nesse cenário.

    Sou aluno universitário de computação e presencio frequentemente pessoas que reclamam que o computador que elas usam pela máquina "se recusa a funcionar" [sic] ou nunca faz o que elas querem. Isso é reflexo dos valores dessas pessoas, que raramente são capazes de dizer "eu errei ao comandar a desinstalação do driver XYZ" ou "eu, por descuido, ignorei o aviso de vírus e entrei no site duvidoso" ou ( mais freqüente ) "não li aquela caixinha de texto que você mencionou".

    O problema do computador é o mesmo problema que enfretamos com os carros atualmente. Pessoas ignorantes estão "pilotando" essas máquinas. A diferença é que essas pessoas não são niveladas ( como ocorre com os carros ) ao adquirir uma máquina, o que é triste.
  6. Avatar de Fernando
    Estou de pleno acordo com a Ana!

    Você pode sempre procurar jogar a culpa onde quer que você ache apropriado, porém uma vez que você põe os pés no chão e para pra refletir, é fácil notar que 90% das razões para os problemas estão nas próprias pessoas.
  7. Avatar de Não Registrado
    Amigos,
    Tenho presenciado muitos comentários a respeito do assunto inclusão digital em software LIVRE.
    Inclusive gostaria de chamar atenção sobre alguns aspectos que são desprezados na implantação de soluçoes LIVRES na maioria dos casos.
    Normalmente, as pessoas diretamente envolvidas na implantação do software livre nas escolas pertencem a 3 grupos distintos:
    Alguém da área de informática - Que terá como foco, as ferramentas a serem utilizadas, o hardware em perfeito estado... em fim coisas do tipo.
    O professor - Que, se por sua própria conta conhece um pouco do mundo da informática, irá pegar feliz esse bonde,mas, em contra partida, se não teve nenhuma experiência anterior ficará a margem de um conhecimento que se fará extremamente importante daqui pra frente fazendo-o sentir certamente receio, medo e pavor...
    O terceiro personagem, é o político que com seriedade ou não, proporcionou a aquisição de tais recursos tecnológicos para tais escolas.
    Quando leio comentários como os do Sr. Renato, sinto que de fato a preocupação em preparar os profissionais para receberem essa nova tecnologia tem ficado de lado sim, e poucos são aqueles que tem condições de agirem com uma atitude pro-ativa. Bom seria de fato que todos possuísem o mesmo grau de conhecimento ou de desprendimento, mas, a realidade (sabemos ) é bem diferente.
    Em contra-partida gostei demais da positividade do Sr. Frederico, nos chamando atenção sobre a questão do paralelo que existe na educação. Realmente aprender a ler ou fazer continhas pode ser muito mais interessante se feito em um computador, fora muitos outros fatores que corroboram para o sucesso de tal ferramenta.
    Penso então que, precisamos de administração sim!
    Com planejamento, treinamento, acompanhamento... Aí , sim! Faremos a total diferença.
    Faço parte de um Projeto de Inclusão Digital, em de Software Livre para escola Particular, gostaria de compartilhar experiências...
    [email]neila@grupocomp.com.br[/email]
  8. Avatar de Não Registrado
    Sou POIE (Professora Orientadora de Informática Educativa) na prefeitura e acabei de fazer cursos que irei trabalhar com os meus alunos para explorarem mais a WEB, ter mais conhecimento na informática. Ouvi comentários no Campus Party que participei que o governo colocará pequenos computadores nas escolas públicas com um custo para que todos adquiram, quem sabe isso ajudará a melhorar o ensino.
  9. Avatar de acris
    Tenho acompanhado iniciativas de grupos de professores universitários oferencendo cursos de extensão há mais de 25 anos. Desde cursos para professores rurais (na época eu era uma pré-acolescente e acompanhava minha mãe nessas empreitadas) até cursos de linguagem e tecnologia.
    Eu tenho certeza que administração faz diferença, mas também acho que fortalecer as iniciativas locais é de extrema importância, principalmente pelas diferenças sociais e culturais que vemos nesse enorme Brasil. Acredito que toda iniciativa governamental vai falir se tratar o Brasil como um todo homogêneo. O governo pode e deve ter sua política em relação à inclusão digital, mas precisa incluir nessa política o entusiasmo de grupos e mesmo indivíduos (geralmente professores) em busca de soluções para o problema.
    Sobre o entusiasmo dos professores, não falta. Basta lembrar que um dos maiores eventos da área de letras no Brasil é de professores reunidos num congresso sobre ensino de leitura, inclusive digitalizada.
    Sobre iniciativas na área e respeito às diferenças sociais, basta lembrar de telecentros dedicados desde a favelas do Rio de Janeiro até a comunidades de pescadores de Florianópolis.
    Eu trabalho com isso no Texto Livre, outras pessoas trabalham em outros projetos... Já ouvi falar de um portal para divulgar esse tipo de iniciativa (nem sei se foi pra frente), alguém sabe sobre isso?
    Podemos criar um espaço aqui mesmo, na Underlinux, ou junto à Associação de Leitura do Brasil. Para trocar idéias, para divulgar os trabalhos, para mostrar nosso potencial, que a meu ver será muito mais poderoso se for levado como força conjunta do que em estado de competição.
    Atualizado 17-02-2008 em 08:28 por acris
  10. Avatar de Não Registrado
    Olá Ana, td bem contigo? Gostei muito de ler teu post " Uso de computador na escola: um engano?" através do site br-liinux.org e gostaria de parabenizá-la por essa "reação" ao estudo realizado na Unicamp. Aproveito então para perguntar sua opinião sobre o que se convenciona chamar de Web 2.0, uma vez que no final de seu texto pode-se ler que:
    O computador não é uma varinha de condão, ele é uma ferramenta para ter acesso a uma infinidade de informações, desde informações úteis até aquelas que eu, ironicamente, chamaria de peçonhentas por seu conteúdo venenoso, ao passar informações erradas aos usuários.

    Abraços
  11. Avatar de acris
    resolvi responder em outro post. Obrigada, anonnymous
    Atualizado 21-02-2008 em 08:46 por acris
  12. Avatar de Não Registrado
    Sou mestranda em Linguagem e Tecnologia na UFMG e temos refletido muito sobre a relação computador/educação. Penso que antes de iniciar uma pesquisa sobre a interferência da internet na aprendizagem, por exemplo, é necessário partir de uma reflexão sobre qual objeto será analisado e de qual ponto de vista. Isso porque essas questões influenciam diretamente na interpretação dos dados. Já li uma pequisa que partia claramente de uma visão negativa das tecnologias na educação e, portanto, os dados foram coletados e analisados de modo a confirmar esse ponto de vista negativo. Assim, é preciso pesquisar de forma a buscar parâmetros que demonstre o desempenho do educando e as reais contribuições das ferramentas tecnológicas nesse desempenho.
    Mônica
  13. Avatar de woodson
    Bom, após ler tanta coisa e observar como o texto digital se desdobra em tantos outros, uma discussão que o texto em sala de aula não alcança, tenho que fazer minhas observações:
    -Primeiro, é que sou obrigado a fazê-lo, já que a autora do texto que devo comentar é minha professora e como ela nos impôs essa tarefa, portanto, o fato das aulas serem virtuais não significa que os alunos façam o que bem entenderem: o grau de liberdade da aula virtual é relativo;
    -Segundo, é que o texto da Cris comenta uma pesquisa ao qual não tive acesso e não tenho a referência. Apesar disso, fui levado a ler os comentários, portanto, a ler muito mais do que faria numa aula presencial e a despender muito mais tempo nesse interagir e, em compensação, a ter acesso a muito mais informação (filtrada pela ótica e experiência dos colegas) que teria numa situação presencial;
    -Terceiro, é que tenho a sensação, que fico sobrecarregado, muitas vezes, pelo excesso de informação e de ficar olhando para essa tela iluminada, o que cansa sobremaneira as vistas. O mal uso dessa máquina pode causar problemas de saúde dos mais variados tipos: saber como usá-lo, ter uma disciplina saudável, é indispensável, como conteúdo da aula que ensine informática ou use o computador como ferramenta;
    -Quarto, é que há uma tendência de diminuir a importância do professor no processo de aprendizado do aluno, sim. As iniciativas do governo têm investido em ações que procuram financiar iniciativas que dispensam a tutela do docente, colocando-o a margem do processo de educação, como um mero executor dessas macro-políticas educacionais e até, muitas vezes, nem isso, porque, embora ineficientes, são, a princípio, mais visíveis e rendem mais votos, além de obter o apoio do comércio que lucra com a compra massiva de equipamento que, do contrário, viraria sucata, pois não são poucos que vêm com defeito de fábrica, já que o controle de qualidade por parte do usuário, praticamente não existe.
    O resultado desse tipo acéfalo de iniciativa educacional (cuja mediação do professor foi dispensada), e mediado por um dispositivo informático capenga e perneta, pode ter sido a causa da ineficiência detectado pela pesquisa e não pela inadequação da metodologia tradicional de ensino quando transposta para o meio informático (não linearidade etc). Assim, seja no meio virtual ou no presencial, a mediação do professor e sua valorização, bem como, sua preparação e remuneração, são fator preponderante para a eficiência de bom projeto educacional, seja no meio virtual ou no presencial. É nisso que o governo tem pecado.
    -Quinto, melhor seria que colocassem a disposição da escola crédito para financiar projetos dos professores e da comunidade escolar como se faz com a Cultura, onde abrem-se editais de incentivo para produções de teatro, dança, música, etc. Isso dá mais resultado que comprar uma "porrada" de laptops no topa tudo por dinheiro.
  14. Avatar de acris
    Ops, como deixei faltar os links?
    AGÊNCIA FAPESP: http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8403
    Artigo na íntegra: http://www.scielo.br/scielo.php?scri...m=iso&tlng=ptt

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