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acris

Poesia e computador

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Esse texto surgiu de uma leitura errada do título anterior (pesquisa e computador).
Que coisa estranha falar de poesia e computador, eu pensei. Daí comecei a lembrar que não é tão estranho assim.
Em 2003 eu comecei a aprender a mexer em páginas web e htmls para fazer uma revista online científica, o CASA - Cadernos de semiótica aplicada, sediada na UNESP até hoje. Fui embora de São Paulo e deixei a revista. Mas na época nós, da comissão editorial, achamos que a revista precisava ter um lado lúdico. Assim, criamos a seção sarau, que publicaria poesias, músicas e outras manifestações artísticas devidamente selecionadas pela comissão editorial.
Claro que a grande crítica foi: poesia no computador não pode ser igual a poesia em livros! Com os parcos recursos de quem sabia nada de edição ou criação de páginas e estava apenas entrando num caminho que jamais sonharia ir tão longe (como aprender a programar em diversas linguagens), criei uns visuais bem pobrinhos para as poesias (e, cabe notar, sou péssima em visual) que foram online.
Em 2005 criei um projeto para modificar o XOOPS (um gerenciador de conteúdos web ou, em palavras xulas, um "fazedor de homepages") a fim de permitir a criação de portais artísticos que funcionariam como galerias de arte. O projeto gorou porque ficou sem verba, mas confesso que ficou bem interessante. Um dos nossos betatesters, dois bailarinos, ficou tão entusiasmado que criou sua própria página web (www.thedancingcentaur.com), usando xoops. Vale a pena conhecer.

Hoje Hollywood usa computação gráfica a roldão para fazer seus filmes, mas não somente aqueles filmes comerciais. Já assisti excelentes produções, principalmente curtas, realizados com computação gráfica (adoro lembrar que muita coisa hoje é feita em linux).

Mas afinal, o que é poesia? Falei de filmes, músicas, dança e poemas. Falei de tudo isso porque poesia é uma forma de dizer as coisas cotidianas com palavras, gestos, sons, imagens incomuns. Ao fazer isso, ela nos traz para mais perto do mundo e de nós mesmos, nos tira da rotina e abre nossos sentidos para uma recepção mais crítica.

Sim, existe lugar para a poesia no mundo binário, muito além de soluções técnicas e layouts criativos (que podem também ter sua poesia). De quebra: existe lugar para a poesia no mundo livre. Ainda bem ;-)
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Comentários

  1. Avatar de Não Registrado
    Ora, poesia é uma forma de retratar a realidade, o sentimento, afilosofia, a visão do mundo e das coisas. Cada qual tem a sua singularidade na forma de registrar. e po que não no computador? Não vejo problema, pois se a tecnologia se faz marcante na pós modernidade, se está ao nosso alcance e pode e vem agregar conhecimento, uma nova forma de adquirir conhecimento...
    A poesia não se faz presente somente nos livros de papel, agora, há uma mudaça de paradigmas, onde a folha passa a ser a tela, a caneta e o tinteiro passam a ser o teclado e os leitores têm novas perspectivas.
  2. Avatar de acris
    Creio que vai ainda além disso: desde a poesia concreta, o uso do espaço na folha tornou-se parte integrante da poesia, misturando elementos da linguagem visual à linguagem verbal. O computador permite ampliar esse horizonte, com links, com uso de movimento, dentre outras coisas, trazendo mais fortemente o sentido de poético à poesia. Não estou querendo desvalorizar a poesia feita em papel: apenas gostaria de ressaltar que podemos estar observando o nascimento de um novo gênero.

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