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  1. Boa tarde.

    Tenho acompanhado o início de uma movimentação que pode vir a desmembrar os técnicos industriais dos CREA's, ou seja, do sistema CONFEA.

    Historicamente os CREA's vem "podando" os técnicos nos conselhos, limitando atribuições profissionais e exercício da profissão, além de não permitir que tais profissionais atuem como membros conselheiros, ou seja sem poder de voto, sem poder representar a classe dos técnicos que acaba sendo representada pelos engenheiros, estes sim profissionais aptos a atuar como membros conselheiros conforme estatuto do CONFEA, uma verdadeira afronta a Constituição Federal.

    Também reclamam desta mesma atuação os Tecnólogos, que custeiam o mesmo valor em anuidade dos Engenheiros, mas tem menos da metade das atribuições profissionais dos mesmos, além de pouca ou nenhuma representatividade devido terem apenas 2 mil profissionais registrados.

    Se aprovado pelo Congresso Nacional, o conselho dos técnicos inicia com mais de 1 milhão de profissionais registrados sem contabilizar outros 1,5 milhão de técnicos formados que não deram entrada no sistema, atuando sem registro (devido infinidade de motivos).

    Argumentam inclusive que a separação é viável pela quantidade de profissionais envolvidos, não havendo necessidade de prever orçamento por parte da União, já que os próprios profissionais arcam com custos de anuidades suficientes para custear o novo conselho profissional.

    Em contra partida, após o CONFEA perceber a força dos técnicos, além do recente desmembramento dos arquitetos e urbanistas, agora defendem a aprovação do piso salarial dos técnicos, e salvo engano voltaram atrás na restrição a voto no conselho profissional.

    Como analogia, médico pra ser médico precisa registro no CRM, enfermeiro COREN, Dentista CFO, Fisioterapeuta COFFITO, Psicólogo CRP, todas elas próximas em atuação profissional porém representadas por diferentes conselhos, por que o CREA deve abraçar todas as áreas?

    Também há insatisfação entre os próprios engenheiros, que reclamam da atuação ser focada na área civil e esquecida em outras áreas, como a da engenharia elétrica. Li em algum lugar pequena movimentação de engenheiros eletricistas também querendo sair do CREA, assim como os engenheiros químicos possuem um conselho próprio.

    Sem contar que o CREA só fiscaliza obras civis mesmo, alguém aí que tem provedor foi fiscalizado alguma vez pelo CREA ou conhece alguém que tenha sido? Aqueles que fizeram registro CREA, foi por exigência da Anatel, e só!!!

    Inicialmente fiquei sem opinião formada a respeito, mas ao buscar informações acabei inclinando a favor da separação pois acredito que os técnicos tenham muito a ganhar caso o CREA fosse de fato mais representativo, não que o novo conselho será mais atuante, cito a área da informática tão prostituída com a atuação de leigos e até mesmo outras áreas que o CREA teria por obrigação fiscalizar como as assistências técnicas e etc...

    Mas por outro lado tenho algum receio de ser obrigatório por exemplo, para uma loja de revenda de celulares ter um responsável técnico com CREA para orientações aos clientes, mais ou menos como funciona nas farmácias que precisa de um farmacêutico, o que na prática acaba burocratizando ainda mais.

    Enfim, gostaria de abrir esse debate e saber também a opinião dos colegas, abaixo informo um link com a minuta do projeto enviada para o Congresso Nacional.

    Att,
    Márcio.

    http://www.fentec.org.br/arquivos/desmembramento.pdf

  2. O debate procede e eu vou um pouco além: discutir também a função dos técnicos de nível médio e os tecnólogos de nível superior, parece que uma carreira in terfere na outra. Ha necessidade dos dois níveis coexistirem?O quanto em termos de grade curricular são semelhantes? Quanto que o mercado de trabalho os reconhece?



  3. Marcos,

    Parece que sim, mas na minha opinião uma profissão não interfere na outra exatamente por causa dos níveis.

    O curso técnico de nível médio tem foco na produção (em matérias técnicas), já o tecnólogo também foca na tecnologia porém com carga horária maior e estuda matérias de gestão, além de ter essa citação nas atribuições profissionais que podem desempenhar funções de gestão entre outras.
    Essa é a diferença da grade, mas em resumo um tecnólogo nada mais é que um técnico de nível superior, diferente do engenheiro que estuda diversas outras matérias tanto na área química, física, biologia, gestão, psicologia, além das matérias técnicas da especialidade escolhida, é um profissional mais generalista enquanto que o tecnólogo é mais centrado em determinadas especialidades.

    Creio que o futuro do Brasil está na organização da atuação dos técnicos, tecnólogos e engenheiros, assim como atuam os auxiliares de enfermagem, os técnicos de enfermagem, os enfermeiros e os médicos, sem considerar outros profissionais da área da saúde que não citei. E olha que isso não tem resolvido muito porque muitos médicos se acham Deus. Rs...

    Tem um tipo de profissional que não foi citado e que indiretamente atrapalha muito a atuação destes 3 profissionais, são os profissionais leigos, aqueles que não estudaram em uma escola técnica e não fizeram faculdade, mas atuam na clandestinidade exercendo ilegalmente uma função técnica.
    A área de TI é a que mais tem este tipo de "profissional", as próprias empresas hoje estimulam a contratação de "Analistas" para ocupar cargos técnicos, forçando a remuneração para baixo devido falta de regulamentação, acredito que um conselho só dos técnicos teria força para organizar esta bagaça que é atualmente, e o CREA não tem o menor interesse por ter foco somente na área da engenharia civil.

    Só para conhecimento, a profissão de tecnólogo não é regulamentada (ainda), tramita no Congresso Nacional em fase de conclusão o PL 2245/2007 que regulamenta a profissão dos tecnólogos, mas alguns nobres deputados votaram contra a apreciação conclusiva encontrando-se emperrado a mais de um ano.

    Quem quiser consultar, aí está:

    http://www.camara.gov.br/proposicoes...posicao=372560


    Citação Postado originalmente por marcosfidelis Ver Post
    O debate procede e eu vou um pouco além: discutir também a função dos técnicos de nível médio e os tecnólogos de nível superior, parece que uma carreira in terfere na outra. Ha necessidade dos dois níveis coexistirem?O quanto em termos de grade curricular são semelhantes? Quanto que o mercado de trabalho os reconhece?

  4. Mas não seria o caso aí, de ter mais investimento no técnico de nível médio, elevar um pouco seu nível, tipo dos Institutos Federais, e dividir as verbas para as Engenharias Plenas e os Técnicos de Nível Médio? Digo isto em função de minha experiência, apesar de idade avançada(58) faço um curso de Tecnólogo em Gestão Empresarial na Fatec de Indaiatuba, e o nível dela é muito baixo, com poucos professores com especialização, ou pós graduação, ou seja um curso de curta duração e bem fraco, com nível dos alunos também assim. Na realidade este curso forma "auxiliares Administrativos" da mesma forma que um técnico de nível médio. Ja meu filho, de 18 anos, curso Técnico de Nível Médio Integrado de Automação Industrial no Instituto Federal de Salto, e o nível do curso é muito alto, além da excelente grade curricular, conteúdo muito forte, e professores em sua maioria com Doutorado. Neste instituto, o curso de Tecnólogo tem evasão muito grande, pois o nível é muito alto e o aluno proveniente de nível médio fraco, não conseguem acompanhar. Desculpem , tenho mais o que dizer,porém o tempo urge, vou acompanhando os comentários, e depois dou minha opinião.



  5. Evasão por nível ser alto demais?
    Nível alto é o sonho de qualquer um... não acredito que tem asno reclamando que o "nível do curso está muito alto". O problema aí não é o nível do curso, mas sim a péssima formação do aluno em questão. Ensino medio que "prepara pro Enem" gera essa desgraça, gente sem capacidade pra acompanhar faculdade ou curso técnico de nível decente.

    Do jeito que a coisa anda vamos precisar de "curso preparatório pra faculdade", depois do Enem e antes da faculdade ou curso técnico, molecada tem nota alta no enem mas não está preparada pra nada além do enem.

  6. A profissão técnica de nível médio está sendo muito estimulada pelo governo através do Pronatec e isso é muito bom porque eleva o nível dos trabalhadores.

    Considero como a melhor atitude da minha vida ter iniciado no antigo segundo grau técnico em eletrônica em uma escola técnica quando ainda era adolescente com uns 16 anos, de fato o nível da escola técnica era muito elevado, bem superior aos segundo graus normais, tanto é que fiz o segundo grau em 4 anos por ser escola técnica ao contrário do outro que são 3 anos. Já no curso de tecnólogo estudei 3 anos e também achei o nível inferior ao da escola técnica, porém sem desmerecer os assuntos estudados e confesso uma coisa, meu diplominha de técnico só me fazia ocupar cargos de técnico (com limitação de salário), depois que apresentei meu diplominha de tecnólogo na empresa onde trabalhava fui promovido a analista e passei a ganhar praticamente o dobro do que recebia como técnico, óbvio que com algumas responsabilidades a mais.

    Atualmente estudo engenharia e não tenho visto muita diferença para o curso de tecnólogo, o que me faz pensar se os cursos técnicos realmente são "puxados", ou as faculdades que realmente estão "relaxadas".

    Enfim, acho que o governo precisa estimular os jovens a terem uma profissão técnica, seja na área eletrônica, eletricista, mecânica, gráfica, etc... Mas não adianta formar técnicos que não dão entrada no conselho profissional porque muitos consideram desnecessário pagar "anuidade", assim como é injusto com os profissionais registrados e que pagam esta tal anuidade não serem assistidos e pior, conviverem com colegas de profissão que atuam na clandestinidade (Sem registro).

    Médico só pode trabalhar se tiver registro no CRM, Advogado só pode trabalhar depois que é aprovado na prova da OAB, se trabalhar sem registro vai preso e essa é a regra, aí por que os técnicos podem trabalhar sem registro, sem cumprir regras, e sem ser penalizados?



  7. Acho que sempre vai ter curso mais puxado ou menos puxado dependendo do conhecimento prévio do aluno. Com 16 anos eu já trabalhava "como técnico" a mais de 1 ano (E acho que ganhava mais que hoje), então quando cheguei na faculdade e depois em curso tecnológico eu achei eles a coisa mais sem sal do mundo, tinha muuuuito be-a-ba que adolescente de 12 anos devia saber.

    SE tem gente com conhecimento prévio chegando na faculdade, cabe a faculdade ignora-los e puxar a media pra baixo? Aí o mundo não evolui. Pro conhecimento humano evoluir as instituições precisam sempre estar puxando o conhecimento medi pra cima, pra um nível mais alto, se tem 1 ou 2 alunos com conhecimento prévio é porque é possivel ter conhecimento prévio de certos conteúdos, se é possível pra um é possível pra todos, tem que forçar a media de conhecimento na entrada pra ter mais conhecimento na saída senão o curso tecnológico ou faculdade vão gastar 2 anos ensinando o que o ensino medio não conseguiu ensinar (Ou mesmo fundamental, coisa boba tipo saber escrever direito é raro nalguns alunos de graduação).

    Idade pra aprender certas bases é adolescencia, coisa de mongol gigante chegar na faculdade sem saber fazer uma pipa, um carrinho de rolimã, acender um led, usar uma chave de teste, pintar um plastico, vender um album com lucro, desmontar um celular pra secar, fazer arroz, saber definir posicionamento político da Veja e da CartaCapital, transferir ligação num PABX ou no mínimo atender o telefone e anotar recado...

    (E também acho que muito curso superior e tecnológico é frouxo demais comparado aos cursos técnicos. Desculpinha de "eu trabalho de dia, não tenho tempo pra estudar" não cola, quem não tem tempo usa a memória, é questão de praticar pra desenvolver, se não desenvolveu na escola tem mais é que sofrer na faculdade mesmo, infelizmente os mais frouxos desistem dos cursos mais puxados e vão pros cursecos de R$ 200, onde tem carga horária tipo 20h por materia por semestre (Enquanto bons cursos tem 100h, alguns 150h, medicina ou veterinaria tem algumas disciplinas com 180 ou 200h, imagina a diferença))

  8. O problema Rubem está no ensino fundamental, onde as escolas públicas tanto estaduais como municipais são de péssimo nível e as particulares só pensam em colocar o aluno na Universidade e não dar uma formação a ele, seja prepará-lo para o trabalho, para a cidadania, enfim, não existe o interesse em formar realmente. O que precisamos é do incentivo, como por exemplo, as escolas técnicas federais, reservam 50% de suas vagas ao ensino público, então, começamos a ver, estudantes da rede pública tendo a oportunidade de cursar um médio melhor, profissionalizante, e consequentemente exigindo mais da sua escola, não é fácil mudar isto. La atrás, na década de 60 e 70(eu sou testemunha viva disto), liquidaram com o ensino básico público de qualidade, cassaram os que tinha ideais de uma escola pública de qualidade para todos, eu tive aulas em escola pública com Scipione de Pierro Neto, Sezar, etc, e mesmo os mais jovens eram de excelente formação, e agora isto para ser recuperado, vai levar pelo menos, além dos 30 que ja se passaram , pelo menos mais 20. Veja, isto não é culpa do aluno e sim do que fizeram com nosso ensino público.



  9. Os cursos mais vagabundos nas faculdades mais vagabundas são geralmente pedagogia, que serve pra... educação fundamental. Aí realmente fica difícil ter bons professores no ensino fundamental.

    Por outro lado pais marginais geralmente geram filhos marginais, metade dos alunos do ensino fundamental são grandes pestes que não podem mais ser educadas adequadamente na escola (Com puxão de orelha) nem receber repreenção à comportamentos inadequados em casa (País burros não sabem usar camisinha, não tem qualificações pra bons empregos então precisam trabalhar 12h por dia, não sabem nem tem tempo pra educar os filhos) e isso gera medo em quem tem intenção de ser docente pra essa criançada, as faculdades de historia, geografia, pedagogia, precisam ser mais baratas senão ficam vazias, quem não tem consegue pagar um curso mais caro nem consegue nota decente no Enem pra um curso melhor tem que se contentar com curso não-presencial de pedagogia por R$ 180, e depois se contentar em dar aula pra micro-marginais de 6 a 11 anos.

    (Sei que generalisei, nas materias de pedagogia que eu fiz (3) tinha 1/3 de senhorinhas prestes a se aposentar ("Começar de novo"), 1/3 de menina burrinhas que não conseguiram passar em outro curso, 1/6 de pessoas que estavam fazendo o curso temporariamente pra depois fazer outro, e 1/6 que realmente tinham interesse em pedagogia, esse 1/6 é que resulta em bons profissionais da area. Os outros 5/6 só servem pra bater ponto, fazer de conta que passou o conteúdo, pras crianças fazerem de conta que aprenderam, pros pais fazerem de conta que educaram os filhos (Como se escolaridade signigicasse educação). Eu e metade dos meus colegas de infancia aprendeu a ler em casa, com tios, irmãos ou pais, aprendeu matematica basica em casa (Lembro de um professora dando um x de errado numa conta de 5+2=7), até ingles basico, lembro que apostei com um colega que EUA e USA eram a mesma coisa, os "Estado Unidos", ele obviamente insistiu que não, na falta de Google e de biblioteca fomos perguntar aos professores, e só o 4º ou 5º, depois de uma semana perguntando, é que soube a resposta, mas este não sabia se USA era sigla do que eu dizia ser, só sabia que era EUA em ingles. Daí obviamente a controversia foi pra URSS e CCCP, nesse me saí como mentiroso porque URSS alguns professores sabiam, mas CCCP (Ou SSSP) obviamente diziam que não existia (Decerto segundo eles se falava portugues na URSS), e era um problemão provar isso porque não tinha TV em casa pra marcar hora que via algo, nem tinha revistas com isso pra mostrar pra professor (Na falta de jornal a revista era bem de consumo, assinatura de 2 ou 3 familias, cada semana uma familia ficava com a revista do mes ou da semana (Veja, Visão, 4 rodas...), quanta pobreza... enfim, lembro nitidamente de professores bem despreparados na minha infancia, mas na época não era curso superior que tinham, era ensino medio profissionalizante chamado 'magistério', sempre tinha 2 ou 3 com curso superior, e eram excelentes profissionais, mas 90% tinha "2º grauo com magistério" e eram apenas "pessoas que sabiam lidar com crianças", essa má qualidade dos cursos de nível semi-técnico chamados "magistério" me parece que se transferiu pros cursecos de faculdades baratas, o nível dos professores não melhorou mas no papel eles tem curso superior (Para estratégia política pra parecer que a educação no país está melhorando muito, se continuar assim daqui 15 anos a qualidade baixa estará no mestrado).

    Estados mais pobres tem professores com pior formação provavelmente, aqui cita a Bahia:
    http://ultimosegundo.ig.com.br/educa...-superior.html
    Infelizmente a pesquisa não separa estados, regiões metropolitanas e interior, centro e periferia, mas o que noto é que tem gente com ótimos professores, como você teve Scipione, e teve gente com umas senhorinhas de 50 anos que não queriam trabalho duro por isso davam aula, isso é uma diferença gigante no ensino, pra mim era claro que não podia confiar nem contar com a escola (5+2 não é 7? Como assim?). Então imagino que o caminho tem que ir pro lado da equalização na educação, não puxando a qualidade pra baixo nos grandes centros (Unicamp, UFSCAR, USP, ITA...) mas sim investindo mais nos interiores, esses interiores estão infestados de cursecos não-presenciais, com 80h de aula online (E ninguem tem internet de 10M no interior pra ver as aulas da maneira que quer) e 20h de presença em sala com um tutor que não é professor pinóia nenhuma e que costuma saber menos que metade dos alunos. Esses franquias ridículas de faculdades tem cursos tecnológicos e superiores, o MEC é bonzinho demais em permitir sei lá quantos anos de notas baixas antes de cancelar curso, com esse tipo de curseco os profissionais da educação formados neles serão péssimos, gerarão alunos péssimos no ensino fundamental, aí não adianta nada ter 2 ou 3 escolas superiores de elite no país se tem 5000 escolas superiores de formação ridícula. Essa indicação de "escolha um bom curso" infelizmente vale pra 1% dos interessados, a maioria não tem um bom curso pra escolher, alias, não cabe todo mundo "nos bons cursos", a maioria vai ter que ira pra cursos ridículos, o uso de cotas não resolve nada desse problema, quem tem condições de se mudar pra SP pra ir pra USP? Adianta a USP ter alto nível e a franquia da UNIP de Km100 na Bahia ter tutores analfabetos funcionais? Cotas na USP, seja pra escola publica, pra indígenas, pra negros, pra deficiêntes, melhora em que o único curso superior de Km100, que forma todos os docentes da cidade, que dão aula pra todos os alunos da cidade? Essas estratégias populistas de criar centros de ponta em tecnologia ou educação só pioram a desigualdade social.

    Não adianta ter cota pra ensino publico na USP, no interior (Cidades pequenas) só tem escola publica então todos os alunos entrariam nas cotas, isso não acontece porque nos interiores nunca tem faculdade publica, isso é um prato cheio pra faculdades de nível duvidoso, com tutor ganhando salário mínimo (Porque não tem formação superior), um sala, internet razoavel, TV via satelite, cobra R$ 200 por aluno e tem muito lucro. O nível acaba sendo pior que cursos tipo IUB, Microlins, PadreReus...

  10. Interessante Rubem é que, não estou falando de Faculdadezinhas particulares , estou falando é das Universidades Federais e dos Institutos Federais, estes sim estão espalhados por este país, apesar que que isto é uma parte do problema, pois os estados e municípios tem verba para boas escolas , mas seus prefeitos não tem interesse, para se montar uma boa escola de Ensino Médio Profissionalizante, a prefeitura da cidade tem que ter interesse também, sei disto porque acompanhei a de Formiga - MG sendo criada(minha filha mais velha estudou la), a prefeitura entrou com o terreno e o prédio construído e o Governo Federal entrou com equipamentos, material físico e humano, e a escola está la funcionando e muito bem. Aqui em Campinas, só agora é que o prédio esta sendo construído, faltou empenho da prefeitura. O que eu digo é que leva tempo para se recuperar o bom nível, pois acabou o magistério, acabaram as boas escolas públicas municipais e estaduais, é preciso remontar isto tudo, e não da para simplesmente num passe de mágica as pessoas saberem que a educação é a grande saída, o povo em sua maioria não pensa nela, não porque não quer, é que não alcança este nível de entendimento. Eu por exemplo, tive os maiores problemas financeiros em minha vida, meus filhos tiveram que estudar em escolas públicas com esta péssima qualidade, mas aproveitamos tudo o que foi colocado de oportunidade pelo governo e os três estão em escolas públicas de excelencia: uma na UNICAMP, outro na Universidade Federal de Alfenas e outro no Instituto Federal de Salto, e fora isto, meu irmão , com mais dificuldades financeiras ainda do que eu, acaba de despachar o filho para Barcelona na Espanha através do Ciencia Sem Fronteiras. Só que nós damos exemplo, mostramos que é possível, mas a maioria da população. ficou desde 1964 embaixo desta educação de baixíssimo nível, e não conseguiu enxergar a saída. A culpa não é individual é sim social, nossa elite econômica(grandes empresários, banqueiros, investidores) querem que a sociedade fique assim, cursando UNIPs e Anhangueras da vida, pagando 200 reais, e indo trabalhar nas empresas como auxiliares disto e daquilo outro, com remuneração baixa, e felizes por terem um curso superior. A minha opinião é; que se incentive mais e mais cursos técnicos de qualidade. não só os federais, mas também os estaduais e municipais, com plano de carreira decente aos professores( quanto mais ele se aperfeiçoa , mais ganha), porém isto leva tempo, claro, pois destruir é fácil, agora construir é um sacrifício!!



  11. Entendo que o povo sabe que "educação é a saída" justamente porque os cursinhos baratos estão repletos de alunos. Se não tem ensino gratuíto, eles pagam.

    Minha cidade cedeu terreno e construiu uma estrutura com 10 ou 12 salas pra UFMT, houve 1 curso modular de 4 anos (30 alunos) de Administração, DEPOIS que este se formou houve outra turma de 30 alunos mas desta vez pedagogia, DEPOIS que esta turma se formou (Sistema modular, 1 FDS por mes) tem 2 turmas no momento (50 alunos ao todo, numa estrutura de 10 salas de aula). Uma estrutura gratis, com 12 salas que a prefeitura deu, mas que a UFMT não utiliza. Todo mes tem vereador ou prefeito indo pra capital do estado choramingar querendo campi da UFMT na cidade, já faz 2 anos essa novela, por parte da prefeitura sei que não falta empenho, mas as universidades federais mal dão conta do campi-sede ("Essa é a última oração, pra salvar a construção... tem aluno estudando na despensa"...).

    Onde tem agronegócio geralmente tem dinheiro, não existe esse problema de falta de salas que há nas grandes capitais, a população é menor e qualquer mobilização empresarial resolve um problema desse em 1 semana, sem precisar licitação nem nada público, as empresas sofrem demais com falta de gente qualificada então sempre colaboram, quem não colabora são as instituições federais e estaduais, precisam fazer demorados processos pra definir local de campi, concursar ou transferir professores, licitações de material que demoram anos, enfim, a contrapartida estadual e federal é que vejo demorar demais.

    "Espalhados pelo brasil" pra mim estão as lotericas, correios e Bradesco, tem realmente ele na maioria dos 5573 municípios do brasil, o ensino superior está presente nuns 2/3 deles, e ensino superior publico em talvez 20% deles. Não resolve muito ter uma faculdade publica com 2 cursos (Administração e Geografia, por exemplo) a cada 500Km (São 8,5 milhões de Km² no brasil, densidade como no interior de MG não é comum no país todo, não se pode viajar todo dias as 18h pra cidade vizinha pra ir pra faculdade, isso é possivel em 10% do país); o ensino superior publico não atende a demanda então surgem cursos de qualidade duvidosa em toda currutela, o nível dos cursos como um todo vira uma porcaria e a culpa não é das instituições publicas existentes, mas sim da não-existencia delas em local proximo a boa parte da população ou com vagas suficientes.
    (Ter cota pra dar oportunidades "iguais" da na mesma que simplesmente ter vagas pra todos, não tenho certeza se estatização do ensino suprior resolve o problema, mas noto que pagar por ensino superior, desde que seja valor baixo, é acessível pra quase todos. Ensino superior estatizado e não-gratuíto para todos (Aí sim poderia haver cotas) acho uma solução melhor (E olha que tenho nojo do marxismo reinante nas instituições federais tipo USP ou Unicamp, mas prefiro essa desgraça dos marxismo ideológico furado do que os cursecos vagabundos não-presenciais que dão diploma mas não preparam ninguem pro mercado, que são só caça-niqueis))

  12. Pois é, em alguns lugares a prefeitura colabora, abre espaço, em outros não. Mas não falei somente da Universidades e também dos Institutos Federais, estes dão mais resultados, em função do ensino técnico. Só nós é que discutimos??



  13. Continuando Rubem, aqui em Campinas presenciei um caso muito sério sobre verba destinada, ou projeto de governo em que não ha colaboração da Prefeitura, um caso não, dois.além claro, do caso do Instituto Federal, que só agora, este ano, através de pressões de políticos, sociedade civil, as obras do Instituto estão iniciando. Os dois outros casos são na área da Saúde, o primeiro em 2012, onde minha mãe agonizava seus últimos suspiros em um Pronto Socorro do Município, vi excelentes profissionais, enfermeiros, atendentes, trabalhando muito para dar conta de todo a carência que passa nossa saúde, estes são heróis...mas, eles me falaram de um caso que fiquei estarrecido: Foi aprovada uma verba, que foi reivindicada pela própria prefeitura, para no lugar daquele Pronto Socorro, fosse construída uma UPA(Unidade de Pronto Atendimento), o qual é um projeto de saúde fantástico, com leitos, inclusive para internações, mas visando o pronto atendimento com equipamentos, material humano etc. conheço as UPAs, por dentro, precisamos outro dia delas, é fantástico! Porém, o que aconteceu, a verba veio do Governo Federal para este objetivo, e a Prefeitura não se deu ao trabalho de iniciar nem as licitações, dado que o projeto ja estava pronto. O que aconteceu, venceu o prazo para uso daquela verba(dinheiro vivo, pronto para ser usado), e o dinheiro teve que voltar a Brasília. Segundo caso, este ano, 2014: Com o início do Projeto Mais Médicos, foi estipulado para o Município uma segunda "remessa" de 64 médicos para trabalhar em nossos postos de saúde. O nosso prefeito, mandou uma resposta que só precisaria de mais 5 médicos!!Qual, nossa saúde pública vive um colapso, falta tudo, principalmente médicos!! Aí graças a vereadores da oposição e ao Sindicato dos Médicos, que fizeram pressão junto a Prefeitura e denunciaram o absurdo, o Prefeito resolveu voltar atras e receber estes 64 médicos!!!Olha só o absurdo, sei que o interesse destes prefeitos é com os Planos de Saúde Privados, por isto é que gostam de travar,os projetos para a melhora da saúde da população!
    Agora voltando às Universidades e as escolas públicas, conseguimos enxergar as diferentes administrações municipais e como o ensino varia em qualidade de prefeitura para prefeitura, de administração para administração, o Lobby das escolas privadas é muito forte, ele compra os prefeitos e vereadores, pois não é interesse destas escolas ter um ensino público de qualidade. E desculpe amigo, mas não concordo em hipótese alguma ensino público pago, NÓS JÁ PAGAMOS POR ELE! Nossos impostos são mais do que suficientes para sustentar Educação e Saúde Públicas de qualidade, pagar significa concordar com a malandragem instituída,mensalidade nenhuma paga um ensino de qualidade, eu tenho as provas disto aqui: tenho três filhos e os três em Instituições de Excelência, e se a UFMT não foi pra frente , algo interno aí aconteceu, pois a dotação de verbas depende da administração da Universidades, tem muito Reitor de Federal por aí, que eleito democraticamente por sua comunidade, enganando a população e dizendo que não da certo Universidade no Interior, é só ele ter uma boa equipe de administração e de divulgação que o projeto sai, mas se tiver ma vontade de reitores e prefeitos, não tem jeito os Governos Federal e Estadual nada mais podem fazer, a não ser esperar uma administração da instituição mais eficiente em uma próxima gestão.

  14. Não sou muito favoravel a serviço público além do que seja de uso de todos, tipo estradas, segurança, educação fundamental e media, e questões de saúde pública.

    Ítens como atendimento de saúde, esportes, laser, ensino superior, cultura, isso é de uso praticamente particular. Depois da infancia (Maternidade e vacinas) nunca usufrui da saúde pública, nunca usufrui de nada publico em materia de esportes, nunca fui em show ou teatro com patrocínio publico (E só ví filmes ruins com verba do tipo, que preferia não ter visto), até tentei mas nunca usei ensino superior público, então... é justo que eu tenha a mesma carga tributária que um asmático que vive na fila do Sus, que frequenta show de inauguração de obra pública ou jogo em estadio publico, que estuda em ensino publico superior? Se fazemos usos diferentes do serviço publico a carga tributária não devia ser diferenciada?

    Entendo que há benefícios indiretos que chegam até mim, mas a iniciativa privada também faz investimento que indiretamente me atingem, o Kg do Arroz aqui custa R$ 1,50 porque um fazendeiro planta uma latifundio enorme com arroz localmente, se ele não o fizesse precisaria produto vindo de longe, que custa R$ 2,5 por Kg (Se são 15Kg per capita, na cidadezinha de 20 mil hab. isso dá R$ 300 mil deixando de saír da economia da cidade! Faz mais efeito que a centena de Bolsa-Familia).

    Só fui em hospital a trabalho (Depois da infancia), e sempre ví despreparo pra lidar com equipamento, descaso no armazenamento de materiais, falta de responsabilidade a longo prazo, muuuuuitas faltas (Uma vez precisei visitar uns postos 6 vezes pra achar medico-responsavel ou umas das 2 enfermeira-chefes, sendo que existia plantão 24h, nas 6 visitas eram 3 pessoas faltando (De 4 ou 5 funcionários), lembro que o chefe de gab. do secretário de saúde de Cuiabá foi junto porque não estava acreditando que não encontravamos ninguem nuns postos (Distantes do centro, local afastado sem tanto movimento, motivo pra não ir trabalhar tanto quanto um local lotado que causa muito stress).

    Não que saúde particular seja muito melhor, muito atestado falso, muita gente incompetente pra lidar com equipamento eletronico (Idiotas que não sabem nem verificar se é 127 ou 220V, isso é basico até pra criança de 5 anos), mas o fato de não ser gratuíto afasta as senhorinhas carentes que vão resmungar de dor no sangue pro médico, ou os engravatados que vão em pronto-socorro tirar bicho-de-pé resultante de pescaria. E outra, se há desperdício de dinheiro nesses locais, não é dinheiro publico. Se empresa privada gasta mal, azar dela, ela que vai falir. Se o estado gasta mal, azar o nosso, o serviço vai ser piorado e em varios casos (Estradas, por exemplo) não temos a possibilidade de não usar o serviço publico o dia todo (Um trajeto de 300Km com pedagio não é nada, se somar as rodovias com cobrança talvez cheguem a 1% da malha viária nacional).

    Possibilidade de usar apenas saúde particular eu tenho, possibilidade usar apenas ensino superior particular eu tenho, possibilidade de não usufruir de locais que recebem investimentos publicos em cultura e esportes eu tenho, porque devo ter carga tributária única pra todos?

    Meu pai e meu tio faleceram de infarto por lerdeza na saúde pública, daqueles casos que depois do falecimento chegam resultados de exame falando em necessidade de intervenção urgente antes que algo pior aconteça, mas eu nunca contei com saúde pública, não porque tenha como bancar saúde particular, mas porque decidir não gastar com isso e ponto final, já com educação superior publica decidi nunca usar serviço publico dessa area porque se eu comesse arroz e ovo frito todo dia, morasse numa kitinet, e andasse de onibus eu poderia bancar ensino superior particular (Especialmente pra ter formação mais abrangente, comecei meia duzia de cursos, em inst. publica precisaria vestibular e sei lá mais que enrolação pra poder ter formação abrangente).


    Esses dias ouvi proposta que muito me agradou, o Mauro Iasi (Já declarei meu nojo ao marxismo, então está claro que não estou fazendo campanha pra ele ou pro PC do B) citou a necessidade de fazer iniciação científica no ensino fundamental.
    Existe idéia melhor?
    Pra mim acho que isso resume o que acho perfeito, iniciação científica no ensino fundamental, ensino superior não-gratuíto.
    Holanda tem ótimos programas de incentivo técnico no ensino médio, o ensino superior é pago (E caro), saúde particular (Obrigatória pra imigrantes, entre outros detalhes), mas isso gira a economia em torno da educação. A Finlándia tem iniciação científica mais cedo também, mas ensino lá é "totalmente" gratuíto até o doutorado, mas... tem taxas igual (Mas tem 1 ou 2 instituições Finlandesas de ponta pra cada CENTENA de instituições de ponta Holandesas!). Curseco brasileiro custa R$ 180 por mes, ensino superior "gratuíto" na Finlandia custa R$ 200 a 400 por ANO dependendo da instituição. Serio que um brasileiro que QUER estudar não conseguiria pagar R$ 400 por ano? Isso desafogaria muuuuuito o ensino superior. O FIES empresta muuuuuuito mais que isso por aluno, porque não pode haver cobrança similar nas instituições publicas brasileiras? Isso ia afastar os curiosos, que começam curso porque é gratis e desistem porque não sabiam o que iam encontrar (Turma começa com 45 alunos, se formam 5 a 15).

    (Até parece que defendo o estado mínimo, que o candidato Pastor Everaldo acabou de citar duzias de vezes no debate da Band agora a pouco, mas não é bem isso, só acho bem incongruente o estado concorrer com iniciativa privada em educação e e saúde, em petroleo, mas não concorrer com iniciativa privada em padarias, supermercados, eletroeletronicos, etc. Saúde pública e educação publica superior de qualquer forma não atinge a todos, porque ficar investindo em algo que atende a apenas 15 ou 20% da população? Sou adepto da mão do estado apenas no que é de uso direto (Ou que afeta o custo direto) de 100% da população. Não quer dizer que o estado não deva financiar educação particular, do mesmo jeito que o BNDES financia portos, estádios, prédios e empresas que trarão benefícios X ou Y à população ele também financia instituições de ensino.

    Se o estado não atende todos com ensino superior por falta de verbas (Seriam 5573 unidades de ensino superior), ou deixa de atender só meia duzia nos grandes centros, ou então estatiza tudo e parte pra cobrança para que os alunos mantenham o ensino superior (Obviamente não teria como custar tudo o que custa o ensino particular hoje, o que é necessario dos alunos é uma contrapartida, não um financiamento completo).

    Me incomoda muito ver no fim do mes que pra cada R$ 1 que lucrei, paguei R$ 3 ou 4 em impostos, mas isso não é o problema, o problema é ver esse dinheiro sendo desperdiçado com baboseiras tipo "saúde quantica" e afins:
    http://www.hgf.ce.gov.br/index.php/n...saude-integral
    Florais, radiestesia, radionica, terapia holística... se alguém quer jogar dinheiro fora com isso vai fundo, mas dinheiro público (De instituição publica) gasto nisso é demais, se não há regra pra o que é útil ou inútil pra sociedade, prefiro simplesmente não contar com saúde pública mas também não ter que financia-la.
    (Idem pra educação superior com cotas pra alunos de instituições públicas ou indígenas desprepagados pra frequentar educação superior)

  15. Citação Postado originalmente por rubem Ver Post
    Evasão por nível ser alto demais?
    Nível alto é o sonho de qualquer um... não acredito que tem asno reclamando que o "nível do curso está muito alto". O problema aí não é o nível do curso, mas sim a péssima formação do aluno em questão. Ensino medio que "prepara pro Enem" gera essa desgraça, gente sem capacidade pra acompanhar faculdade ou curso técnico de nível decente.

    Do jeito que a coisa anda vamos precisar de "curso preparatório pra faculdade", depois do Enem e antes da faculdade ou curso técnico, molecada tem nota alta no enem mas não está preparada pra nada além do enem.





    Concordo con Rubem o problema não é o nível do curso, mas a má formação do ensino medio. O ensino medio deve preparar os estudantes para cursos universitários e técnicos.






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