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  1. Olá amigos,

    Resolvei escrever esse tópico para falar de um projeto que está 90% concluído, uma rede ótica com tecnologia multiponto (GPON), atendendo 3 cidades e cerca de 50Km de cabos.

    A tecnologia GPON funciona com se fosse um AP Multiponto. Com os equipamentos de hoje em dia, podemos atender até 256 clientes com apenas 1 FO (Fibra Ótica), utilizando a divisão por spliters passivos, ou seja, nada de alimentar equipamentos ao longo do caminho, é tudo passivo!!

    O cálculo que precisa ser feito para saber a qual distância e quantos clientes você pode atender, consiste em somar as perdas de sinal, desde as fusões com pig tails, cordões, spliters. Normalmente a potência de saída da porta PON é de 0Db, e o sinal mínimo que o equipamento do cliente, chamado ONU
    (Optical Network Unit) precisa receber é -28Db.

    Usamos no projeto spliters de 1x2, 1x4, 1x8 e 1x16, cada um tem uma perda equivamente a quantidade de divisões.

    Vou citar alguns passos sobre o projeto e alguns detalhes sobre os passivos e ativos.

    1° Passo - Escolher o trajeto visando atender o maior número de clientes possível, fazendo um balanço entre Distância X Quantidade de Clientes à atender. Fazer a contagem ou estimativa da quantidade de postes. Levantar o custo de aluguel por poste. Entrar com o projeto junto a concessionária de energia.

    Existem algumas cidades que fizeram um lei, dizendo que para cada FO passada na cidade, uma FO tem que ser destinada a Prefeitura, fazendo assim com que não seja necessário o aluguel do poste, apenas o projeto. A prefeitura usa a fibra para os fins que desejar. Um exemplo é a cidade de Porto Alegre.

    2° Passo - Escolher qual o tipo de fibra usar. Basicamente usamos 2 tipos, a AS (auto-sustentável) e a DROP (Como se fosse um cabo paralelo, com um elemento de tração e outro de tubos luz). Fizemos a "espinha-dorsal" do projeto com um cabo AS de 36 FOs. Todas as derivações foram feitas com fibras DROP de 4 FOs, que custam quase a metade do preço (falando apenas no cabo, sem contar as ferragens), porém são muito mais sensíveis, indicadas apenas para ligações entre o poste e o cliente. A ferragem para essas duas fibras tem um custo muito diferenciado, a ferragem para fibra AS custa certa de 3x a da DROP.

    3° Passo - Fazer o projeto de divisão das fibras, usando os spliters. Aqui você vai dizer onde estão as segmentações, os pontos estratégicos, de maior concentração de clientes. Apartir dessa caixa de spliters, você levará uma fibra para cada cliente. É impressindível que o cálculo de atenuação seja feito e refeito, para que não haja surpresas na hora de ativar um cliente, como sinal baixo por exemplo.

    4° Passo - Escolha dos ativos. Existem vários fabricantes de equipamentos GPON. Não sei se é correto fazer propaganda, se alguém tiver interesse eu envio por MP a empresa que nos forneceu os ativos. O equipamento que fica na empresa, chama-se OLT (Optical Line Termination), escolhemos um com 8 portas Gigabit Ethernet e 4 portas PON. Para os clientes, utilizamos ONUs roteadores e bridges, dependendo do tipo de aplicação que cada cliente precisa. Vale lembrar que atendemos apenas empresas, não fazemos clientes residenciais.

    5° Passo - Configurar os ativos. Um roteador ligado a OLT, com um VLAN para cada cliente. No software de configuração dos equipamentos PON, você irá designar uma VLAN para tal ONU.

    Acho que maiores detalhes não são necessários, queria mesmo era dar uma noção para quem pensa em investir em rede cabeada. Se você quer fazer tudo dentro dos padrões, terá que pagar aluguel do poste de qualquer maneira, então acredito que a melhor escolha seja mesmo fibra ótica. Por incrível que parece, não é um investimento monstruoso, e com os financiamentos que o governo oferece, vale a pena aventurar-se. Nem vamos falar na performace da rede né? hehehe

    Caso alguém esteja interessado, posso ajudar em qualquer parte do projeto. Desde o trajeto até a configuração dos ativos.

    Qualquer dúvidas estamos ai, um abraço.

  2. Citação Postado originalmente por gamineiro Ver Post
    Olá amigos,

    Resolvei escrever esse tópico para falar de um projeto que está 90% concluído, uma rede ótica com tecnologia multiponto (GPON), atendendo 3 cidades e cerca de 50Km de cabos.

    A tecnologia GPON funciona com se fosse um AP Multiponto. Com os equipamentos de hoje em dia, podemos atender até 256 clientes com apenas 1 FO (Fibra Ótica), utilizando a divisão por spliters passivos, ou seja, nada de alimentar equipamentos ao longo do caminho, é tudo passivo!!

    O cálculo que precisa ser feito para saber a qual distância e quantos clientes você pode atender, consiste em somar as perdas de sinal, desde as fusões com pig tails, cordões, spliters. Normalmente a potência de saída da porta PON é de 0Db, e o sinal mínimo que o equipamento do cliente, chamado ONU
    (Optical Network Unit) precisa receber é -28Db.

    Usamos no projeto spliters de 1x2, 1x4, 1x8 e 1x16, cada um tem uma perda equivamente a quantidade de divisões.

    Vou citar alguns passos sobre o projeto e alguns detalhes sobre os passivos e ativos.

    1° Passo - Escolher o trajeto visando atender o maior número de clientes possível, fazendo um balanço entre Distância X Quantidade de Clientes à atender. Fazer a contagem ou estimativa da quantidade de postes. Levantar o custo de aluguel por poste. Entrar com o projeto junto a concessionária de energia.

    Existem algumas cidades que fizeram um lei, dizendo que para cada FO passada na cidade, uma FO tem que ser destinada a Prefeitura, fazendo assim com que não seja necessário o aluguel do poste, apenas o projeto. A prefeitura usa a fibra para os fins que desejar. Um exemplo é a cidade de Porto Alegre.

    2° Passo - Escolher qual o tipo de fibra usar. Basicamente usamos 2 tipos, a AS (auto-sustentável) e a DROP (Como se fosse um cabo paralelo, com um elemento de tração e outro de tubos luz). Fizemos a "espinha-dorsal" do projeto com um cabo AS de 36 FOs. Todas as derivações foram feitas com fibras DROP de 4 FOs, que custam quase a metade do preço (falando apenas no cabo, sem contar as ferragens), porém são muito mais sensíveis, indicadas apenas para ligações entre o poste e o cliente. A ferragem para essas duas fibras tem um custo muito diferenciado, a ferragem para fibra AS custa certa de 3x a da DROP.

    3° Passo - Fazer o projeto de divisão das fibras, usando os spliters. Aqui você vai dizer onde estão as segmentações, os pontos estratégicos, de maior concentração de clientes. Apartir dessa caixa de spliters, você levará uma fibra para cada cliente. É impressindível que o cálculo de atenuação seja feito e refeito, para que não haja surpresas na hora de ativar um cliente, como sinal baixo por exemplo.

    4° Passo - Escolha dos ativos. Existem vários fabricantes de equipamentos GPON. Não sei se é correto fazer propaganda, se alguém tiver interesse eu envio por MP a empresa que nos forneceu os ativos. O equipamento que fica na empresa, chama-se OLT (Optical Line Termination), escolhemos um com 8 portas Gigabit Ethernet e 4 portas PON. Para os clientes, utilizamos ONUs roteadores e bridges, dependendo do tipo de aplicação que cada cliente precisa. Vale lembrar que atendemos apenas empresas, não fazemos clientes residenciais.

    5° Passo - Configurar os ativos. Um roteador ligado a OLT, com um VLAN para cada cliente. No software de configuração dos equipamentos PON, você irá designar uma VLAN para tal ONU.

    Acho que maiores detalhes não são necessários, queria mesmo era dar uma noção para quem pensa em investir em rede cabeada. Se você quer fazer tudo dentro dos padrões, terá que pagar aluguel do poste de qualquer maneira, então acredito que a melhor escolha seja mesmo fibra ótica. Por incrível que parece, não é um investimento monstruoso, e com os financiamentos que o governo oferece, vale a pena aventurar-se. Nem vamos falar na performace da rede né? hehehe

    Caso alguém esteja interessado, posso ajudar em qualquer parte do projeto. Desde o trajeto até a configuração dos ativos.

    Qualquer dúvidas estamos ai, um abraço.
    Citação Postado originalmente por gamineiro Ver Post
    O cálculo que precisa ser feito para saber a qual distância e quantos clientes você pode atender, consiste em somar as perdas de sinal, desde as fusões com pig tails, cordões, spliters. Normalmente a potência de saída da porta PON é de 0Db, e o sinal mínimo que o equipamento do cliente, chamado ONU (Optical Network Unit) precisa receber é -28Db.

    Usamos no projeto spliters de 1x2, 1x4, 1x8 e 1x16, cada um tem uma perda equivamente a quantidade de divisões.
    Muito bom seu topico amigo @gamineiro, estava preparando um blog para apresentar, mas vou deixar minha contrinuicao uma calculadora para fazer calculos sobre a fibra
    calculosredesPONs.rar

    abracos a todos duvidas de como usar post ai ajudaremos



  3. Bom dia,

    Obrigado @demattos!! Quanto mais informação melhor. Publique a sua contribuição, aposto que será muito bem vinda.

    Abraço

  4. Opa Gabriel, muito boa as suas explicações.

    Já trabalho com Rede PON a pelo menos 4 anos, participei da implementação da primeira rede PON do Brasil. Foi aqui na Bahia. Depois disso já implantei mais umas 5 redes, sendo 2 delas no exterior. Mas sempre trabalhei com condomínios residenciais, sempre entregando triple play ao cliente, levando dados, voz, tv aberta e sky pela fibra. Gostaria de falar o que aprendi com essas instalações.

    No inicio fazíamos varias splittagens pelo caminho, o custo do FO era muito caro, e fazíamos a fusão da fibra direto no splitter, mas isso nós deu muito trabalho na manutenção, pois um OTDR não consegue identificar o local partido quando se passa por splitter, a não ser que dê a sorte de estar partido antes do primeiro splitter, como fizemos fusão direto no splitter, não tinha como tirar para descobrir onde a fibra estava partida e tínhamos que correr de lado a outro para medir pelas pontas e/ou tentar encontrar o problema por eliminação, tendo a planta em mãos, procuramos saber o que está ou não funcionando, para poder isolar a origem do problema. Bom, sempre achei muito trabalhosa essa abordadem, e ainda demos sorte do primeiro condomínio não ter muito mais de 2km de distancia da OLT.

    Depois evoluímos, e começamos a fazer as interconexões com os splitters, com acoplador ótico mais fácil, pois dava para sacar e dai medir com o OTDR ou só com um power meter se quiser.

    Depois de tudo isso e com o preço da Fibra despencando, começamos a fazer splitagem centralizada, e desse jeito tudo é mais fácil, o custo por FO na fibra, pelo menos aqui, não compensava, tanto trabalho para splittar pelo caminho. Mas como disse nenhuma dessas redes tiveram mais de 10KM, para 50KM o calculo pode ser diferente e o custo de mais FO, pode deixar proibitivo esse tipo de utilização.

    Espero ter contribuído de alguma forma.

    Um abraço,

    Anderson



  5. Citação Postado originalmente por snkbrz Ver Post
    Depois evoluímos, e começamos a fazer as interconexões com os splitters, com acoplador ótico mais fácil, pois dava para sacar e dai medir com o OTDR ou só com um power meter se quiser.
    Este e o pulo do gato na facilidade de manutencao e no custo do servico, mas nao podemos esquecer de incluir no calculo cada peda do acoplador e e de entrada e saida do cordao optico, tudo isto tem que ser bem calculado.






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