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Regulamentar a profissão de informática

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Eu não conseguiria escrever um outro artigo que chegasse aos pés do excelente "Regulamentar a informática?", de Paulino Michelazzo, sobre o projeto de lei que se propõe regulamentar a profissão de informática. Se você não leu, leia, vale a pena.
Gostaria de pensar sobre o assunto...
Nem todas as profissões no Brasil são regulamentadas, mas dentre as que são muito me chama a atenção a medicina. A primeira idéia que vem à cabeça é: claro que precisa regulamentar, ora, onde já se viu um médico que não fez medicina cuidar de pessoas? Pois bem, a meu ver podem sim. Claro, não qualquer um, mas desde que a medicina está regulamentada muitas pessoas com tratamentos alternativos tornaram-se marginais e precisam esconder-se para poder praticar seus tratamentos sem ir para a cadeia. Eu mesma já acompanhei um excelente massagista que sofreu essa ameaça e precisou parar de exercer a profissão. Eu também já curei algumas doenças com ervas fornecidas por um especialista em ervas, no interior do Rio Grande do Sul. Voce deve estar achando que sou doida, mas essas coisas aconteceram há uns 20 anos e certamente ainda acontecem no interior, onde as pessoas, por mais que você não acredite, são mais livres, nesse sentido. Ainda hoje tomamos chazinho pra isso ou aquilo, e também nos auto-medicamos, para a felicidade das farmácias. Quando os médicos conseguirem curar todas as doenças sem nos encher de efeitos colaterais eu concordarei em repensar essa liberdade.
Ora, pela lógica urbana esses malucos de plantão precisam ser varridos do mapa.
Agora me responda: porquê na informática seria diferente?
Não, antes de responder, pense em outra coisa: eu sou professora universitária, estou na universidade, tenho interesse em que os valores acadêmicos, como o diploma, sejam socialmente reconhecidos. Porque estou aqui blasfemando esse reconhecimento?
Porque reconhecimento não é retaliação. Reconhecer que um médico pode me tratar não precisa passar por um não reconhecimento do chazinho certo na hora certa. Porque, então, reconhecer o profissional de informática significaria retaliar toda a comunidade ativa que produz na área de informática?
Muito mais que isso:
As agências de suporte à pesquisa já reconheceram há um bom tempo que o conhecimento precisa ser multidisciplinar, senão caímos na estagnação. O software livre sabe muito bem disso: os melhores programas são feitos por equipes integradas por pessoas que precisam desses programas, da área de aplicação.
Espero que essa lei não passe.
Com licença, vou tomar um chazinho de hortelã porque uma lei dessas, ninguém merece.
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Comentários

  1. Avatar de killabc
    Oi...Esse tema realmente é bem polemico. Vejo hoje na nossa area uma grande confusao, pois qualquer pessoa pode ser autodidata e ser um técnico de informática. Eu mesmo conheço muita coisa porque estudei sozinho, mas segui o longo caminho de segundo grau técnico, faculdade de ciencia da computacao e agora finalizando a pós.
    Mas fazer oque infelizmente no brasil tudo é errado.hehehe
    Gostei do teu artigo, vou começar acompanhar mais seguido o teu blog.
  2. Avatar de info24hs
    Eu só tenho 2 grau completo e sou autodidata, e não meço palavras em dizer que sei muito mais que alguns que saiem com o canudo na mão, ja conversei com muitos empresários do ramo da informática, onde os mesmos me garantiram que preferem contratar profissionais com cursos específicos do que com faculdade, até hj não conheço uma faculdade de redes, linux, e coisas do dia a dia, somente programação, faculdade é bom pra programador e olhe lá....


    E o que me deixa mais chateado é não poder dizer que sou um técnico por que nao tenho canudo...

    E eu tenho culpa de não precisar passar anos estudando sendo ensinado por alguêm?

    Esse é meu ponto de vista..
    Atualizado 19-11-2008 em 17:46 por info24hs

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