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  1. Boa tarde.

    Tenho acompanhado o início de uma movimentação que pode vir a desmembrar os técnicos industriais dos CREA's, ou seja, do sistema CONFEA.

    Historicamente os CREA's vem "podando" os técnicos nos conselhos, limitando atribuições profissionais e exercício da profissão, além de não permitir que tais profissionais atuem como membros conselheiros, ou seja sem poder de voto, sem poder representar a classe dos técnicos que acaba sendo representada pelos engenheiros, estes sim profissionais aptos a atuar como membros conselheiros conforme estatuto do CONFEA, uma verdadeira afronta a Constituição Federal.

    Também reclamam desta mesma atuação os Tecnólogos, que custeiam o mesmo valor em anuidade dos Engenheiros, mas tem menos da metade das atribuições profissionais dos mesmos, além de pouca ou nenhuma representatividade devido terem apenas 2 mil profissionais registrados.

    Se aprovado pelo Congresso Nacional, o conselho dos técnicos inicia com mais de 1 milhão de profissionais registrados sem contabilizar outros 1,5 milhão de técnicos formados que não deram entrada no sistema, atuando sem registro (devido infinidade de motivos).

    Argumentam inclusive que a separação é viável pela quantidade de profissionais envolvidos, não havendo necessidade de prever orçamento por parte da União, já que os próprios profissionais arcam com custos de anuidades suficientes para custear o novo conselho profissional.

    Em contra partida, após o CONFEA perceber a força dos técnicos, além do recente desmembramento dos arquitetos e urbanistas, agora defendem a aprovação do piso salarial dos técnicos, e salvo engano voltaram atrás na restrição a voto no conselho profissional.

    Como analogia, médico pra ser médico precisa registro no CRM, enfermeiro COREN, Dentista CFO, Fisioterapeuta COFFITO, Psicólogo CRP, todas elas próximas em atuação profissional porém representadas por diferentes conselhos, por que o CREA deve abraçar todas as áreas?

    Também há insatisfação entre os próprios engenheiros, que reclamam da atuação ser focada na área civil e esquecida em outras áreas, como a da engenharia elétrica. Li em algum lugar pequena movimentação de engenheiros eletricistas também querendo sair do CREA, assim como os engenheiros químicos possuem um conselho próprio.

    Sem contar que o CREA só fiscaliza obras civis mesmo, alguém aí que tem provedor foi fiscalizado alguma vez pelo CREA ou conhece alguém que tenha sido? Aqueles que fizeram registro CREA, foi por exigência da Anatel, e só!!!

    Inicialmente fiquei sem opinião formada a respeito, mas ao buscar informações acabei inclinando a favor da separação pois acredito que os técnicos tenham muito a ganhar caso o CREA fosse de fato mais representativo, não que o novo conselho será mais atuante, cito a área da informática tão prostituída com a atuação de leigos e até mesmo outras áreas que o CREA teria por obrigação fiscalizar como as assistências técnicas e etc...

    Mas por outro lado tenho algum receio de ser obrigatório por exemplo, para uma loja de revenda de celulares ter um responsável técnico com CREA para orientações aos clientes, mais ou menos como funciona nas farmácias que precisa de um farmacêutico, o que na prática acaba burocratizando ainda mais.

    Enfim, gostaria de abrir esse debate e saber também a opinião dos colegas, abaixo informo um link com a minuta do projeto enviada para o Congresso Nacional.

    Att,
    Márcio.

    http://www.fentec.org.br/arquivos/desmembramento.pdf


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  3. O debate procede e eu vou um pouco além: discutir também a função dos técnicos de nível médio e os tecnólogos de nível superior, parece que uma carreira in terfere na outra. Ha necessidade dos dois níveis coexistirem?O quanto em termos de grade curricular são semelhantes? Quanto que o mercado de trabalho os reconhece?

  4. Marcos,

    Parece que sim, mas na minha opinião uma profissão não interfere na outra exatamente por causa dos níveis.

    O curso técnico de nível médio tem foco na produção (em matérias técnicas), já o tecnólogo também foca na tecnologia porém com carga horária maior e estuda matérias de gestão, além de ter essa citação nas atribuições profissionais que podem desempenhar funções de gestão entre outras.
    Essa é a diferença da grade, mas em resumo um tecnólogo nada mais é que um técnico de nível superior, diferente do engenheiro que estuda diversas outras matérias tanto na área química, física, biologia, gestão, psicologia, além das matérias técnicas da especialidade escolhida, é um profissional mais generalista enquanto que o tecnólogo é mais centrado em determinadas especialidades.

    Creio que o futuro do Brasil está na organização da atuação dos técnicos, tecnólogos e engenheiros, assim como atuam os auxiliares de enfermagem, os técnicos de enfermagem, os enfermeiros e os médicos, sem considerar outros profissionais da área da saúde que não citei. E olha que isso não tem resolvido muito porque muitos médicos se acham Deus. Rs...

    Tem um tipo de profissional que não foi citado e que indiretamente atrapalha muito a atuação destes 3 profissionais, são os profissionais leigos, aqueles que não estudaram em uma escola técnica e não fizeram faculdade, mas atuam na clandestinidade exercendo ilegalmente uma função técnica.
    A área de TI é a que mais tem este tipo de "profissional", as próprias empresas hoje estimulam a contratação de "Analistas" para ocupar cargos técnicos, forçando a remuneração para baixo devido falta de regulamentação, acredito que um conselho só dos técnicos teria força para organizar esta bagaça que é atualmente, e o CREA não tem o menor interesse por ter foco somente na área da engenharia civil.

    Só para conhecimento, a profissão de tecnólogo não é regulamentada (ainda), tramita no Congresso Nacional em fase de conclusão o PL 2245/2007 que regulamenta a profissão dos tecnólogos, mas alguns nobres deputados votaram contra a apreciação conclusiva encontrando-se emperrado a mais de um ano.

    Quem quiser consultar, aí está:

    http://www.camara.gov.br/proposicoes...posicao=372560


    Citação Postado originalmente por marcosfidelis Ver Post
    O debate procede e eu vou um pouco além: discutir também a função dos técnicos de nível médio e os tecnólogos de nível superior, parece que uma carreira in terfere na outra. Ha necessidade dos dois níveis coexistirem?O quanto em termos de grade curricular são semelhantes? Quanto que o mercado de trabalho os reconhece?

  5. Mas não seria o caso aí, de ter mais investimento no técnico de nível médio, elevar um pouco seu nível, tipo dos Institutos Federais, e dividir as verbas para as Engenharias Plenas e os Técnicos de Nível Médio? Digo isto em função de minha experiência, apesar de idade avançada(58) faço um curso de Tecnólogo em Gestão Empresarial na Fatec de Indaiatuba, e o nível dela é muito baixo, com poucos professores com especialização, ou pós graduação, ou seja um curso de curta duração e bem fraco, com nível dos alunos também assim. Na realidade este curso forma "auxiliares Administrativos" da mesma forma que um técnico de nível médio. Ja meu filho, de 18 anos, curso Técnico de Nível Médio Integrado de Automação Industrial no Instituto Federal de Salto, e o nível do curso é muito alto, além da excelente grade curricular, conteúdo muito forte, e professores em sua maioria com Doutorado. Neste instituto, o curso de Tecnólogo tem evasão muito grande, pois o nível é muito alto e o aluno proveniente de nível médio fraco, não conseguem acompanhar. Desculpem , tenho mais o que dizer,porém o tempo urge, vou acompanhando os comentários, e depois dou minha opinião.

  6. Evasão por nível ser alto demais?
    Nível alto é o sonho de qualquer um... não acredito que tem asno reclamando que o "nível do curso está muito alto". O problema aí não é o nível do curso, mas sim a péssima formação do aluno em questão. Ensino medio que "prepara pro Enem" gera essa desgraça, gente sem capacidade pra acompanhar faculdade ou curso técnico de nível decente.

    Do jeito que a coisa anda vamos precisar de "curso preparatório pra faculdade", depois do Enem e antes da faculdade ou curso técnico, molecada tem nota alta no enem mas não está preparada pra nada além do enem.


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