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  1. #73

    Padrão

    Com todo o respeito a outros entendimentos. Não sou dono da verdade e por isso gostaria de ver esta questão ser melhor detalhada.

    Com relação a lóbulos de irradiação, nos datasheet eu tenho sempre me orientado pelo angulo de meia potencia...
    http://www.teleco.com.br/tutoriais/t...1/pagina_3.asp

    Com certeza abre mais. Mas que benefício teremos? Uma de 90º abre bem mais que isso. Mas porque trabalhar além do angulo de meia potencia para atender todos os clientes no mesmo setor?
    Alguém poderia até definir melhor este ângulo de meia-potencia? Me parece que nos gráficos este seria o ponto onde o lóbulo começa a estreitar, mas não indica que em -6db vá abrir mais. Angulo é angulo e deve ser o mesmo, seja em -3 ou -6db.
    Numa especificação de 60º em meia potencia, seria a região mais produtiva do campo de irradiação da antena. Se optar por trabalhar como se 90º fosse imagino que vai estar perdendo eficiência. Pode atender clientes próximos, assim como qualquer outra antena onde tiver cliente conectando até pelas costas. Mas em clientes mais distantes estes 90º considerados só vão atender bem clientes que estiverem dentro dos 60º

    Também não entendi bem esta questão de colocar em torre mais larga e torre mais estreita... Que efeito isso teria no lóbulo de irradiação que permitiria outro uso que não o indicado no datasheet.

    Com relação a afastar mais ou afastar menos eu ainda não vi um trabalho publicado que confirme ou desminta este quesito.
    Porque digo isso: Porque uma estação pode se conectar num painel de 90º por exemplo, por trás. Pode ocorrer que não fique bom mas pode ficar. Já vi cliente no mesmo quarteirão mas uns 50 a 60 metros conectar por trás e nunca reclamar.

    Baseado nisso que fico na dúvida quanto aos resultados efetivos de afastar 1 metro, 2 metros ou mais ou menos... Se o cliente em 50 metros conecta perfeito é porque o lóbulo traseiro está indo muito além do que nós gostaríamos e neste caso afastar mais um metro teria mesmo resultado efetivo?

    A indicação de relação frentexcostas por exemplo que deveríamos utilizar para analisar o desempenho é medida em laboratório ou em campo? Que distancia isto representaria nos gráficos de irradiação? Os gráficos trazem indicação de -3db -6db mas não trazem distâncias.. então a meu ver isto fica como um indicativo auxiliar na decisão , mas não em termos absolutos.

    Para mim é questão em aberto que merece mais considerações.

  2. #74

    Padrão Re: Antena Setorial "Blindada".

    Essa questão de -3 ou -6dBm é só pra facilitar. O ganho da antena varia conforme cada grau.

    Digamos que ela tenha 15dBi pra frente, mas 0dBi pro lado. Se o rádio manda 20dBm pra antena, vai ter emissão de 35dBm EIRP (20+15= 35 EIRP) pra frente, e 20dBm EIRP pro lado.

    Qual a diferença entre 20dBm EIRP vindo de um rádio 15dBm + antena 5dBi, e um rádio a 20dBm + antena 0dBi? Nenhuma. A emissão é a mesma. Vai mudar o ganho na RECEPÇÃO. Mas na hora de transmitir o que importa é o valor EIRP.

    Marquei uns ganhos:
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    Se o rádio está a 20dBm, com esse ponto a -10dBi de "ganho" quase na traseira, a emissão será: 20 + -10 = 10dBm EIRP.

    Se em 200m de ar a perda é de uns 90dBm (Free Space Loss, a 500m dá cerca de 90dBm a 5800MHz, seja 200m na Paraíba ou na disneilandia), depois de 200m 10dBm - 90dBm = -100dBm de sinal no ar. Se o cliente tiver um Airgrid de 22dBi, isso é GANHO, logo, -100 + 22 = -78dBm de sinal. Isso é sinal suficiente pra alguma coisa, digamos conectar em MCS1 pra planinhos tipo 1Mbps.

    O problema é que lóbulo secundário não é CONFIÁVEL. Algumas unidades tem variação na fabricação de modo que o ganho exato muda alguns dBi fora do ponto focal. E o pior: Antena tem muito ferro nas costas. Se colocar ela em cima de um mastro de fibra de carbono a atenuação de sinais nas costas será muito diferente de colocar ela sobre uma torre triangular feita com muito ferro.

    E tem mais: Quando chove, a água acumulada na frente da antena está presa só no plástico da antena, atenua digamos 0,5dBm. Mas nas costas da antena tem a água grudada no aço da antena, no aço do suporte afetando os reflexos no suporte, a estrutura da torre está molhada e isso também afeta deflexões diversas, enfim, tem potencial pra atenuar mais que 4 ou 5dBm, não atenua o sinal todo mas sim a média (Alias, nível de sinal é tudo média, o nível de sinal exato de cada portadora de 315kHz de largura é diferente). Pra quem já está por um fio com -78dBm de sinal em situação normal, vai ter média caindo pra -82 a -84dBm com chuva, vai terminar de lascar tudo.

    A traseira via de regra é uma comunicação com zona de Fresnel parcial, logo, sempre é uma conexão lixo, pra pequenas bandas até dá, mas é a mesma coisa que colocar a antena DENTRO da torre triangular de 40cm de aço, vai tapar boa parte da frente com aço, vai funcionar em meia duzia de clientes, mas se tentar colocar uma duzia, e passar tráfego nem tão grande tipo 10Mbps, já vai ter jitter nas alturas (Ping de 2 a 60ms).

    Ângulo lateral via de regra também passa por mais aço que a frente, também ferra com a zona de Fresnel. Uma coisa é ver média de sinal até ok, mas e a equalização de sinal nas 64 portadoras (52 que interessam), existe? Se tiver UBNT é só usar o Airview e virar a setorial pra fora do ângulo e ler o que capturou, algo assim parece lindo:
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    Mas a média ao longo da faixa varia de digamos -60 a quase -70dBm:
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    Mas média é só pra facilitar a vida de leigo, o problema real são digamos essas 2 portadoras que marquei aqui:
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    Parecem estar lá pelos -68dBm. No canto direito tem uns pontos vermelhos (Vermelho é onde tem mais hits, ou seja, a maioria dos pacotes nessa faixa de 315kHz chegou nesse nível de sinal) lá pelos -60dBm. Se está usando digamos MCS7, essas portadoras a -68dBm estão completamente perdidas, nada delas chega legível (Afinal é sinal inferior até a sensibilidade do data rate). São 2 de 52 portadoras perdidas, é só 4%, mas elas estão SEMPRE perdidas, as outras as vezes tem sinal baixo (Tem pontos vermelhos digamos em -68dBm dizendo que nesse nível teve muito, mas tem ponto verde a -68dBm, dizendo que alguns hits (Bits de pacotes) chegaram a -68dBm, esses bits foram perdidos com certeza, mas perder ocasionalmente é mais tranquilo que SEMPRE perder).

    Enfim, hora que você usa lóbulo secundário de qualquer antena (E ângulo um pouco mais aberto que o nominal não dá pra chamar de lóbulo secundário, ainda é o lóbulo principal), ou um ângulo de emissão que afeta parte da zona de Fresnel por pegar em estrutura de aço da torre ou da própria antena, essa emissão das portadoras fica muito mais zoneada, a média de sinal pode não cair, e o CCQ com baixo tráfego pode parecer algo, mas se botar alto consumo vai começar a ter demoras, porque se você usa um datarate de 3/4 (MCS6, por exemplo) você tem só 1/4 de margem, 75% dos dados são válidos, sua margem de erro é pequena, é bem diferente de usar digamos 1/2 (MCS3 por exemplo), onde cada perda na real vai resultar só em meia perda, já que metade (1/2) dos dados nas portadoras é com dados irrelevantes, a margem de sobra pra reenvio é maior. O bicho pega é com digamos MCS7, que é 5/6, são 83% de dados válidos, só 17% de margem de sobra, é ter 9 portadoras (Das 52 do modo N a 20MHz) com dados ilegíveis que já lascou, já vai dobrar o tempo de transmissão do pacote (O ping de cara já pula de 2 pra 4ms), por mais que a média de sinal fique digamos em -60dBm com uso na lateral ou traseira, se o throughput não for de praticamente metade do data rate (Digamos 32Mbps em MCS7 a 20MHz) isso quer dizer que partes dos pacotes são perdidos e reenviados, e geralmente isso é culpa de algumas portadoras MUITO abaixo da média. As que estão ACIMA da média não passam mais banda que o normal (Vai sempre a mesma quantia de bits por segundo na faixa de 315kHz), mas a que está com sinal BAIXO demais transmite tudo de forma ilegível, uma portadora não compensa a outra, se uma perder, tá perdido pra sempre, precisa enviar de novo e por outra sequencia de uso de portadoras (Pra parte perdido cair em outra portadora, senão fica repetindo o uso da portadora ruim e o pacote completo não chega nunca).



  3. #75

    Padrão Re: Antena Setorial "Blindada".

    Então @rubem , no caso específico que gerou o assunto paralelo, esta antena da Algcom que no datasheet fala em angulo de meia potencia abertura de 60º e logo depois fala em 90º em -6db, ficou claro ou confunde mais.
    Concordo que quem estiver nos 90º vai conectar, mas terá a garantia que tem quem está dentro dos 60º? Creio que não... Por isso que penso que no projeto da rede deve ser levado em conta como sendo 60º

  4. #76

    Padrão Re: Antena Setorial "Blindada".

    @1929

    não sei vcs mas o que acho mais bizarro é conseguir -6db (ou 10db de ganho) a 90 graus com essa corneta na frente.

    Quanto mais olho isso, mais penso "esse troço de RF é de outra dimensão mesmo"



  5. #77

    Padrão Re: Antena Setorial "Blindada".

    É bem isso, se a 0° tem 15dBi, ou seja, se reto pra frente da antena tem 15dBi, uns 30º pra qualquer lado tem só 12dBi. E a 45° pra qualquer lado tem 9dBi.

    dBi


    São 6dB a menos que num ponto, ou -6dB em relação ao ponto de maior ganho, mas calma, não vamos confundir com -6dBi. O ponto onde uma antena tem -6dBi geralmente é nas costas, geralmente tem ganho tão baixo (Na prática tem perda, não ganho) porque passa por aço da carcaça. Mas o ponto onde tem -6dB (Em relação a frente) no caso das setoriais é tranquilo.

    -6dBi é lixo, mas -6dB em relação a frente é tranquilo.

    O problema de ângulo lateral é ferrar com a zona de Fresnel, ou então ocorrer emissão num ângulo, mas o ganho na recepção nesse ângulo ser bem pior (É o caso de onda difratada, que pega nas bordas dos objetos e difrata. No sentido A>B ela difrata, mas no sentido B>A não).

    No caso de setorial, geralmente alguns graus a mais pro lado não são um problema, ainda mantém um trajeto com a zona de Fresnel limpa, e não é caso de emissão de lóbulo secundário eventual ou que surge por difração ou efeito ponta-de-faca.

    A emissão pro lados de uma corneta é bem grande:


    Só no papel que é assim:
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    Um jeito de evitar essa emissão pros lados é fazer tipo escalar, digamos assim:
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    A emissão fica um pouco mais limitada:
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    O outro jeito é fazendo uma borda especial, as Ubiquiti com radome inclusos tem isso:
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    Mas isso custa caro pra industrializar. Antenas setoriais são um mercado nanico, sei lá se dá pra fabricar 10 por dia (2000 antenas.ano, num país com 5500 cidades). Uma prensa pra fazer um disco escalar custa caro, precisa fabricar numa escala muito grande pra pagar o investimento, tanto que não sei se algum fabricante no MUNDO faz disco escalar pra wifi 5,8GHz.

    Como a borda das Algcom é lisa, reta, e sempre está presente, a irradiação pros lados é confiável, digo, sempre vai existir. E por estar bem perto do elemento ressonante, ocorre o efeito tanto no sentido A>B como no sentido B>A, ou seja, vai ter 9dBi de ganho no TX mas também no RX.

    Mas tem que ver que pra zona de Fresnel estar limpa pros lados, a antena não pode estar grudada numa parede, a emissão pros lados é igual você virar a antena pro lado, se virar e ficar a 40cm da parede, digo, com a parede a 90° da antena, a 40cm de distância, você já começa cagando a emissão porque 40cm é zona de Fresnel de link de míseros 100m de distância. Um cliente a 300m vai precisar 1m livre pra cada lado. Imagina pra cliente a 1km, precisa antena 2m afastada da parede!

    (Por isso setorial 180° tem potencial pra dar muita merda, quem está a 90° do centro da antena está reto do lado da antena, se ela está sozinha num mastro de 10m de altura vai ser ok, mas se está numa torre de digamos 40cm de aço, a zona de Fresnel pra esse cliente está completamente lascada logo nos primeiros centímetros!)

  6. #78

    Padrão Re: Antena Setorial "Blindada".

    ,

    Uma aula. Mas ainda tenho certeza que rádio é um negócio de outra dimensão. kkkkkkkkkkk. Mas pensando não sómente na propagação, mas na sensibilização gerada pelo campo magnético propagado, faz todo sentido. E realmente, a propagação que me lembrava no papel saía retinha da antena.

    Só o Tesla mesmo para tentar entender isso há mais de 100 anos atrás.

    Certeza que batia papo com ETs.