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  1. A Wikipedia conseguirá sobreviver ao seu sucesso?

    Não é fácil ser a Wikipedia, uma enciclopédia gratuita disponível na Internet criada e editada por colaboradores anônimos. Quem duvidar, que pergunte a seu fundador, Jimmy Wales, cuja criação foi alvo de críticas severas nos últimos meses, obrigando-a a se defender de atos de vandalismo e de acusações de entradas incorretas. “A Wikipedia está sempre em processo de mudança”, diz Wales em defesa do seu produto.

    Essa, porém, é uma forma branda demais de interpretar a situação.

    Em 29 de novembro, o jornalista John Seigenthaler Sr., ex-integrante da equipe de Robert Kennedy, escreveu um artigo para o USA Today em que acusava a Wikipedia de o ter associado incorretamente ao assassinato de Rober Kennedy e de John F. Kennedy. O artigo, que permaneceu no site durante quatro meses, afirmava que “John Seigenthaler Sr. era assistente do Procurador da República Robert Kennedy em princípios dos anos 60. Durante algum tempo, acreditou-se que ele estivesse diretamente envolvido nos assassinatos de John Kennedy e de seu irmão, Bobby. Nada jamais foi provado.” Por fim, a Wikipedia tirou do ar a informação incorreta e hoje tem até uma entrada intitulada “John Seigenthaler Sr e a controvérsia biográfica originada pela Wikipedia”, em que explica a história do seu próprio erro.

    No mês passado, Adam Curry, ex-VJ da MTV e pioneiro do podcasting, foi acusado de editar referências da Wikipedia a Kevin Marks, outro luminar dos primeiros tempos do podcasting. Em uma entrada de dois de dezembro em seu blog, Curry reconheceu a alteração e se desculpou.

    Hoje, as entradas mais consultadas da Wikipedia, ou aquelas que podem dar margem a controvérsias, saúdam os leitores com a seguinte introdução: “Em razão de atos recentes de vandalismo, a edição desta página por usuários novos ou anônimos encontra-se temporariamente suspensa. Pede-se a gentileza de discutir possíveis mudanças no fórum apropriado ou solicitar quebra de proteção.”

    A Wikipedia, uma organização sem fins lucrativos fundada em 2001 e patrocinada sobretudo por doações, possibilita a qualquer pessoa com acesso a Internet editar seus artigos. A premissa é que o conhecimento coletivo, que alguns chamam de conteúdo de “código aberto”, tem tanto valor quanto o conteúdo editado por profissionais. Conseqüentemente, a Wikipedia tornou-se um híbrido de enciclopédia e de eventos atuais que traz à tona diversas questões interessantes como, por exemplo, a que se refere ao grau de precisão do seu conteúdo em face de ocorrências recentes; ou ainda: o conjunto da “sabedoria das massas” seria superior à de indivíduos mais instruídos? O mecanismo de vigilância da Wikipedia funciona? A polêmica em torno da enciclopédia gratuita seria mero reflexo da tensão observada entre mídias antigas e novas?

    A resposta a todas essas perguntas, segundo especialistas da Wharton, resume-se a uma palavra apenas: depende. De acordo com Eric Clemons, professor de Gestão de Operações e de Informações da Wharton, é tolice levar a ferro e fogo as definições da Wikipedia, mas vale a pena ler o site de vez em quando. Peter Fader, professor de Marketing, chama a atenção para o fato de que a Wikipedia mostra que há sabedoria na multidão, porém um sistema de avaliação do usuário mais aprimorado deveria banir os que colocam informações falsas no ar. Joel Waldfogel, professor de Negócios e de Políticas Públicas, também acha que boa parte da preocupação em torno da Wikipedia não passa de um novo modo de ver as velhas mídias (enciclopédias impressas, neste caso): teriam elas alguma chance diante das novas espécies de mídia online de atualização instantânea?

    Para Kendall Whitehouse, diretor sênior de Tecnologia da Informação da Wharton, a pergunta que se deve fazer é a seguinte: “Afinal, a sabedoria da multidão constituiria uma abordagem de melhor qualidade quando comparada ao conteúdo revisado e editado por acadêmicos?” Conforme observa Whitehouse, “a força da Wikipedia consiste no fato de que milhares de olhos a observam. A expectativa, portanto, é de que os erros sejam imediatamente percebidos e corrigidos”. Whitehouse observa, porém, que com a expansão do conteúdo da Wikipedia, nem mesmo mil olhos conseguirão captar todos os detalhes — o que, tudo indica, foi o que aconteceu no caso do material referente a Seigenthaler.

    Wales leva a sério certos receios em relação à Wikipedia e chama a atenção para o fato de que introduziu mudanças para evitar abusos como, por exemplo, facultar apenas a usuários registrados a possibilidade de executar determinados tipos de mudanças. Ele acrescenta, porém, que a Wikipedia tem sido acusada de erros simplesmente porque se trata de um produto relativamente novo, e compara a atenção conferida ao site a histórias sobre itens estranhos à venda no eBay em 1999 e 2000. “A mídia adora essas histórias”, diz.

    Dores de crescimento

    O simples fato de a Wikipedia ter atraído tantas atenções mostra como o site ganhou importância desde que foi criado há cinco anos. Um estudo de 42 entradas feito pela revista Nature em 14 de dezembro coloca a Wikipedia em pé de igualdade com a Enciclopédia Britânica no que diz respeito à precisão dos assuntos de caráter científico. A revista constatou que, em média, as entradas de temas científicos da Wikipedia continham quatro erros; ao passo que na Britânica, a média era de três erros. A maior queixa contra a Wikipedia foi que as entradas eram confusas e mal estruturadas. No geral, concluiu o estudo da Nature, problemas como o incidente envolvendo Seigenthaler eram a exceção, e não a regra.

    A Wikipedia cresceu também muito depressa. Há 13.000 colaboradores ativos trabalhando em 1,8 milhão de artigos em mais de 100 línguas. Nos sites de língua inglesa, entre 800 e 1.000 editores são responsáveis pela edição da maior parte das entradas, diz Wales. De acordo com a Alexa, um site que monitora o tráfego da Web, a Wikipedia é o 37º. site mais visitado da Internet.

    Contudo, com o crescimento da importância do site surgiu a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso, diz Fader, para quem os recentes equívocos sobre Seigenthaler e Curry, bem como as mudanças de política propostas, não passam de “tempestade em copo d’água. A Wikipedia tem tanta credibilidade quanto qualquer outro site disponível na Internet. Esbarro nela muitas vezes [...] mas isto não significa que minha pesquisa pára por aí”.

    Talvez o importante mesmo seja situar a Wikipedia em um mercado mais amplo. Ela pode ser usada como ferramenta de pesquisa, mas está longe de ser a última palavra. A própria Wikipedia tem consciência disso quando diz que “difere da fonte de referência impressa em alguns aspectos importantes. Os artigos mais trabalhados, por exemplo, costumam ser mais abrangentes e equilibrados, enquanto outros (ainda incipientes) costumam apresentar grande número de informações errôneas, conteúdo sem rigor enciclopédico e atos de vandalismo. Os usuários precisam estar cientes disso, de modo que possam acessar informações válidas e evitar dados incorretos acrescentados recentemente ou ainda não removidos”.

    Apesar da retratação, a Wikipedia, segundo observadores, é tida muitas vezes como referência máxima. David Winer, pioneiro do software que participou da criação de diversos padrões comuns utilizados na Internet e foi o responsável por um dos primeiros weblogs, disse em um post de blog publicado em junho que o maior problema da Wikipedia é que ela tem fama de fonte altamente confiável, mas “pode ser facilmente manipulada por pessoas dispostas a pôr abaixo o que foi construído”.

    Ari Friedman, professor sênior da Wharton e fundador do diário online Copyright, pretende adotar algumas das técnicas da Wikipedia para o exame de pesquisa e estudos de casos de copyright. Ele disse que seria tolice desconsiderar a estratégia de conteúdo aberto da enciclopédia. Contudo, acrescenta, a disseminação de informações por meio dessa estratégia implica algumas trocas. “A troca básica, no caso, não é de precisão por velocidade, como acreditam alguns, e sim de confiabilidade por velocidade”, diz Friedman. “Se o que se deseja é produzir uma informação absolutamente correta para todo e qualquer usuário que acesse o site, disso se segue que o conteúdo produzido com a colaboração de várias pessoas jamais será satisfatório.”

    Clemons ressalta que a Wikipedia não deve jamais ser a única fonte de informação. “Só recorro à Wikipedia para assuntos sobre os quais tenho um bom conhecimento; quando, por exemplo, quero uma descrição sucinta que possa compartilhar com minha filha e ajudá-la em seu dever de casa, de modo que eu mesmo não tenha de discorrer sobre o tema em questão. Mas se eu desconheço o assunto, jamais consideraria a Wikipedia como fonte de informação”, diz Clemons, acrescentando que o principal problema é que a enciclopédia não proporciona informação alguma sobre o autor das informações, suas credenciais ou as motivações por trás das alterações.

    Waldvogel concorda. “É o tipo de site que exige cautela do usuário. Quem estiver interessado em um tópico qualquer precisa pesquisar mais. Não dá para acreditar na veracidade daquilo que se lê ali.”

    A questão é saber se o conteúdo coletivo de sites como o da Wikipedia está à altura dos conteúdos editados por profissionais. Wales admite que parte da atenção concedida à Wikipedia recentemente pode ser atribuída ao debate em curso sobre mídias antigas x mídias novas, mas acrescenta que a enciclopédia online funciona mais como uma organização dirigida por um editor em que os autores postam artigos que são posteriormente revisados pelos editores. “O funcionamento da Wikipedia segue padrões muito mais tradicionais do que as pessoas imaginam”, diz Wales. “Temos um núcleo básico de pessoas que se encarrega do trabalho de edição.”

    Monitorando a Wikipedia

    As circunstâncias que levaram a Wikipedia a tomar a forma que hoje tem — um formato aberto que permite a qualquer um postar artigos — podem não funcionar com a expansão sempre crescente da enciclopédia, diz Fader. O problema decorre do fato de que não existe um sistema de avaliação que dê credibilidade às pessoas que criam e editam artigos. Um sistema, por exemplo, que mantivesse no anonimato os editores dos artigos, porém os avaliasse como faz o eBay com os vendedores de produtos do site, daria mais credibilidade à Wikipedia. Um colaborador que se distinguisse pela precisão das informações ou pelo conhecimento especializado de um determinado assunto receberia, por exemplo, cinco estrelas. Um vândalo ou um indivíduo qualquer que fizesse merchandising descarado de um produto receberia uma estrela apenas.

    Em resposta a eventos recentes, Wales introduziu algumas modificações que lhe permitirão monitorar melhor o site. Além de introduzir uma política de “semiproteção”, pela qual as páginas vítimas de vandalismo só podem ser editadas por usuários cujas contas tenham sido registradas há mais de quatro dias, os administradores do site imporão uma cláusula de espera nas páginas de maior destaque, como as do presidente Bush, atualmente congelada. A espera, semelhante ao botão de “descarte” utilizado nas estações de rádio — que dá aos produtores alguns segundos de vantagem e lhes permite impedir que palavras obscenas ou coisas semelhantes vão para o ar —, impedirá que os cibervândalos introduzam novos dados em artigos sobre eventos recentes, como se viu por ocasião da morte do papa. Wales ressalta que o tempo da espera será decidido pela comunidade de participantes da Wikipedia. “Há centenas de pessoas monitorando o site o tempo todo. Elas formularão as normas da comunidade.”

    Há outras mudanças em curso, mas Wales prefere não revelar nada em especial, exceto que não há planos de introduzir um sistema de avaliação similar ao do eBay, conforme sugeriu Fader. Esse tipo de sistema não funcionaria e seria “nocivo para a comunidade”, diz Wales, porque a Wikipedia tem entre 800 a 1.000 editores em atividade. Qualquer sistema de avaliação seria negativo e impreciso. Um biólogo, por exemplo, pode ser um profundo conhecedor de assuntos relativos à biologia, mas pode se transformar em um louco varrido quando discute o conflito israelo-palestinense. “Nesse exemplo, o indivíduo receberia três estrelas sem nada que diferenciasse sua capacidade em uma e outra situação”, diz Wales. “A avaliação desconsideraria o elemento de juízo humano. No nosso sistema, aprendemos com o tempo que é preciso ficar de olho no editor” sempre que estiver trabalhando em tópicos relacionados ao Oriente Médio.

    Whitehouse reconhece que parte do conteúdo da Wikipedia pode conter erros; contudo, no geral, o sistema de vigilância funciona. “Veja o quanto a Wikipedia conseguiu em tão pouco tempo. A vigilância interna mostrou que funciona bem em praticamente todo o site.”

    Modelos emergentes

    O desafio da Wikipedia consistirá em lidar ao mesmo tempo com a vigilância de páginas de grande visibilidade e de áreas de baixo tráfego que abrigam informações errôneas. “O processo funciona quando há uma troca que permite a discussão e o diálogo”, diz Whitehouse. “O problema consiste em policiar artigos obscuros que não despertam o interesse de ninguém.”

    Não se sabe ao certo que caminho tomará o modelo da Wikipedia, mas alguns possíveis rivais surgirão com idéias próprias. Um site denominado Digital Universe, lançado recentemente, oferece “administradores” para revisão de conteúdo e produção de dois tipos de artigos — com e sem revisão de especialistas. A empresa anuncia a si mesma como a “PBS [televisão pública dos EUA] da Web” e universidade do pensamento e da experiência humana.

    O Copyright de Friedman, com lançamento previsto para meados de fevereiro, é um diário de acesso livre, revisado por membros da comunidade, e que trata de todos os aspectos relativos ao copyright na era da Internet. Os autores submeterão ao site pesquisas detalhadas, estudos de casos e artigos opinativos que serão avaliados rapidamente pelos membros da comunidade. O site buscará um equilíbrio entre a oferta de acesso a todos os usuários e o fornecimento de informações precisas. De acordo com Friedman, o conteúdo coletivo ainda tem um papel significativo a desempenhar, porém a filtragem de grandes volumes de informação será um procedimento cada vez mais importante.

    Apesar da eficiência da Wikipedia, a enciclopédia “permite que qualquer um poste [informações] e reze para que os especialistas contribuam em grau maior do que os mal-intencionados ou incompetentes”, observa Friedman. A estratégia do Copyright é de abertura a todos, porém as contribuições serão analisadas minuciosamente antes de ir ao ar por indivíduos como Fader, Lawrence Lessig, professor de Direito da Stanford Law School, e Wlliam M. Landes, professor de Direito da Universidade de Chicago, entre outros.

    Especialistas da Wharton concordam que a Wikipedia se recuperará de seu mais recente golpe, porém seu modelo terá de ser refinado. Whitehouse observa que o conteúdo de autoria do cidadão é uma contribuição valiosa para o conhecimento, porém ainda há lugar para a informação com grande número de dados editados. O desafio de Whitehouse consistirá em encontrar o meio termo entre as duas coisas.

    http://wharton.universia.net/index.c...age=portuguese

    flw :good:

  2. Isso depende muito....
    Existes pesssoas boas e ruins, claro, mas um cara ir no wikipédia e corromper alguma coisa é ser um cara muito idiota. :no:
    O wikipédia tem sido referência em relação a artigos científicos e tantos outros e a idéia é: quem ver algo errado corrigi, senão não seria livre....é liberdade máxima.



  3. #3
    helensurf
    Pô Duca concordo contigo...

    Com certeza é pra ajudar e não para atrapalhar...

    Ah se tudo fosse perfeito!!!

    Malditos babacas!!! :@:






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